sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Que venha 2011...

5Último dia do ano... último dia de férias...

Embora seja só uma data no calendário, não tem como fugir ao contágio desse espírito de renovação.

As retrospectivas nos remetem à uma avaliação pessoal também. O que fizemos, o que deixamos de fazer, quais são os novos projetos, as coisas que precisam melhorar?

2010 foi um ano muito bom pra mim. Um ano de reconstrução, de superar feridas profundas que foram abertas em 2009. O balanço é positivo. Eu fui feliz em 2010, especialmente do dia das mães para cá. Quero ser mais feliz ainda em 2011!

A vida é generosa comigo e eu quero agradecer me tornando uma pessoa melhor, superando meus medos, deixando o amor crescer em mim sem sustos.

Alguém disse que eu sou forte, corajosa e determinada. Eu quero ser isso tudo. Mas para aprender a viver intensamente tudo o que a vida nos trouxe!
Feliz 2011, com saúde, paz e amor!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mais um poeminha de amor

Sobre o amor

O amor não realizado
vira poesia
O amor platônico
sempre é poesia
O amor romântico
inspira os mais belos poemas
Sofrer por amor
pode ser tema de samba-canção
Saudade e melancolia
curam-se com poesia
A dor da rejeição
só a poesia alivia
Por isso há tanta poesia
Só o raro encontro de amor
recíproco, vivenciado e pleno
Não carece de palavras
e ninguém sabe
onde acontece

imagem do Portable Network Graphics

sábado, 25 de dezembro de 2010

fluindo...

Poeminha que escrevi tem muitos anos e reencontrei nas gavetas.

Quantas vezes
encontrar o que procuro
e tantas vezes escapar das minhas mãos
Eu não sei me agarrar às coisas
Elas giram livres a minha volta
como as pessoas
vem e vão

foto: desenho de luz do aikido

Neste Natal...

Neste Natal eu ganhei e perdi...

Ganhei em autoconhecimento e em resignação com as situações da vida que não podemos controlar. Momentos que precisamos encarar com paciência e coragem

Perdi, porque não é fácil encarar as próprias limitações e descobrir que apesar de ter vivido uma vida inteira, ainda tenho muito o que aprender...

A nossa felicidade não pode depender dos outros, essa é uma lição dificil. Cada pessoa é um universo único e deve ser vista nessa grandeza. Por isso, como dizem os orientais, "o deus que há em mim saúda o deus que há em voce".

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Vá tomar no cu!

É isso mesmo... é esse palavrão chocante que eu quis dizer...

Sou uma jovem quarentona, mãe de um filho e que foi educada em casa e no colégio católico a não dizer palavras feias e não expressar raiva... é vulgar para uma mulher, é o que me explicaram... Já homem, no trânsito, no futebol e na mesa de bar, pode falar a merda que quiser...

Acontece que eu fico puta com falso moralismo!

Esse tipo de gente que aponta o dedo podre para apontar o menor deslize dos outros. E hoje tem mil recursos para essas figuras que não tem o que fazer. Claro, ao invés de fofocar na praça ou gastar horas ao telefone, é só postar no youtube...

A coisa se reproduz, ganha outras dimensões, até que uma simples brincadeira, com um tom sexual, se tranforma no escândalo do ano. Ahhh, vá a puta que te pariu, né!

Eu não vou me dar ao trabalho de explicar sobre o que estou falando, porque a associação vai ser fácil. Se não for ao caso específico a que me refiro, a bronca serve para qualquer um parecido. Conselho: vá cuidar da sua vida!

Além do mais, minha amiga, a vítima do constrangimento eletrônico só porque fez uma brincadeira com referências sexuais antes de iniciar o trabalho, é uma mulher linda, inteligente e talentosa e está bem acima dessa moralzinha medíocre...

Vou dizer uma coisa para vocês. Tem uma palavra muita mais feia e perigosa que todos esses palavrões que eu coloquei nesse post: INVEJA

Só para lembrar que mulheres "educadas" podem sair da linha de vez em quando rsrs Eliana cantando "Vá tomar no cu"

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tenho um presente para agradecer...

