terça-feira, 30 de março de 2010

Essa viagem até nada...

Algumas situações da vida nos fazem pensar na ridícula vaidade humana, que muitas vezes ressalta com uma enorme ansiedade metas que, uma vez conquistadas, não valem grande coisa...

Fiquei pensando também no reverso, vidas dedicadas a ideiais realmente grandiosos, mas que, uma vez alcançados, foram de tal forma manipulados, que se transformaram também em nada pelo que valesse a pena morrer...

Refletindo sobre essa coisas, lembrei de uma música que ouvi com emoção há alguns anos, em Cuba. A letra poética e profunda revela com muito mais clareza o que estou querendo dizer. Ainda mais porque se trata de um poeta que viveu em um país que bradava nobres ideais, e, como diz Luis Eduardo Aute, em "La Belleza", quase tudo acabou como escadaria para a glória de poucos.

Não é com pessimismo ou amargura que faço essas reflexões. Como diz Fernando Pessoa "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Por isso, para mim nada que foi feito com dedicação e amor se perde totalmente, mesmo quando não traz os resultados esperados. Ficam alguns avanços, muito aprendizado e lições para o futuro.

Sobretudo, aprender que vale a pena buscar a "beleza" na simplicidade das coisas. A letra de Aute que me inspirou está no link. Não me atrevo a traduzir tudo, porque meu espanhol não chega a tanto, mas só um trechinho, para despertar a curiosidade:

"Inimigo da guerra, e seu reverso, a medalha, não propus outra batalha que livrar o coração de jogar o corpo à terra, sob o peso de uma história que ia elevar até a glória o poder da razão. E agora que não há mais trincheiras, o combate é a escalada, e aquele que alcança o mais alto, põe a salvo sua cabeça, ainda que afunde no asfalto a beleza"*

*por favor, se alguém puder traduzir melhor, eu recoloco o texto

foto de Aute: google

terça-feira, 23 de março de 2010

Revelar segredos...

"Procuro um amor que seja bom pra mim. Vou procurar, eu vou até o fim. E eu vou tratá-la bem, para que ela não tenha medo, quando começar a conhecer os meus segredos" (Segredos, Frejat)

Não tem jeito, né. Não dá para se relacionar com alguém com mais profundidade sem revelar quem somos. Não todos os segredos, mas o caráter, fruto de uma história com muitos episódios, alguns alegres, outros traumáticos...

Não tem como deixar alguém se aproximar, sem baixar um pouco a guarda, sem abrir a armadura... mas isso é bastante assustador, principalmente quando já se tem alguns "cadáveres" escondidos no armário. Por isso Reich dizia que a couraça que te proteje é a mesma que te impede de amar.

Ou seja, para amar, de certa forma, é preciso se tornar frágil. Esse é um drama que se torna mais complexo com a idade, e com toda a estrutura de proteção que formamos para nos defender das "topadas" da vida.

É por isso que é preciso mais coragem para amar e sorrir, do que para matar e se esconder... E são os covardes que ocupam as manchetes de jornais... Já o amor, cresce em silêncio.

Foto de Frejat do site do Estadão

sábado, 20 de março de 2010

O meu maior amor

São quatro anos experimentando um sentimento que antes eu não tinha como dimensionar. A palavra incondicional sempre me pareceu subjetiva demais, não dava para fazer idéia do que seria amar assim... Mas agora eu sei de todas aquelas frases que são tão batidas sobre o amor maternal. Tudo se aplica ao que sinto pelo Ernesto. Nada parece piegas demais, lugar comum ou frase feita.

Todos os agradecimentos à Deus por essa oportunidade. Ernesto veio para a minha vida quando eu já tinha passado por mil experiências. Uma mãe madura, cheia de histórias, que pelo menos por enquanto eu prefiro não contar para ele. Se Ernesto for tão levado como eu, vou ter um ataque cardiaco.

Os riscos de uma gravidez beirando os quarenta anos, não me atingiram, graças à Deus. Fiz hidroginástica na academia da Bam até a barriga ocupar boa parte da piscina. Trabalhei até quinze dias antes do parto. Dirigi até na hora de parir e voltei para casa dirigindo.

