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Entre a preocupação e o orgulho...

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Durante toda a solenidade de despedida dos onze militares do exército, lotados em Alagoas, que vão para o Haiti, o olhar do cabo Alan Roger procurava alguém no meio de parentes e amigos. A bandeira de Alagoas foi descerrada e entregue ao sargento que vai levá-la durante a viagem. O padre distribuiu as bençãos e o pastor falou em esperançae proteção divina. E Roger ansioso, olhando para o aglomerado de pessoas, sem enxergar o que queria... O coronel Pinto Sampaio também se emocionou ao falar da missão que os soldados estão indo cumprir, no país devastado pelo terremoto, onde tudo, inclusive a autoestima das pessoas, precisa ser reconstruido. Depois da cerimônia, os parentes se abraçaram e choraram, divididos entre a preocupação e o orgulho, pela coragem dos homens, ainda jovens, inspirados em exemplos de solidariedade e bravura. Alan começou a ficar cabisbaixo e foi pegar as bagagens para subir ao ônibus que os levaria à Recife, onde vão se juntar ao pelotão que parte, prime...

Eduardo Galeano explica o Haiti...

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A democracia no Haiti é uma criança maltratada e subnutrida, disse o jornalista e escritor Eduardo Galeano. Ele, que conhece como ninguém "as veias abertas da américa latina", mostra como esse pequeno país caribenho, marcado pelo preconceito racial, foi esquecido até mesmo pelo "libertador da América", Simon Bolivar. Quando li Galeano referindo-se ao Haiti como um bebê maltratado, não pude deixar de pensar em Zilda Arns, que não queria ver criança nenhuma desamparada. Talvez por isso ela tenha encontrado lá a passagem para o outro mundo... Mas, voltando a Galeano, vale a pena ler o artigo tão esclarecedor e crítico. Só para se ter uma idéia: "A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia". O texto completo aqui leia também "O legado dos amaldiçoados" de Antonio Lassance foto: Lavadeiras, de Watson Etienne, retirado do link resistir.info

Mais uma vez o Haiti...

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Começo o dia me arrumando para o trabalho e enquanto isso ouço o noticiário. Impossível não parar diante da dor dos haitianos, revelada nas imagens veiculadas pela TV. Dor física pelos ferimentos provocados no terremoto, dor psicológica de ver o país devastado e tantos mortos espalhados pelas ruas, dor do luto que não pode ser vivenciado dentro do costume de velar e homenagear cada morto. Tem cena mais desoladora do que uma vala comum? Sete mil corpos até agora, enterrados sem nome, sem rituais, sem as músicas e orações dos parentes... Os repórteres falam do cheiro de putrefação que deixa o ar insuportável, já que muitos cadávares ainda não foram retidados dos escombros... a fome e o desespero deixam o clima tenso...  desabrigados estão por toda a parte... Um repórter americano acompanhou uma familia aflita retirando as pedras para libertar uma menina de onze anos, presa embaixo de um monte de entulho. A criança gritava de dor, por causa dos ferimentos, e pedia agua para apla...

Não tem como não falar de Zilda e do Haiti

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Eu sei que hoje não se fala em outra coisa: mais uma tragédia no Haiti, um dos países mais pobres da América Central, uma ilha perdida no caribe que enfrenta fome, conflitos civis, misérias de todo o tipo e ainda por cima sofre com a própria natureza, que desaba sobre os mortais em forma de terremo e furacões... Mas como ser indiferente, como não falar no assunto? As imagens são fortes e comovem... como também nos chocaram as notícias do reveillon de Angra dos Reis, uma festa que acabou soterrada pela lama das encostas. Difícil entender essas tragédias, principalmente quando entre elas se destaca a história de uma vítima em especial, uma trajetória singular interrompida por um desastre. Em Angra, foi Yumi que comoveu com sua juventude, inteligência e sensibilidade. No Haiti, perdemos Zilda Arns. Uma mulher com uma trajetória incrível, reconhecida internacionalmente pelo trabalho humanitário que desenvolvia. Mas, morreu na missão que assumiu para sua vida... deve estar na paz de D...