Neste dia das crianças e da padroeira do Brasil, eu tenho um presente para agradecer: Ernesto

Ernesto é um menino lindo que encanta a minha vida à 4 anos e sete meses. Ele foi um presente especial desde o início. Apesar da gravidez nas vésperas dos 40 anos, tive uma gestação tranquila, com trabalho e hidroginástica até a semana do parto. Nada de pressão alta, diabetes gestacional e essas coisas que assustam as grávidas, principalmente as mais maduras...

Depois ele nasceu de um parto normal, rápido. Entrei na sala 6 h, quarenta minutos depois Ernesto estava comigo, e já foi logo mamando. Isso parecia o básico, mas depois de conversar com amigas que tiveram sérios problemas para amamentar seus filhos, eu vi que sou uma privilegiada!


A única doença que Ernesto teve até hoje foi uma tal de roséola que não pareceu muito assustadora. E que Santa Terezinha de Lisieux, que é minha cúmplice com relação à Ernesto, continue a protegê-lo para que essa saúde toda só se fortaleça!

É claro que tanta energia tem seu preço: eu tenho que me virar para correr atrás! Mas eu dou conta, com muito prazer. Ernesto mamou muito, tem tom de voz alto, adora pular em cima de mim e faz mil perguntas por hora. Mas é assim que eu quero!

Depois, veio um momento difícil, com a separação do pai dele. Tem sempre aquela preocupação que isso afete a criança. Mas Ernesto se adapta rápido. Adorou aprender sobre o sábado do papai e o sábado da mamãe. Gosta de ter um quarto em cada casa, com brinquedos e novidades! Aceitou muito bem quando o pai dele iniciou um novo relacionamento e até veio me perguntar se podia gostar da nova tia. "Claro que pode, meu bem", eu disse para aliviá-lo do problema.


Agora, é só viver um dia de cada vez... cada dia uma dádiva... cada dia um agradecimento... Ernesto é o meu milagre. Meu presente divino!

É isso, o dia é das crianças, mas o presente é meu! Obrigada Pai! Obrigada Ernesto

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Daniel e as Libras


O professor de linguagem brasileira de sinais (libras), Daniel Paes, da Faculdade de Letras da Ufal, ganhou os três primeiros lugares no concurso de fotografias promovido pela Fusió d'Arts, em Benissanó, localizado em Valencia, Espanha. Com suas mãos expressivas, Daniel criou forma e conteúdo, para expressar a importância das libras.

“A Fusió d'Arts é uma associação e empresa cultural que luta contra as barreiras sociais. Ela promove eventos vários para reunir surdos, ouvintes, surdocegos, etc no sentido de facultar a todos o direito de viver em sociedade sem preconceitos ou qualquer tipo de obstáculo”, explica Daniel, que ficou bastante emocionado com o reconhecimento.

O concurso de fotografias para surdos e ouvintes, foi o primeiro realizado pela associação e foi divulgado por toda comunidade Valenciana e toda a Espanha. Foram 30 participantes, cada um com cinco fotos (reunindo 150 fotos) que tiveram como lema comum: “Nuestras manos expresan” (Nossas mãos se expressam).

Cada foto foi acompanhada com um texto em espanhol descrevendo o motivo, a inspiração para dar vida as formas feitas pelas mãos. “Participei com cincos fotos e três delas foram premiadas. Minhas mãos viajaram para romper as barreiras sociais, também internacionais”, comemora o professor.

Em fevereiro de 2011, as fotos premiadas serão expostas no Castillo de Benissanó, em Valencia, que reúne cerca de 70 artistas. “Eu fiquei feliz porque fui o único estrangeiro a participar do concurso e minhas mãos fizeram algum sentido que eles consideraram importante. Foi muito gratificante o reconhecimento”, expressa o professor de Libras.

Veja a matéria publicada no site da Ufal

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Uma rosa...

Uma rosa que estava tão vermelha, viçosa, feliz...
Irradiava vida por cada pétala.

Foi colhida, presunçosa e orgulhosa diante de tantos olhares e entregue como demonstração pública de uma paixão esfuziante...