Ernesto nasceu de parto normal, lindo, saudável, mamou logo que colocaram ele no meu peito, ainda todo sujinho... Se eu soubesse que seria assim, acho que teria tido uns três filhos... Foi no dia 21 de março de 2006. Entrei na sala de parto às seis da manhã e fiquei olhando o relógio. No terceiro grito, ele nasceu, às 6h40.

Ele dá trabalho sim. Às vezes grita comigo e já quer ter mais autoridade do que eu... mas tudo bem... tudo bem... ele é o sol dos meus dias. E não se preocupem, apesar da minha total adoração, não esqueço do papel de educadora.

Tenho que dizer não, impor limites, ensinar as regras da vida e todas aquelas orientações pedagógicas avemariameudeus... Tudo bem, eu faço isso. Quero que ele se saia o melhor possível nesse mundo complicado.

Mas, o fundamental mesmo, é que ele respire, ria, exista... não precisa fazer mais nada além disso, para ser o meu pequeno príncipe. E ele sabe disso... ele sabe que eu vou fundo nessa história de amor... é um menino muito esperto esse Ernesto. Combatente leal e dedicado, esse é o significado do nome dele. Para mim, poderia ser traduzido como "minha vida".

quinta-feira, 18 de março de 2010

Essa parte ainda adolescente em mim...


Estou sentindo saudades... É estranho, mas é como ter passado mais de uma semana na casa de amigos queridos e depois ter que ir embora, de volta à rotina. Mas é assim que eu me sinto quando "mergulho" em uma leitura que absorve boa parte, e em alguns momentos, completamente, a minha atenção.

Mais engraçado ainda porque eu já tive essa compulsão por uma leitura algumas vezes antes (até contei aqui nesse blog alguns casos), mas não esperava sentir isso pela saga dos vampiros e lobisomens, de Stephenie Meyer. Afinal, parece uma estória tão bobinha, como cinderela, a bela adormecida e outros contos de fada, só que com vampiros.

Eu tinha assistido por curiosidade ao filme na TV por assinatura, não me daria antes ao trabalho de enfrentar uma fila de cinema por ele. Achei bonitinho, mas nada demais. Conversando com minha prima, ela me instigou a ler os livros. Disse que era muito mais rico em detalhes e no enredo magnético do que o filme conseguiria transpor.

Ela me emprestou Crepúsculo no dia 21 de fevereiro, e eu andei com o livro por mais de duas semanas no carro, sem abrí-lo. Tinha outras prioridades de leitura. Mas no início da semana passada, de novo curiosa, comecei a ler. Grudei. Grudei mesmo. O livro pegou em mim como cola. Perguntem aos meus amigos e parentes. Só soltava um quando já estava com o outro em mãos.

Corri para a casa da Pollyana para buscar Lua Nova antes que Crespúculo acabasse. Levei Eclipse, da minha sobrinha, na bolsa de viagem para o sertão, no último final de semana, e quando voltei de lá, corri para a livraria, porque não consegui achar a Pollyana em casa e estava ansiosa por Amanhecer, que terminei ontem, coincidentemente, à meia-noite.

Hoje, levantei com saudades, reli o final do último capítulo, o suave e doce final de feliz depois de muito sofrimento, e depois comecei a pensar "por que"? Tirando essa parte de mim que será eternamente adolescente e se comporta da mesma forma entusiasmada há décadas quando se apaixona por qualquer coisa ou pessoa, eu queria entender o que me atraiu tanto no livro. À mim e à milhares de pessoas, a maioria adolescentes (quem sabe porque os "adultos" não sejam tão corajosos em denunciar suas paixões adolescentes como eu, com medo do ridículo, que eu aprendi com Gaiarsa a não temer).

Rememorei várias partes dos quatro livros. É claro que a temática é atraente. Na nossa psique, povoam as histórias dos mitos. Todos queremos respostas para questões como a imortalidade da alma, a possibilidade do amor verdadeiro, a consciência após a morte, ou até que ponte a morte é um final ou um recomeço, e qual a identidade que voce preserva depois de uma passagem tão radical.


