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Reflexões sobre o perdão…

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Enquanto eu o ajudava a tomar um iogurte, colocando cada colherada na boca dele, com cuidado, acompanhando ele sorver cada bocado com dificuldade, eu pensava: esse homem frágil, de cabelos brancos, acamado há mais de um ano, praticamente cego, mas ainda lúcido, embora falando com esforço, é o mesmo que há quatro décadas eu olhava com medo. Ele parecia alto, forte, feroz, sempre comandando, empurrando as coisas, esmurrando a mesa, atirando a esmo… eu me escondia atrás da porta e ficava quieta, até a tempestade passar e reinar o silêncio… então eu o  via acordar para um novo dia e tomar um gole de cachaça antes do café da manhã e cismava: quanto tempo até começar tudo de novo? Mas nessa época, eu também o amava e vivia ansiando pelo sorriso dele. Então eu fui entrando na adolescência e o medo foi virando raiva. Eu desafiava, questionava, encarava. Uma vez cheguei a empurrá-lo e ele desequilibrou e caiu no chão, atônito com a minha reação inesperada. Eu estava sempre dispos...

Eu me reinvento...

A vida tem muitos começos, finais e recomeços... Não adianta mesmo querer reter as coisas... os momentos felizes passam, assim como os tristes... a vida vai passando e "é preciso saber viver". Eu não me apego muito a essa questão de maturidade. É claro que a experiência é importante. Ajuda a equilibrar mais as emoções em cada momento. Mas no fim, eu amo do mesmo jeito, sofro do mesmo jeito... sempre com muita paixão e intensidade... e depois... vou seguindo o meu caminho... Mas a vida é generosa comigo... a cada esquina, mesmo com algumas dores, sustos e rejeições, também encontro presentes divinos, carinhos sinceros, motivos para me entusiasmar com os acontecimentos... Por isso, vou continuar com o coração aberto, ao amor e à dor que me couberem... e vou continuar vivendo com toda a alegria que eu puder!

Mais um poeminha de amor

Sobre o amor O amor não realizado vira poesia O amor platônico sempre é poesia O amor romântico inspira os mais belos poemas Sofrer por amor pode ser tema de samba-canção Saudade e melancolia curam-se com poesia A dor da rejeição só a poesia alivia Por isso há tanta poesia Só o raro encontro de amor recíproco, vivenciado e pleno Não carece de palavras e ninguém sabe onde acontece

A hora de deixar a luz do sol entrar...

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Tá certo... já chega de lamentações, medos, inseguranças, desconfianças, etc etc etc... Está na hora de abrir todas as janelas e deixar entrar o vento e a luz do sol, com a energia revitalizadora que faz sarar as feridas e renova a vontade de viver e ser feliz... A vida é generosa comigo e, apesar dos erros e vacilações, sempre me ofereceu novas oportunidades de aprender e recomeçar... E agora me presenteia com um reencontro intenso e iluminado. Seria tolice deixar que os fantasmas das feridas passadas fossem mais fortes do que essa história que pede passagem para se construir... Não, a vida é mais forte! É como a letra de uma música religiosa que recebi hoje de mãos especiais: "O amor é bálsamo na triste lida, o amor é mais, também é paz, o amor é vida". Então, com fé, vamos seguir adiante... Chegamos ao dez de copas! Não é uma final feliz, porque é um começo... a vida tem seus desafios, mas também sabe recompensar a quem tem um coração sincero.

Aqui estamos no arcano da separação...

Uma lição da mitologia, reproduzida nas cartas do tarot. Eros e Psique se amam e se casam. Psique era mortal, limitada por sua própria condição. Mas Eros era um deus, perfeito e superior. Por isso, o casamento tinha uma regra: Psique não poderia olhar o rosto do amado. No castelo erguido para viverem esse amor, Eros chegava sempre que anoitecia e as lâmpadas estavam todas apagadas... Psique tentou se adaptar a essa rotina na escuridão, mas um dia, ao receber a visita de suas irmãs, foi convencida de que não poderia continuar assim e deveria confrontar o amado. Nesta noite, ela preparou uma lamparina e quando Eros chegou, iluminou o rosto dele. Eros fugiu, enraivecido por ter a confiança traída pela amada. Ela chorou ao perceber quanto o magoara... Essa é a imagem do cinco de copas. Mas, apesar da dor da separação, analisando bem a carta, vemos que há uma esperança. Fica intacta uma taça, mesmo que as outras estejam caídas, a essência do amor permanece, o que indica a possibi...

Estamos juntos nessa...

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Vinte anos se passaram e a saudade volta com uma intensidade como se tivesse sido ontem. Então eu descubro que ela nunca foi embora... Sempre foi um vazio, às vezes mais silencioso, às vezes doloroso como um buraco aberto no peito, sangrando... Evaldo foi o meu primeiro e grande amor, mas eu nunca disse isso a ele, também, naquele tempo, eu não tinha maturidade para saber, eu só sentia que tudo se iluminava na presença dele, mas como uma adolescente militante de esquerda, achava piegas falar essas coisas... Tinhamos que falar da revolução, da rebeldia, da coletividade... o amor era um assunto subjetivo demais, nebuloso... eu lembro uma vez que Evaldo veio da Bahia para se reunir comigo sobre os rumos do MCR em Alagoas ( que nunca teve rumo e não passou de um grupelho miúdo de militantes) e colocou em um papel os pontos de pauta. Estavam escritos: organização partidária, célula rural e por último...nós... nós éramos um ponto de pauta... Tudo bem, nós atropelamos tudo...

Revelar segredos...

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"Procuro um amor que seja bom pra mim. Vou procurar, eu vou até o fim. E eu vou tratá-la bem, para que ela não tenha medo, quando começar a conhecer os meus segredos" ( Segredos , Frejat) Não tem jeito, né. Não dá para se relacionar com alguém com mais profundidade sem revelar quem somos. Não todos os segredos, mas o caráter, fruto de uma história com muitos episódios, alguns alegres, outros traumáticos... Não tem como deixar alguém se aproximar, sem baixar um pouco a guarda, sem abrir a armadura... mas isso é bastante assustador, principalmente quando já se tem alguns "cadáveres" escondidos no armário. Por isso Reich dizia que a couraça que te proteje é a mesma que te impede de amar. Ou seja, para amar, de certa forma, é preciso se tornar frágil. Esse é um drama que se torna mais complexo com a idade, e com toda a estrutura de proteção que formamos para nos defender das "topadas" da vida. É por isso que é preciso mais coragem para amar e sorrir, do qu...

Amai os vossos inimigos...

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"Amai os vossos inimigos. Fazei o bem aos que vos odeiam". Não, nunca alcancei a profundidade desses versículos. Nunca me senti capaz de transformar ódio em amor e muito menos oferecer a outra face... que nada! O melhor que pude fazer foi me manter em silêncio... mas o meu silêncio é profundo... pode durar décadas, séculos... é na verdade muito cruel... Mas nessa noite, depois de duas taças de vinho, comecei a pensar nas mágoas e ódios da vida e me senti vazia deles. Quem precisa carregar essa raiva?! São tão mais fragéis as pessoas que magoam. Como são solitárias as pessoas que não confiam, não abrem a guarda... Como é falsa a invencibilidade dos fortes! Nesta escuridão, quem está mais segura sou eu, que começo a compreender Walt Whitman: "forte e contente vou eu pela estrada aberta”