Palavras que ressoaram no universo foram pronunciadas: "minha vida", "meu amor", "meu sol", "minha lua"... "amor vim te buscar em pensamento..."

Mas, de repente, vem o corte, a dor, a falta de luz...


Nada resta à rosa, senão murchar devagar, sem ódio, amando...

Morre a rosa, como um sonho que é arrancado do peito, numa noite de lua tão bonita que chegava a agredir aos olhos, tristes com tanta beleza não vivida, com tantos planos agora sem perspectiva de realização...

Morre por falta de esperança, o necessário adubo da alma...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Muito tempo livre não ajuda


Estava com saudade de alimentar meu blog, mas não encontrei muita motivação e não foi por falta de tempo, pelo contrário, foi por excesso de sedentarismo. Muito tempo livre não colabora com a organização das idéias.

Mas não faltaram assuntos para comentar nesses dias. Antes mesmo de fazer a minha cirurgia e ficar de "molho" em casa, fiz algumas matérias sobre a devastação provocada pela enchente em Alagoas e fiquei espantada com a destruição, assim como comovida com a mobilização solidária. Daria para ter escrito vários posts, que ficaram só na memória.Fiquei acompanhando tudo pelos sites e pela TV, inclusive à ótima cobertura dos meus colegas sobre os vários aspectos dessa tragédia.

Já a eliminação do Brasil na Copa me pegou num dia em que as minhas preocupações estavam voltadas para a minha própria recuperação, então, que a seleção fique pra lá (ou pelo menos foi essa a reação para ficar menos desapontada).

Esses dias de licença-médica, sem poder nem ficar com meu filho por perto, me especializei em filmes e telejornalismo. Assisti a tantos filmes que os roteiros se misturaram na minha cabeça, mas alguns são especiais e deixam impressões mais fortes, como "Coisas que perdemos pelo caminho", com Benício del Toro fazendo o papel de um viciado em heroína, que tem a sorte de ter muito bons amigos; "A noiva cadáver", animação tenebrosa e bem produzida de Tim Burton, "Guerra ao Terror" e tantos outros. Aliás, estes dias o Telecine foi meu parceiro.

No telejornalismo, o sórdido, bárbaro, chocante e todos os adjetivos que expressem indignação para se referir ao assassinato de Eliza Samúdio e tudo o mais que cerca a vida desta criatura, me deixaram estupefada. Parece que não há limites para a selvageria de alguns seres humanos! Tudo porque o goleiro queria "defender" o que perdeu: a torcida, a liberdade, a possibilidade de crescer na carreira e ganhar ainda mais dinheiro! Seria mais simples pagar a pensão, ao invés de cometer um crime tão atroz que nem a ficção seria capaz de produzir.

Mas nem tudo foi "terror" nesses dias de recuperação pós-cirúrgica. Também fui com cuidado ao cinema assistir a Eclipse na sessão da tarde, no meio da semana, sem fila e sem tumulto, coisa que não poderia fazer na rotina de dez horas de trabalho por dia. E ainda tive tempo de baixar toda a trilha sonora do filme, porque é muito bem selecionada e eu sou mesmo fá da saga e de Stephenie Meyer.

Nas últimas horas também tenho seguindo no twitter à blogueira cubana, Yoani Sanchez. Ela está mobilizada, em Cuba, pela libertação de presos políticos. De tempos em tempos, ela expressa a agonia com a greve de fome de alguns dissidentes para pressionar pela libertação deles, e fala de Coco Farinhas que está internado em um hospital de Santa Clara. Yoani foi visitá-lo e percorreu os 270 km de Havana a Santa Clara manifestando a preocupação de ser interceptada na estrada. As mensagens na internet são como os olhos do mundo que a protegem e que ela chama de "San Kilobyte".

terça-feira, 15 de junho de 2010

A vida de copa em copa

Chegando ao trabalho para cumprir a missão do dia em pleno horário do jogo do Brasil, comecei a fazer um exercício de memória sobre o que eu estava fazendo nas últimas copas. Essa, decididamente, é a primeira vez que estou trabalhando durante um jogo da seleção.