Além disso, tem a força, o poder, o desejo de proteger as pessoas que voce ama com um escudo invisível e forte, as provas para sentimentos nobres como lealdade, coragem, aquela capacidade que faz dos heróis pessoas capazes de contrariar o instinto de sobrevivência, arriscando a vida por outra pessoa. Tudo isso, no talento narrativo da autora, faz com que sejamos capazes de interagir com os personagens. Numa mente fértil, começam a existir em detalhes a floresta, a praia na reserva quileute, o penhasco, o clima fechado e sempre úmido de Forks, o musgo. Tudo cria forma e vida... É fácil, quando se lê algo tão bem escrito.

Tem também a incrível capacidade da autora de fazer o leitor sentir experiências que talvez nunca tenha vivido, ou que de certa forma experimentou, mas são intensificadas no livro. Tenho duas passagens que me doeram ler. Não vou contar em detalhes para não estragar o suspense para quem ainda não leu a saga e se animar. Uma é a de Bella quase se afogando, depois de saltar do penhasco. Aquela mesma sensação de medo e tranquilidade. De quase sufocar e ao mesmo tempo sentir que a morte pode ser estranhamente calma. E de repente seus pulmões explodem em busca de ar, e milagrosamente, dolorosamente, encontram, e voce volta...

A outra passagem, foi a gravidez de Bella. Aquele sofrimento exagerado me fez lembrar um sentimento muito mais suave de conviver com um amor incondicional e ao mesmo tempo um certo pânico, sob controle. Lembrei de Ernesto chutando a minha costela quando já estava apertado no útero e agradeci por ele não ser mais forte do que eu. E como o meu parto foi normal, lembrei que nada, nem aquela dor, aquele sangue, parece significar alguma coisa quando voce tem o seu bebê nos braços. Mas o parto de Bella foi alguma coisa perto do horror, e mesmo assim tinha amor naquele momento. Foi o trecho mais angustiante para mim. Mais estressante do que as lutas na campina entre os bons e os maus.

Fora isso, tudo é tão bonito quanto pode ser na vida. O livre arbítrio, a amizade, a capacidade de conviver com as diferenças, a luta para controlar nossas más tendências e fortalecer o que é bom em nós... O aprendizado...

Creio que sejam estes alguns dos motivos da minha atração pela leitura... mas vai levar um tempo até eu terminar de digerir e ruminar toda a história. Depois de emergir do mergulho, é preciso respirar fundo e refletir. Mas certamente, as grandes coisas da vida, são mesmo as mais simples... e não é preciso magia sobrenatural para perceber isso...

fotos do Google: os livros e a autora, com um "vampiro"
foto Avanny: lendo sem parar até durante o jantar na viagem da ascom ao sertão

sexta-feira, 12 de março de 2010

Carteirada: o mico do ano


Sinceramente, o ano está apenas começando, mas espero que não tenha mico maior do que esse. Vexame nacional envolvendo autoridades da segurança pública que foram "remendar" o mal feito e acabou ficando pior.

Se já não bastasse a "carteirada" dos policiais e a prisão desnecessária da gerente do Centerplex só porque ela estava cumprindo as normas da empresa, a Secretaria de Defesa Social arranjou às pressas um documento em papel timbrado do Gecoc, núcleo de combate ao crime organizado do Ministério Público, para justificar durante coletiva que a ação dos policiais era correta.

Só que o secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, não quis apresentar o documento à imprensa, e depois eu fiquei sabendo porque. A redação era mal feita, sem assinatura e ainda com erros de ortografia. A palavra cinema, por exemplo, estava escrita "cenema".

O promotor de Justiça, Edelzito Andrade, foi à imprensa desmentir o tal documento e a autorização para uma operação "investigativa" no Centerplex, que só tem uma semana de inaugurado e parece que já virou a boca-de-fumo mais perigosa da cidade, porque vários policiais querem ir lá investigar.

Ontem também entrevistei o vice-presidente do Sindpol, que insiste no direito de gratuidade dos policiais. Eu perguntei porque, e ele disse que eram prerrogativas do serviço. Eu retruquei "mas para assistir filme, na hora do lazer?". E ele falou que era uma questão de interpretação.

