quinta-feira, 18 de março de 2010

Essa parte ainda adolescente em mim...


Estou sentindo saudades... É estranho, mas é como ter passado mais de uma semana na casa de amigos queridos e depois ter que ir embora, de volta à rotina. Mas é assim que eu me sinto quando "mergulho" em uma leitura que absorve boa parte, e em alguns momentos, completamente, a minha atenção.

Mais engraçado ainda porque eu já tive essa compulsão por uma leitura algumas vezes antes (até contei aqui nesse blog alguns casos), mas não esperava sentir isso pela saga dos vampiros e lobisomens, de Stephenie Meyer. Afinal, parece uma estória tão bobinha, como cinderela, a bela adormecida e outros contos de fada, só que com vampiros.

Eu tinha assistido por curiosidade ao filme na TV por assinatura, não me daria antes ao trabalho de enfrentar uma fila de cinema por ele. Achei bonitinho, mas nada demais. Conversando com minha prima, ela me instigou a ler os livros. Disse que era muito mais rico em detalhes e no enredo magnético do que o filme conseguiria transpor.

Ela me emprestou Crepúsculo no dia 21 de fevereiro, e eu andei com o livro por mais de duas semanas no carro, sem abrí-lo. Tinha outras prioridades de leitura. Mas no início da semana passada, de novo curiosa, comecei a ler. Grudei. Grudei mesmo. O livro pegou em mim como cola. Perguntem aos meus amigos e parentes. Só soltava um quando já estava com o outro em mãos.

Corri para a casa da Pollyana para buscar Lua Nova antes que Crespúculo acabasse. Levei Eclipse, da minha sobrinha, na bolsa de viagem para o sertão, no último final de semana, e quando voltei de lá, corri para a livraria, porque não consegui achar a Pollyana em casa e estava ansiosa por Amanhecer, que terminei ontem, coincidentemente, à meia-noite.

Hoje, levantei com saudades, reli o final do último capítulo, o suave e doce final de feliz depois de muito sofrimento, e depois comecei a pensar "por que"? Tirando essa parte de mim que será eternamente adolescente e se comporta da mesma forma entusiasmada há décadas quando se apaixona por qualquer coisa ou pessoa, eu queria entender o que me atraiu tanto no livro. À mim e à milhares de pessoas, a maioria adolescentes (quem sabe porque os "adultos" não sejam tão corajosos em denunciar suas paixões adolescentes como eu, com medo do ridículo, que eu aprendi com Gaiarsa a não temer).

Rememorei várias partes dos quatro livros. É claro que a temática é atraente. Na nossa psique, povoam as histórias dos mitos. Todos queremos respostas para questões como a imortalidade da alma, a possibilidade do amor verdadeiro, a consciência após a morte, ou até que ponte a morte é um final ou um recomeço, e qual a identidade que voce preserva depois de uma passagem tão radical.


Além disso, tem a força, o poder, o desejo de proteger as pessoas que voce ama com um escudo invisível e forte, as provas para sentimentos nobres como lealdade, coragem, aquela capacidade que faz dos heróis pessoas capazes de contrariar o instinto de sobrevivência, arriscando a vida por outra pessoa. Tudo isso, no talento narrativo da autora, faz com que sejamos capazes de interagir com os personagens. Numa mente fértil, começam a existir em detalhes a floresta, a praia na reserva quileute, o penhasco, o clima fechado e sempre úmido de Forks, o musgo. Tudo cria forma e vida... É fácil, quando se lê algo tão bem escrito.

Tem também a incrível capacidade da autora de fazer o leitor sentir experiências que talvez nunca tenha vivido, ou que de certa forma experimentou, mas são intensificadas no livro. Tenho duas passagens que me doeram ler. Não vou contar em detalhes para não estragar o suspense para quem ainda não leu a saga e se animar. Uma é a de Bella quase se afogando, depois de saltar do penhasco. Aquela mesma sensação de medo e tranquilidade. De quase sufocar e ao mesmo tempo sentir que a morte pode ser estranhamente calma. E de repente seus pulmões explodem em busca de ar, e milagrosamente, dolorosamente, encontram, e voce volta...

A outra passagem, foi a gravidez de Bella. Aquele sofrimento exagerado me fez lembrar um sentimento muito mais suave de conviver com um amor incondicional e ao mesmo tempo um certo pânico, sob controle. Lembrei de Ernesto chutando a minha costela quando já estava apertado no útero e agradeci por ele não ser mais forte do que eu. E como o meu parto foi normal, lembrei que nada, nem aquela dor, aquele sangue, parece significar alguma coisa quando voce tem o seu bebê nos braços. Mas o parto de Bella foi alguma coisa perto do horror, e mesmo assim tinha amor naquele momento. Foi o trecho mais angustiante para mim. Mais estressante do que as lutas na campina entre os bons e os maus.

Fora isso, tudo é tão bonito quanto pode ser na vida. O livre arbítrio, a amizade, a capacidade de conviver com as diferenças, a luta para controlar nossas más tendências e fortalecer o que é bom em nós... O aprendizado...

Creio que sejam estes alguns dos motivos da minha atração pela leitura... mas vai levar um tempo até eu terminar de digerir e ruminar toda a história. Depois de emergir do mergulho, é preciso respirar fundo e refletir. Mas certamente, as grandes coisas da vida, são mesmo as mais simples... e não é preciso magia sobrenatural para perceber isso...

fotos do Google: os livros e a autora, com um "vampiro"
foto Avanny: lendo sem parar até durante o jantar na viagem da ascom ao sertão

Um comentário:

  1. Suas idas e vindas agarrada aos livros foram totalmente justificadas. Agora já não sei se serei a próxima a andar por aí lendo e "mergulhando" nessa saga ou se vou ficar com seus comentários breves e auto-suficientes. Ah, parabéns pela disposição (eu levaria meses, kkkk). beeeejs Lua :* Adélia

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