quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Histórias de dor e esperança...

A primeira vez que eu fui até ao lixão de Maceió foi em 1997. Em meio aquela montanha de lixo com vista para o mar, mulheres, homens e crianças catavam o que podia ser reaproveitado e gerar algum trocado. Fui para fazer uma reportagem e a emoção tomou conta. Pensando na vida daquelas pessoas revirando os restos jogados pela sociedade, editei a matéria com o Samir Sena, na época para o programa Alagoas na TV, para a TV Alagoas.

Depois, voltei lá algumas vezes, para fazer matérias e também para participar dos debater realizados pelo Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (Ceasb), com a Ana, o Clébio e outras pessoas que já naquele período buscavam alternativas para melhorar a vida daquela gente. Como repórter policial também fui à Vila Emater, para registrar a violência que atinge a rotina de quem está privado das mínimas condições de uma existência digna.

Acompanhamos as exaustivas idas e vindas, até que o lixão foi desativado, em 2010, e o lixo da cidade passou a ser levado para o aterro sanitário. Antes disso, um golpe de dor na cidade. Um menino de 12 anos, dormia no lixão, coberto por jornais, exausto, e não ouviu o caminhão se aproximar... foi atropelado. Doeu na Vila Emater, doeu em Maceió. Esse drama provocou revolta e indignação... não era para menos. Aquele menino expôs o descaso com que a infância desprotegida das crianças alagoanas.

Foi com toda essa carga de histórias na mente e no coração que eu assisti ontem a peça "Histórias Recicladas", escrita e protagonizada por ex-catadoras de lixo, hoje organizadas em uma cooperativa de reciclagem, a CoopVila. Eu chorei... ontem enquanto assistia a peça, na redação, enquanto fechava o texto, depois na gravação dos offs e ainda hoje, quando assiste à matéria na TV. Não consigo olhar para essas mulheres corajosas, que superam a cada dia dificuldades enormes, para manter a esperança e encontrar alguma alegria na vida, sem me emocionar...

Desejo à elas que as histórias se reciclem cada vez mais, até se transformar em paz, alegria, dignidade. Desejo à nós que nunca nos tornemos indiferentes...

Reportagem sobre a peça "Histórias Recicladas" exibida no jornal da Pajuçara Manhã

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os estudantes que entraram numa fria...

Brincadeira o título... os estudantes do mestrado em Meteorologia da Ufal causaram-me uma ótima impressão. A ciência não é só teoria, nem a solidão tranquila de um laboratório. Eles saíram deste calorão de Maceió e mergulharam numa sensação térmica de menos 30 graus! Eu nem consigo me imaginar por algumas horas neste congelador imenso, avalie passar dois meses nessa paisagem gelada, desconfortável e pouco familiar!

Para monitorar os equipamentos, eles foram a campo, tendo como abrigo apenas um carro com aquecedor ligado, onde podiam dar alguns cochilos, e quando saiam do veículo, tinha que ser com as pás nas mãos, limpando a neve, para não cobrir totalmente o carro. Leandro e Carlos, que nunca antes tinham visto neve, tiveram que caminhar por campos nevados até a altura do joelho!

Eles tiveram bons momentos e aprenderam muito. Mas é preciso coragem e desprendimento para fazer um intercâmbio assim,
no inverno mais frios dos últimos 20 anos, nos EUA. E ainda passar um natal tradicional, junto à lareira, com um pinheiro natural exalando seu perfume na sala, pessoas rosadas trocando presentes, tudo como nos filmes... mas longe da família!

Gostei de conhecer essa história e de escrever sobre ela para o portal da Ufal

Veja a reportagem no porta da Ufal aqui