Lembrei daquele deputado que fez uma ligação clandestina de energia na casa dele para não pagar a conta e quando eu perguntei sobre a irregularidade cometida ele falou que "gato é uma questão subjetiva". É demais!!!

foto 1: vários policiais cercando a "perigosa" gerente
foto 2: o Tigre, grupo tático especial participando da "operação"

terça-feira, 9 de março de 2010

A polêmica da "carteirada"

Policiais do Tigre - Tático Integrado da Policia Civil - alegam que estavam à trabalho quando tentaram entrar nos cinemas da Centerplex para "investigar" venda de drogas. A gerente do estabelecimento garante que eles não apresentaram nenhuma documentação comprovando a operação policial.

As contradições ainda serão investigadas, mas tem dois fatos que estão evidentes: o primeiro, não havia a menor necessidade daquele "desfile" de policiais armados para deter uma gerente que estava cumprindo a função dela, e não havia porque arrastá-la pelos corredores mais movimentados do shopping, diante de familias e demais clientes. Está claro que os policiais quiseram "punir" a gerente com o constragimento da situação.

A segunda constatação, bastante clara para todos, é que a cultura da "carteirada" é mais do que comum em Alagoas. E não é só entre policiais não. Em todas as categorias que se sentem de alguma forma "autoridade", até mesmo entre jornalistas e radialistas, existem pessoas que exibem a credencial do trabalho como se este documento os desobrigasse de pagar pelo que consomem.

Em vários casos, nem mesmo carteiras profissionais os "clientes" têm para apresentar, mas ficam brandindo o parentesco e o sobrenome, ou já saiu de moda o famoso "voce sabe com quem está falando"?!

A semana toda será consumida em explicações sobre o incidente ocorrido nesta segunda-feira, no shopping Pátio Maceió. Eu sinto muito que em pleno Dia Internacional da Mulher, a gerente Andréa Marques tenha passado por esse vexame desnecessário.

Mas já que o fato aconteceu de uma forma tão escancarada, vamos abrir a discussão. As "carteiradas" aqui acontecem no cinema, no teatro, no estádio de futebol, e justamente os mais altos salários são os que menos fazem questão de pagar. Essa obrigação é só para os pobres mortais.

Está mais do que na hora de cobrarmos o fim desse costumezinho deselegante, assim como já estamos nos acostumando a respeitar faixa de pedestre, vagas de deficientes e outras regras sociais, por causa da cobrança coletiva. Então, por favor, vamos abrindo a carteira e tirando o dinheiro para comprar bilhetes como todo mundo, tá?

Imagem retirada do capitaoluizalexandre.blogspot.com

segunda-feira, 8 de março de 2010

Boa sorte sou eu!

Estava aqui vivenciando o meu dia da Mulher, com as mesmas obrigações rotineiras, mas fazendo mentalmente aquele balanço de ganhos e perdas. Cheguei a conclusão que me orgulho de mim e me amo bastante.

E isso não é fácil de dizer, mulheres são educadas para a culpa, desde a Igreja, que nos inculte a responsabilidade pelo pecado orginal, à Freud, que indica a mãe como mentora de todas as paranóias. Por isso, nos culpamos, nos exigimos, acreditamos que não somos suficientemente bonitas, não somos competentes à altura, não somos mães presentes em tempo integral e se o casamento falha, provavelmente é nossa culpa.

Mas... a essa altura da minha vida, já me conheço o suficiente para dar às minhas conquistas uma importância maior do que às minhas falhas. E posso ser tão tolerante comigo mesma, como tenho sido com todos os que me decepcionaram ou me magoaram nessa vida.

E posso ser tão agradecida a mim mesma por ter prosseguido, como sou grata a todos as pessoas que me ajudaram, e foram muitas, na minha trajetória. Eu estou bem, eu estou muito bem! Quando não tem mais ninguem para dizer isso, eu aprendi a me colocar no colo e dizer: "está tudo bem, vai dar tudo certo, voce vai saber encarar mais essa!"

Por isso, neste dia 8 de março, de novo povoam a minha mente as palavras de um poeta que eu já citei nesse blog, homem que amava homens e mulheres, e que tinha uma alma poderosa, Walt Whitman.

