quarta-feira, 27 de julho de 2011

Meu pai e meu filho...

Parece uma cena comum, singela, sem grandes histórias... ledo engano! Existe uma grande jornada a ser narrada, até chegar a este momento: meu pai comemorando o dia dos avós, de mãos dadas com meu filho.

A história toda eu não vou contar agora, mas esta imagem só é possível porque houve a superação de ódios, medo, conflitos... houve amor e perdão suficientes para deixar para trás momentos ruins e recuperar uma relação familiar que parecia perdida...

E para coroar tudo isso, toda essa capacidade de renovação da vida, quando a gente acredita nela, veio Ernesto. Lindo, doce, levado, cheio de energia... à lembrar que cada dia é uma celebração!

Um exemplo de superação

Diante de tantas notícias escabrosas, envolvendo jovens, que por falta de alternativas acabam se envolvendo em crimes, precisamos valorizar mais o exemplo de pessoas, que têm uma origem pobre, mas souberam aproveitar as oportunidades que a vida concedeu e fizeram o seu melhor.

Este ano, na Ufal, em uma das matérias sobre Educação a Distância, conheci Rafael André de Barros, mestrando em Educação da Ufal. O jobem de 28 anos ilustra bem as oportunidades que são agarradas com força por quem deseja estudar, mesmo enfrentando adversidades. Ele cresceu no Jacintinho, um dos bairros mais populosos de Maceió e onde a maioria dos moradores é de classe média baixa ou vive abaixo da linha de pobreza. Filho de família pobre, Rafael precisou trabalhar desde cedo no comércio local, como ambulante, vendendo capas para celular.

Rafael cursou o ensino fundamental em escola pública do bairro, mas não teve condições de avançar para o ensino médio. “Nas horas de menor movimento, eu colocava o mostruário de lado e começava a ler um livro, ali mesmo na avenida”, conta Rafael. Foi numa dessas leituras que o jovem chamou a atenção de um empresário, que o ajudou a conseguir um emprego como frentista de posto.

Com um emprego melhor e acesso ao computador do posto, Rafael fez o provão do supletivo e obteve o diploma do ensino médio, já depois de ter sido aprovado no vestibular do curso piloto de Administração à distância, em 2006, na Ufal e começou a cursar em 2007. “Eu trabalhava de madrugada no posto, dormia um pouco e depois seguia para a universidade, onde comecei a me envolver com projetos de iniciação científica e bolsa trabalho”, contou o universitário.

Com o tempo, Rafael André deixou o trabalho no posto e se dedicou integralmente às atividades acadêmicas. “Existem muitas oportunidades na universidade para quem se dedica e quer estudar”, disse o universitário.

No final de 2010, Rafael André se formou em Administração, e já tinha sido aprovado no Programa de Pós-graduação em Educação da Ufal. “Tudo foi muito rápido, e quando eu penso na minha vida, lembro de amigos de infância tão capazes quanto eu, mas que se perderam no tráfico ou esgotados em subempregos, por falta de oportunidades”, comenta emocionado o mestrando.

Rafael faz questão de dizer que a Educação a Distância foi uma grande oportunidade de mobilidade social. “Eu saí da periferia do Jacintinho para estudar na Universidade Federal de Alagoas. A EaD salvou a minha vida”, diz Rafael entusiasmado.