Ernesto queria torcer comigo, saiu da escolinha todo de verde e amarelo. Por sorte, ele cochilou depois do almoço e eu saí de mansinho para trabalhar...
Na copa de 2006, eu estava de licença-maternidade. Ernesto estava completando dois meses. Vesti meu bebezinho lindo de verde e amarelo e fui assistir aos jogos na casa de parentes, tentando protegê-lo do barulho dos fogos. Mas, coitado, de vez em quando eu assustava o pequeno com um grito de gol. Na verdade, para mim, a grande estrela dessa copa, foi Ernesto!

Em 2002, foi aquela copa do fuso horário mais maluco, na Coréia e Japão. Lembro que alguns dos jogos foram reuniões animadas durante o café da manhã. Teve jogo que eu assisti sozinha, em casa, durante a madrugada, e depois voltava a dormir...

A copa de 1998, que foi na França, não deve ter tido a menor graça para mim. Porque eu estou tentando lembrar de um jogo e não consigo. Tudo o que eu me lembro desse período, foi a sequência de matérias policiais de repercussão, bem no meu início de carreira como repórter de TV: comecei em 1996, com PC Farias, 1997, teve a gangue fardada e em 1998, a CPI do narcotráfico. Não é à toa que não sobrou espaço para registrar o futebol.

A copa de 1994, eu era da direção do PT em Alagoas. Estava coordenando a campanha de Lula e os jogos para mim eram mais um motivo para encontrar a militância e fazer festa. Mas lembro de ter torcido muito, de ter assistido a alguns jogos na casa do Paulão, que na época morava em Cruz das Almas, e no dia da vitória, fui para uma festa animadérrima na orla e um desconhecido me agarrou gritando "vai que é tua, Taffarel !". Depois dessa, fui para casa, rindo...

A copa de 1990, eu morava no sul da Bahia. Tenho certeza que nesse ano, eu nem lembrei que era copa!

Já a copa de 1986, o que eu mais lembro foi de ter tido dengue. Logo depois de assistir a um jogo na casa de Celso, numa sexta-feira, com a turma da faculdade, voltei para o DCE, porque na época não tinha residência universitária (eu ocupei no ano seguinte, com a minha turma, o local onde agora é a RUA), e caí semimorta no colchonete. Acordei na segunda-feira, morrendo de dor e febre, com a Claúdia Amaral me salvando. Valeu, foi ela quem me salvou!!!

A copa de 1982, eu era adolescente. É a que mais lembro de ter vivido cada jogo, anotado tudo na tabela, lembro de saber detalhes sobre a formação dos times, acompanhar históricos. Discutia tudo com meu pai. Foi uma maravilha! A melhor copa do mundo na minha memória, a melhor seleção, e só não foi melhor, porque perdemos para a Itália. Eu odiei Paulo Rossi e passei muito tempo sem querer conversa com italianos!

A copa de 1978, foi a primeira que passei em Alagoas. Lembro que morava na Avenida Luiz Rizzo, no Farol, e assistia aos jogos com uma turma muito animada, meus novos amigos. A de 1974, não lembro de nada! Eu era criança, que eu me lembre, já era corinthiana, morava em Santos, mas não lembro dos jogos do Brasil.

Mas a de 1970, eu lembro! Eu tinha apenas três anos, mas lembro claramente de estar no banco traseiro do fusca do meu pai, na avenida principal do Jardim Casqueiro, em Cubatão, chorando, sem entender aquele fuzuê, aquele buzinaço, meu pai eufórico, as pessoas gritando nas ruas, todo mundo soltando rojões!!! Eu só lembro de chorar sem entender a confusão toda! Anos depois, soube que o Brasil ganhou a copa, era tricampeão e o Pelé era um rei!!!

A copa anterior, eu estava nascendo... nasci em ano de copa, e Ernesto também...

fotos: (1) Na redação da TV, torcida organizada (2) Na copa de 2006, Ernesto ia fazer 2 meses (3) copa de 1970

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda?