"A pé e de coração leve
eu enveredo pela estrada aberta
saudável, livre, o mundo à minha frente
à minha frente o longo atalho pardo
levando-me aonde eu queira

Daqui em diante, não peço mais boa sorte
Boa sorte sou eu
Daqui em diante não lamento, não transfiro
não careço de nada
Nada de queixas atrás de portas, de bibliotecas
De tristonha críticas
Forte e contente, vou eu pela estrada aberta"

foto: google

domingo, 7 de março de 2010

No meio do nada...

Fico impressionada com a capacidade dos homens de transformar a paisagem. É claro que não é uma interferência impune. Sempre há consequências quando se altera o ambiente. Mas, de forma consciente e cuidadosa, é o preço do progresso, não é?

Ontem, fui fazer a matéria sobre a Eco Via Norte, a estrada que será aberta entre o Benedito Bentes e Guaxuma. Hoje é uma estrada de terra usada por sitiantes da região, motoristas de vans irregulares fugindo da fiscalização e bandidos que desovam carros e corpos.

Com a estrada, a prefeitura quer abrir uma nova área de expansão da cidade, além de facilitar o percusso entre o aeroporto e o litoral norte. Fiquei ali parada, olhando aquela extensão de terra, com pasto e nada além, a perder de vista, e imaginando como deve ficar em uns anos.

Primeiro uma estrada larga, valorizando o terreno por onde passa. Mais visibilidade para os conjuntos habitacionais populares que ficam esquecidos naquele canto. Depois que a estrada entrar no gosto da população e o movimento aumentar, devem surgir no caminho os loteamentos habitacionais, as pousadas, os restaurantes...

A essa hora, os empreendedores já estão comprando os terrenos com preços mais baixos, para especular. Segundo o secretário do Planejamento, Márzio Delmoni, a obra deve começar ainda este mês. Deve ser concluida em um ano e meio, por aí. E não será preciso indenizar os proprietários das áreas desapropriadas, já que ele vão ganhar e muito com a via.

Como moradora da parte alta da cidade, estou gostando de acompanhar o crescimento dessa região: o shopping, as fábricas, os loteamentos e conjuntos habitacionais. Ahh, e aproveitando, conferimos a obra do aterro sanitário. Está caminhando... em breve poderemos nos livrar daquela montanha de lixo que cresce em Jacarecica e se projeta ousadamente acima de todas as outras elevações.

foto: ascom

Só Jamal é bom?

Ontem à noite assisti no Telecine ao filme "Quem quer ser um milionário". Fui dormir sob o impacto das cenas e do enredo desconcertante. Não avalio as questões técnicas: montagem, trilha sonora, roteiro, etc etc. Não sou crítica de cinema e não tenho conhecimento, a não ser o leigo de achar bom ou não...

Mas, apesar de um filme que prende a atenção do espectador do começo ao fim, e do ritmo alucinante dos programas de auditório feitos para paralisar o público, a sensação provocada pela história é muito contraditória.

Então a narrativa do filme é feita pelo menino bom ao torturador? É justamente o policial que tortura a única pessoa em toda a história que escuta de verdade aquele rapaz?

Salim é ao mesmo tempo protetor e o maior vigarista. Ninguém é bom ali, só Jamal. E como todos os bons ele é ingênuo e incapaz de proteger suas conquistas, nem mesmo um autógrafo conquistado depois de um banho de merda ele foi capaz de esconder...

E Latika, não sei o que dizer dela... em toda a história não teve muita iniciativa. Até para a fuga redentora ela precisou sair aos empurrões do cativeiro onde estava...


De resto, fora a briga religiosa entre hindus e mulçumanos, retratada em uma única cena selvagem, o contexto é conhecido dos brasileiros: miséria, exploração infantil, violência, tortura, corrupção, falta de escrúpulos...

Não conheço a Índia, mas por favor, naquela cultura milenar, onde viveu Gandhi e onde foram originados grandes conhecimentos para a humanidade, não é possível que a única pessoa boa seja Jamal!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma comunidade de mulheres competentes

Circulando pelos campi da Ufal,  inclusive o que ainda vai ser inaugurado no sertão, podemos constatar uma realidade animadora: está comunidade é composta por mulheres competentes, destacadas, que lideram e criam em todas as áreas.

