domingo, 30 de outubro de 2011

Perfeito

Existem momentos perfeitos
A música certa
O silêncio exato
A carícia suave e profunda
Que toca o corpo e a alma

Existem momentos que,
Se não virarem poesia,
Podem explodir dentro da gente

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A mulher contemporânea e suas "máscaras"



Joan Rivière, psicanalista inglesa que atuou na primeira metade do século passado, escreveu uma obra que é referência para o estudo dos conflitos da mulher contemporânea. Em “Feminilidade como Máscara”, de 1929, ela avalia como as mulheres, conquistando competências até então tipicamente masculinas, assumem uma “máscara” de feminilidade, que serve, de certo modo, como proteção contra possíveis retaliações masculinas.

Trazendo esses conceitos para a realidade cultural brasileira, a psicóloga Mirian Maranhão acompanhou, durante o Mestrado realizado na Unisinos, em 2008, um grupo terapêutico feminino na cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul. “Eram mulheres ligadas à economia agrícola da região, numa sociedade tão machista quanto a nordestina e que, após cuidarem dos maridos e filhos durante anos, redescobriam a própria identidade, após uma separação, ou a morte do marido, ou qualquer outro acontecimento que as levaram a reavaliarem a vida”, conta a pesquisadora.

Os encontros semanais duravam cerca de 40 minutos e eram campo de estágio das estudantes de Psicologia da Unisinos. “Eu acompanhei o grupo terapêutico como observadora, sem interferir no processo, mas avaliando como experiência prática, o referencial teórico de Freud e Lacan, para analisar como as mulheres vivem entre 'faltas' e aprendem a lidar com elas”, explicou Mirian.

Durante este acompanhamento a psicóloga ouviu relatos marcantes de mulheres que anularam a própria individualidade durante o casamento e, naquela oportunidade, buscavam recuperar o que faltava, como um emprego, ou uma expressão artística, ou mesmo a integração em um novo grupo de convivência, onde reencontravam a segurança psíquica necessária para recomeçar.

O livro

As análises teóricas sobre o drama dessas mulheres, que foram a base da dissertação de Mestrado da professora de Psicologia da Ufal, Mirian Tenório Maranhão, foram compiladas em um livro, intitulado “Feminino, Arte e Revolução: um aporte psicanalítico”.

Na introdução, a professora apresenta a proposta do trabalho: “Ao se propor uma reflexão acerca da construção da feminilidade, a partir dos paradigmas da contemporaneidade, percebe-se que o mundo atual oferece diversas vertentes através das quais as mulheres podem construir o seu modo de ser mulher, a sua própria inscrição de feminino”. Nessa construção, segundo a pesquisa, a arte e seu caráter revolucionário tem um papel fundamental.

O livro será lançado no dia 26 de outubro, às 19h, no Centro de Convenções, durante a V Bienal Internacional do Livro. “Será uma noite de lançamentos na área de Psicologia. Além do meu livro, a professora Eliane Leitão e outros professores da Ufal vão apresentar seus trabalhos. Esperamos que a comunidade acadêmica e os psicólogos compareçam”, convida a professora Mirian Maranhão.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Instituto de Física participa de projeto nacional contra o câncer de pele

Uma pesquisa sediada na USP de São Carlos, coordenada pelo professor Vanderlei Begnato, está desenvolvendo uma tecnologia totalmente nacional para o diagnóstico e tratamento do câncer de pele, em estágio inicial, com menor custo e muita eficiência. As drogas e equipamentos estão sendo produzidos por empresas brasileiras. A pesquisa foi aprovada em dezembro de 2009 e vai reunir 100 centros de pesquisa no país. O da Ufal, que vai funcionar no HU, será o único do Nordeste e será coordenado pela professora Maria Tereza de Araújo, do Instituto de Física.

“Durante mais de um ano, trabalhamos para ajustar e certificar os equipamentos e as drogas, produzidos aqui no país, junto à Anvisa. Agora podemos começar a fase de diagnóstico e tratamento com terapia fotodinâmica”, ressalta a professora. O projeto, fomentado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), é interdisciplinar e envolve uma equipe formada por físicos, médicos e enfermeiros.

“Entrei em contato com este grupo quando fiz pós-doutorado em São Carlos. Diante da importância social deste projeto, que vai acompanhar mais de oito mil pacientes em todo o Brasil, apresentei imediatamente a proposta de incluir a Ufal nesta pesquisa”, relatou a coordenadora.

A professora Maria Tereza destaca que a incidência de câncer de pele na região nordeste é muito alta, provocada pela forte irradiação da luz solar nessa região. “Muitas pessoas trabalham expostas ao sol sem a devida proteção. Por isso, é importante desenvolver um programa de diagnóstico precoce e tratamento de pequenas lesões, de forma rápida, eficiente e com custos mais baixos. Essas são as novidades desta pesquisa”, explica a professora.

A equipe que vai atuar no Hospital Universitário já foi selecionada. Além da professora Maria Tereza de Araujo, doutora em Física e coordenadora do projeto, participam o doutorando em Física, Francisco de Assis Martins Gomes Rêgo Filho, e a equipe clínica, formada pelo dermatologista responsável, Dr. Everson José dos Santos Leite, as dermatologistas Maria do Socorro Ventura, Raquel Patriota e Kathia Monielly Tenório Nunes, e ainda pela técnica em Enfermagem, Elma Cássia de Souza Silva Zechinatto.

Os envolvidos no projeto de pesquisa não vão receber remuneração por esse trabalho. Será um novo conhecimento adquirido pela equipe, com uma tecnologia e um protocolo de tratamento totalmente nacionais”, diz a coordenadora. Ela ressalta ainda que a pesquisa está sendo analisada pelo comitê de Ética em Pesquisa da Ufal. “Como é um procedimento novo, com pacientes, é preciso um acompanhamento rigoroso de todo o processo”, ressaltou Maria Tereza. Ela informou ainda que o laboratório do HU será utilizado em horários específicos, para não tumultuar as rotinas do Hospital.

Em Alagoas, serão selecionados 80 pacientes. Eles precisam ter um tipo específico de câncer de pele, o carcinoma basocelular, que é o câncer da pele mais frequente, representando cerca de 70% de todos os tipos, com uma lesão que ainda não tenha ultrapassado 2 cm de raio. “Isso porque o equipamento emite uma luz específica, que é eficiente apenas em casos iniciais, onde o tratamento ainda pode ter uma resposta rápida”, diz a Física.

Pelas experiências feitas em São Carlos, o tratamento é eficiente nesse estágio, com 90% de cura, sem raspagem, sem queimar a lesão, sem deixar cicatrizes. Não é preciso nem internação. O paciente se submete ao tratamento e volta para casa. “É uma técnica com fluorescência óptica e terapia fotodinâmica, simples e eficiente”, ressalta a coordenadora.

Além do alcance social do projeto, que vai beneficiar oito mil pacientes no Brasil, sendo 80 em Alagoas, a pesquisadora destaca a importância científica para estabelecer uma técnica de tratamento que permite barateamento de custos num tratamento de alta demanda no país e um intercâmbio fundamental entre as ciências exatas e da saúde para o desenvolvimento de pesquisas em âmbito nacional.

“Esperamos que este projeto contribua de forma significativa para a diminuição da incidência de câncer basocelular em nosso país, oferecendo um tratamento que está dentro da realidade econômica brasileira e pode ser utilizando no Sistema Único de Saúde”, conclui a pesquisadora.





Veja vídeo sobre os detalhes do tratamento