A letra dessa música, interpretada por Roberto Carlos, não me saia da cabeça enquanto eu fechava uma matéria para colocar no site da Ufal, sobre um projeto desenvolvido pelas nutricionistas da Ufal para orientar as pessoas a eliminarem o consumo de gordura trans.

"Pescando” no Google fotos para ilustrar a matéria, é que eu fui ficando mais preocupada. Tudo gostoso. Tudo de encher os olhos. Eu, que sou viciada em biscoitos recheados, adoro batatas fritas de saquinho e não resisto a um sorvete, comecei a pensar: “ihhh, eu estou entupida de gordura trans!”.

A sorte é que pratico atividades físicas com frequência e também tento equilibrar a alimentação com frutas, verduras, legumes e o bom arroz integral. Mas, lendo informações sobre o assunto, diante do fato de que não se deve consumir mais do 1% de gordura trans por dia, e me deparando com afirmações mais radicais, do tipo: “a gordura trans não deveria ser consumida nunca!”, sei não, acho que estou muito longe de uma alimentação saudável.

Mais difícil ainda pensar nos filhos que já crescem, como eu cresci, enchendo os olhos com os pacotinhos coloridos das estantes dos supermercados. Bom, mas nestas horas, não tem como fugir à reflexão. Temos, pelo menos, que tentar equilibrar as coisas. Vamos às frutas e legumes, gente!!!

Veja mais detalhes na matéria publicada no site da Ufal

Foto do site Palavra de Médico

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A hora de deixar a luz do sol entrar...

Tá certo... já chega de lamentações, medos, inseguranças, desconfianças, etc etc etc... Está na hora de abrir todas as janelas e deixar entrar o vento e a luz do sol, com a energia revitalizadora que faz sarar as feridas e renova a vontade de viver e ser feliz...

A vida é generosa comigo e, apesar dos erros e vacilações, sempre me ofereceu novas oportunidades de aprender e recomeçar... E agora me presenteia com um reencontro intenso e iluminado. Seria tolice deixar que os fantasmas das feridas passadas fossem mais fortes do que essa história que pede passagem para se construir...

Não, a vida é mais forte! É como a letra de uma música religiosa que recebi hoje de mãos especiais: "O amor é bálsamo na triste lida, o amor é mais, também é paz, o amor é vida". Então, com fé, vamos seguir adiante...

Chegamos ao dez de copas! Não é uma final feliz, porque é um começo... a vida tem seus desafios, mas também sabe recompensar a quem tem um coração sincero.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Aqui estamos no arcano da separação...

Uma lição da mitologia, reproduzida nas cartas do tarot. Eros e Psique se amam e se casam. Psique era mortal, limitada por sua própria condição. Mas Eros era um deus, perfeito e superior. Por isso, o casamento tinha uma regra: Psique não poderia olhar o rosto do amado. No castelo erguido para viverem esse amor, Eros chegava sempre que anoitecia e as lâmpadas estavam todas apagadas...

Psique tentou se adaptar a essa rotina na escuridão, mas um dia, ao receber a visita de suas irmãs, foi convencida de que não poderia continuar assim e deveria confrontar o amado. Nesta noite, ela preparou uma lamparina e quando Eros chegou, iluminou o rosto dele. Eros fugiu, enraivecido por ter a confiança traída pela amada. Ela chorou ao perceber quanto o magoara...

Essa é a imagem do cinco de copas. Mas, apesar da dor da separação, analisando bem a carta, vemos que há uma esperança. Fica intacta uma taça, mesmo que as outras estejam caídas, a essência do amor permanece, o que indica a possibilidade de retorno, desde que os dois amadureçam. Eros deve aceitar as limitações de Psique. Psique deve aprender a confiar no marido imortal...

Na sequência do tarot, eles ainda passam por alguns obstáculos, mas depois se reencontram e se amam com mais profundidade, conhecendo melhor um ao outro, sem escuridões...

domingo, 16 de maio de 2010

O ofício de esperar...