Pelo menos nesse universo acadêmico, frases como: as mulheres não ocupam posição de destaque, as mulheres não são reconhecidas à altura de sua produção, etc parecem estar sendo superadas.

Não que vivamos numa sociedade à parte, mas pelo menos nessa instituição, as mulheres conquistaram posições importantes, por mérito. Começando pelos principais cargos de direção: a reitora da Ufal, Ana Dayse Dorea, a diretora do Campus Sertão, Edméia Nunes, a diretora acadêmica do campus Arapiraca, Simone Ferreira.

Depois vamos percorrer as pró-reitorias. É bem verdade que a equipe de pró-reitores é masculina. Das seis pró-reitorias, apenas uma é gerenciada por mulher: Silvia Cardeal, pró-reitora de Gestão do Trabalho e das Pessoas. Mas, nas demais, os pró-reitores contam com um staff feminino da melhor qualidade e que “dá as ordens”, ou seja, cria projetos, propõe e organiza atividades.

Nas unidades acadêmicas, a presença das mulheres também é destacada entre diretoras e vice-diretoras. Mas, além da gestão, as mulheres são atuantes no Ensino, Pesquisa e Extensão, que são os pilares da Universidade. Professoras, pesquisadoras e alunas com projetos premiados nacional e internacionalmente, com reconhecida dedicação ao trabalho de construir e socializar conhecimentos.

Nos órgãos de apoio acadêmico e administrativo, também lá estão as mulheres atuantes a trabalhar intensamente pelo crescimento dessa instituição. Só para citar alguns nomes, Sheyla Maluf, organizadora de grandes bienais, a frente da Editora da Ufal, Pajuçara Marroquim, a cuidar dos filhos de funcionários e alunos, do Núcleo de Desenvolvimento Infantil, sem falar a Assessoria de Comunicação, composta majoritariamente por mulheres, da coordenadora, Márcia Alencar, às jornalistas e estagiárias.

Nos serviços mais simples, e não menos essenciais, também estão elas, solicitas e organizadas, a limpar, varrer, arrumar e preparar o lanche com a dedicação da querida dona Rai, na copa do gabinete.

Ainda há muito a superar em relação aos preconceitos e limitações impostos às mulheres no ambiente acadêmico e, principalmente, na sociedade como um todo, onde as mulheres não tem o privilégio de conviver numa comunidade de conhecimento. Aqui, pelo menos, os problemas são expostos e discutidos, até serem dissecados, isolados e analisados, além de outros procedimentos “científicos” para exorcizar fantasmas do passado.

Que o digam as nossas vozes feministas, conhecidas de toda a sociedade alagoana, como Belmira Magalhães, Ruth Vasconcelos, Maria Aparecida Batista, Elvira Barreto entre outras combativas guerreiras que se desdobram na defesa de direitos das mulheres e outros segmentos sociais.

Por isso, nesse centenário do Dia Internacional da Mulher, a Ufal, instituição feita de pessoas, tem muito do que se orgulhar. Por sua contribuição histórica, reflexão constante, por “sacudir” consciências e, principalmente, pelas belas mulheres, em todos os mais profundos sentidos, que circulam pelos seus corredores, laboratórios, gabinetes e salas de aula.

Vale a pena "tietar" a prata da casa

Desde os tempos em que fui diretora da Educativa FM (1999-2003) fiquei avaliando melhor a qualidade dos compositores e cantores alagoanos. Mas sempre me ressenti da nossa pouca "tietagem" à prata da casa. É isso mesmo. Acho que nossos talentos mereciam mais "confete", festa, divulgação, público, tudo o que tem direito...

Ontem me deparei com outro talento alagoano, que tem um público conquistado em dez anos de trabalho, passeando do jazz à bossa nova, do rock à MPB. Fernanda Guimarães já é um nome conhecido nessa terra, mas merece muito mais ser festejada pelos alagoanos, antes que, a exemplo de tantos artistas da terra, acabe sendo reconhecida e "descoberta" em outras praças.