Um encontro é feito de muitas solidões, pensei eu essa semana, porque quando voce espera alguém, a vida parece que fica em suspenso... por mais concentração que se tenha nas tarefas diárias, uma expectativa sempre preenche todos os espaços, às vezes tranquila, às vezes aguda, urgente... até mesmo dolorosa...

É impressionante encontrar uma pessoa repentinamente e sentir como se já a conhecesse há séculos. Mas ao mesmo tempo, existe uma lacuna de existência, um desconhecimento de tanta coisa que aconteceu nessa vida... o que fazer? Esperar que essas energias de conhecimento e ignorância se equilibrem...

E para quem esperou um período indefinido, agora é preciso esperar que o reencontro amadureça em seu tempo, sem ser atropelado pela ansiedade, pela insegurança, pelo medo de uma nova separação...

Não é fácil, é uma tarefa árdua essa de esperar...

foto do http://carlossimo.arteblog.com.br/148798/Sala-de-espera/

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Isso não acontece todo dia


Adoro quando a Pink Dink Doo, personagem do desenho de Jim Jinkins, pronuncia entusiasmada essa frase sempre que se depara com algo raro, extraordinário. "Isso não acontece todo dia"!!!

Meu dia ontem foi assim, surpreendente. Primeiro, uma matéria na qual eu não apostava muito, mas que rendeu um momento bem inesperado. Na verdade, eu não colocava a menor fé na bomba de Maragogi. Um artefato da 2ª guerra mundial, que estava enterrado há anos na área urbana do município e que nunca assustou ninguém.

Quando a tal bomba foi localizada durante escavações de uma obra de saneamento, algumas pessoas acreditaram que se tratava de uma botija com moedas antigas, e cairam de marteladas e picaretadas no artefato bélico...

Eu viajei para Maragogi pensando no sentido que teria filmar aquela bola enferrujada e acabada. Mas a "coisa" estava muito viva. A operação toda da polícia para deslocar a bomba para uma área menos habitada e detoná-la, rendeu boas imagens, mas nem mesmo nesse momento, eu acreditei que a bomba metia medo.

Gravei passagens perto da bomba, pedi para a equipe ultrapassar o comboio para pegar mais imagens, briguei com o policiamento para nos deixar ficar mais perto durante a instalação do detonador... Ainda bem que não me deixaram. Quando a bomba explodiu, levantando uma nuvem de estilhaços, areia e fumaça, que chegou perto de onde estávamos, a minha ficha caiu.

Senti medo retardado pelo perigo que havíamos passado e juro que nunca mais brinco com uma bomba sexagenária quando encontrar uma pela frente...

sábado, 8 de maio de 2010

Vassoura: uma tradução literária de uma tragédia que se abateu sobre a região cacaueira da Bahia

texto do editor de A Região
O jornalista Daniel Thame lança no próximo dia 18 de maio, em Itabuna, o livro “Vassoura”, uma série de contos e crônicas que tem como tema a vassoura-de-bruxa, doença que destroçou a economia da Região Cacaueira da Bahia, a partir de sua disseminação no início da década de 90 do século passado. Trata-se de uma obra de ficção, em que a abordagem foca as tragédias pessoais provocadas pela doença, cujo poder de destruição se mostrou letal, e em poucos anos reduziu em quase 90% a produção de cacau e reduziu fortunas a pó.

“A despeito do impacto negativo que provocou na vida de milhares de pessoas, enquanto literatura o tema é fascinante e foi isso que o procurei fazer”, afirma o jornalista, nascido em Olímpia (SP) e radicado em Itabuna desde 1987. Gerente de jornalismo da TV Cabrália e repórter/editor do jornal A Região durante 13 anos, Daniel Thame testemunhou o ocaso de uma região baseada na monocultura do cacau.

“Hoje, testemunho e participo do renascimento dessa mesma região, a partir de uma mudança de mentalidade, que parte de premissa de que já não existe espaço para individualismo e é preciso valorizar o espírito empreendedor e as ações coletivas”, afirma o autor. Ele ressalta ainda que “o a princípio remete a um livro pessimista, é na verdade uma peça de otimismo, que começa no apocalipse final e termina no gênesis do (re)início dos tempos”.