Uma voz suave e forte, intérprete segura e compositora talentosa, Fernanda Guimarães lança hoje o primeiro CD, Verbo Livre, no Centro de Convenções, 20 h. Vale a pena conferir, comprar o trabalho, que vai ser vendido nas lojas "Mãos de Mestre" e "tietar" à vontade, ela merece!

Por falar nisso, uma pergunta que fizeram à estagiária da equipe merece ser repetida para todos que moram nessa terra de Zumbi dos Palmares: quantos CDs de compositores alagoanos voce tem na sua discoteca? E não vale dizer só Djavan...

Foto: Dani (estagiária de jornalismo)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Professores são convidados a se "apaixonar" pelo sertão

"O sertão contagia". A afirmação foi da diretora do campus Sertão, professora Edméia Nunes, durante a abertura da semana de inserção dos novos docentes, iniciada neste segunda-feira, 1, na biblioteca da Ufal.

A reitora da Ufal, Ana Dayse Dorea, também destacou que a construção do campus Sertão é uma satisfação pessoal. “Como sertaneja, sei das dificuldades que enfrentei para cursar a universidade em Maceió. Eram dez horas de ônibus do sertão até a capital, e quando o rio Ipanema enchia, era preciso atravessá-lo de canoa, para pegar o transporte do outro lado”, lembrou a reitora.

Outra sertaneja emocionado com o início do funcionamento do campus em Delmiro Gouveia é a professora Elza Maria, , coordenadora de Cursos de Graduação. “Também sou sertaneja. Assim como a reitora, fiz um grande esforço para cursar a universidade na capital. Mas muitos amigos ficaram no interior sem essa possibilidade. Por isso, a interiorização da Ufal representa tanto”, disse Elza.

Muitas mudanças e muitas expectativas

Entre os quase quarenta docentes aprovados em concurso para o campus Sertão, muitos vieram de outros Estados, outros são formados pela Ufal e agora se preparam para um novo momento de suas carreiras profissionais.

Ligia dos Santos Ferreira, formada em Filosofia, com mestrado e doutorado em Letras, está entre os docentes que tem uma trajetória acadêmica ligada à Ufal. Ligia tem inclusive alguma experiência como docente na instituição, já que estava atuando como professora substituta, sem vínculo efetivo. “Agora é diferente. Aprovada em concurso, passo a fazer parte do quadro efetivo da Ufal. Ir para o sertão é mais um desafio. Espero colaborar com a formação dos estudantes, mas também ser participativos na hora de buscar melhorias”, disse Ligia. Ela está buscando casa para morar em Delmiro Gouveia, e vai iniciar a docência em uma condição especial, já que está grávida de três meses do primeiro filho. “Vai nascer um sertanejo”, comemorou a professora.

Mudança radical também para a professora Ana Cristina Conceição Santos, formada em pedagogia pela Uneb, mas com mestrado em Educação pela Ufal. “Eu atuava como professora das redes municipal e estadual em Salvador. Sempre morei no litoral, em uma capital de grande porte. Agora estou me preparando para atuar na universidade, numa região muito diferente da que estou acostumada”, relatou Ana Cristina.

Mas apesar de alterações no ritmo de vida, a professora Ana Cristina estava animada e fez questão de reafirmar o compromisso com uma educação transformadora, além de ressaltar a grande oportunidade de colaborar com a expansão da universidade. “Além disso, se eu sentir saudades da Bahia, a cidade de Paulo Afonso está ali perto”, brincou a professora.

Atraso nas obras não vai adiar o início das aulas

Apesar do atraso nas obras, segundo a reitora provocado, entre outro motivos, pelas dificuldades do terreno, as aulas serão iniciadas no dia 15 de março, temporariamente utilizando as instalações de uma escola estadual. "Não é justo adiar o ano letivo dos 320 alunos aprovados no primeiro vestibular do campus Sertão", disse a reitora.

Ele contou também que a empresa construtora está enfrentando mais dificuldades do que o previsto. "O terreno é todo de pedra, e está sendo dinamitado para colocar as fundações do campus", disse Ana Dayse aos novos docentes.

Leia a matéria completa no site da Ufal