EMOÇÃO E DRAMATICIDADE

“Vassoura”, editado pela Via Litterarum, possui 23 textos em que o autor conta episódios focando dramas pontuais da transição de uma região que perdeu sua referência econômica, fazendo uma analogia com fatos, personagens e/ou cenários bíblicos. Na apresentação do livro, que substitui pelo termo “Recomendação” o jornalista Ramiro Aquino afirma que “Daniel Thame tem, seguramente, um dos melhores textos do jornalismo baiano e brasileiro. E isso fica demonstrado nesta obra, onde, romance e realidade se confundem, num retrato nu e cru, dos estragos causados à região pela vassoura-de-bruxa”.

Responsável pela revisão do livro, o presidente da Câmara Baiana do Livro, Aurélio Schommer, destaca que “os personagens são reais, as histórias são verossímeis, num texto sem floreios, em micro contos diretos, claros, objetivos, sem deixar de passar emoção, dramaticidade, com soluções de final muito boas”. Para Schommer, “na atual literatura baiana, é difícil encontrar a qualidade que Daniel Thame apresenta neste livro”.

O livro “Vassoura” será vendido por 15 reais e pode ser adquirido através do site www.vialiterarum.com.br ou dos telefones (73) 3212-6034 ou (73) 9981-7482.

TRECHO DO LIVRO

“Dias depois, estavam morando juntos, dividindo a mesma cama sob um teto cheio de buracos que, nas lindas noites de verão, podiam contemplar estrelas, distraídos.

A bruxa, que tantas vidas havia tragado, tantas tragédias pessoais e coletivas havia causado, abençoara aquele encontro mais do que improvável.

Virava, ainda que por linhas tortas, uma fada.

E eles que nunca tiveram nada, juntaram o pouco que agora tinham e foram felizes para sempre!”

Trecho de “Irmã Sol, Irmã Lua”, um dos contos do livro

terça-feira, 4 de maio de 2010

A palavra que Aurélio mais gostava...

Disse a viúva de Aurélio, a dona Marina, que das centenas e centenas de palavras que Aurélio Buarque de Holanda definiu, a que ele mais gostava era saudade...

É mesmo uma palavra bonita, mas vem acompanhada de uns sentimentos que o dicionarista pode definir com facilidade, mas são difíceis de carregar no peito, como melancolia, angústia, tristeza...

Ontem, visitando Passo de Camaragibe para fazer a matéria sobre o centenário de nascimento do mestre, fui atacada destas saudades sem explicação alguma, e fiz mas um poeminha abestalhado... Lá vai

Sinto saudades
Não sei mas de que
nem de quem
É uma saudade
de um tempo que eu não lembro
de uma gente que não conheço
de lugares a que nunca fui

Mas a saudade dói
Como se eu estivesse fora do eixo
como se fosse estrangeira nesse lugar

Parece que num lapso de memória
esqueci que sou daqui mesmo
e vivo a suspirar
desprovida da minha história

foto: minha, na estrada de Passo

sábado, 1 de maio de 2010

Poeminha que a Cecília fez para mim...

Claro que é uma tremenda pretensão, mas pego emprestado esse poema para esse momento:

"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."

(Lua adversa - Cecília Meireles)                                imagem do blog

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Poeminha tosco para curar uma mágoa

Era uma ferida aberta
disfarçada por um sorriso
Mas quem poderia saber?
E o toque que seria de cura
sem querer magoou mais ainda

Mas tudo cicatriza
meio torto, meio feio, ainda em brasa
Tudo caminha para algum fim
meio tosco, partido, mal colado

Até que um dia
a beleza da vida se revela de novo
numa manhã orvalhada e leve
em que o peito parece não doer mais

No entanto,
até que chegue essa alvorada de alívio
será preciso atravessar
uma longa e silenciosa noite

Não há como fugir
para sarar de verdade
é preciso sentir a dor

imagem tirada do blog

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mulheres que correm com os lobos...




Estou revisitando este livro de Clarissa Pinkola Estés, que foi lançado em 1992 e eu li a primeira vez dez anos depois, em 2002. Desde então, ele é um companheiro silencioso na estante. Quando eu preciso lembrar algum recado do arquétipo da mulher selvagem eu releio partes...

É um livro bom quando se está vivendo um processo de mudança. As velhas lendas infantis contêm mensagens importantes passadas às gerações, para alertar sobre armadilhas que corremos o risco de cair quando estamos ainda na fase nebulosa de se redescobrir e decidir sobre um novo rumo...

Recados como não se contentar com pouco, ou não tentar colar os cacos de qualquer jeito... "Há algo na alma selvagem que não nos permite sobreviver para sempre com migalhas. Porque na realidade é impossível para uma mulher que luta pela conscientização respirar um pouquinho de ar puro e se contentar com isso só. Lembre-se de quando voce era criança e descobriu que era impossível cometer suicídio prendendo a respiração? Embora voce procure continuar só com um pouquinho de ar ou sem ar nenhum, os seus pulmões parecem gritar, e alguma força impetuosa e imperativa faz com que voce acabe inspirando o máximo de ar possivel. Voce sorve o ar, voce o engole, até voltar a respirar normalmente".

A autora nos lembra que a nossa psique também tem um mecanismo como esses, que nos impulsiona a ir fundo, a querer a vida em plenitude, a querer curar as feridas para caminhar com tranquilidade e alegria... enfim, é preciso não deixar que a rotina nos consuma, para ter forças de buscar a nossa verdade.

sábado, 24 de abril de 2010

Estamos juntos nessa...

Vinte anos se passaram e a saudade volta com uma intensidade como se tivesse sido ontem. Então eu descubro que ela nunca foi embora... Sempre foi um vazio, às vezes mais silencioso, às vezes doloroso como um buraco aberto no peito, sangrando...

Evaldo foi o meu primeiro e grande amor, mas eu nunca disse isso a ele, também, naquele tempo, eu não tinha maturidade para saber, eu só sentia que tudo se iluminava na presença dele, mas como uma adolescente militante de esquerda, achava piegas falar essas coisas...

Tinhamos que falar da revolução, da rebeldia, da coletividade... o amor era um assunto subjetivo demais, nebuloso... eu lembro uma vez que Evaldo veio da Bahia para se reunir comigo sobre os rumos do MCR em Alagoas ( que nunca teve rumo e não passou de um grupelho miúdo de militantes) e colocou em um papel os pontos de pauta. Estavam escritos: organização partidária, célula rural e por último...nós... nós éramos um ponto de pauta...

Tudo bem, nós atropelamos tudo... ele tentou dizer que me amava e eu não entendi, não acreditei. Ele amava tanta gente, amava o mundo... Eu não tinha a menor coragem de dizer que o amava. Parecia possessivo, arrogante... como soa ridículo isso hoje... Hoje eu gritaria EU TE AMO em caixa alta... mas aos 18 anos, eu não sabia fazer isso...

Mas nós andamos tanto juntos, a pé, por esse interior de Alagoas, ou pela Bahia, quilometros andando, conversando, vivendo, enfrentando perigos, sonhando... Tem uma música em especial que me lembra essas caminhadas: "dói de tanto medir a distância, saber que não vou te encontrar além da lembrança..."

Quando ele morreu, aos 28 anos, de um câncer raro no pulmão, no início de 1991, já não éramos mais namorados. Eu tinha desistido de administrar tanto sentimento e tão poucas palavras. Fui eu que disse a ele que seria melhor sermos amigos. Eu namorei outras pessoas, ele namorou também... mas era só nos encontrarmos e eu largava a mão de quem estivesse comigo para correr e abraçá-lo.

Por isso, quando eu fui ao sepultamento, parecia que meu coração estava sendo sepultado junto e aquele peso das palavras não ditas ficaram em mim durante anos... Eu amei outras pessoas, mas esse vazio nunca foi preenchido...

Depois do enterro, a então namorada dele veio falar comigo. Ela me entregou a minha identidade estudantil da Ufal, de 1985, que Evaldo nunca tirou da carteira dele, mesmo com os protestos dela. Eu lembrei do dia em que fizemos a troca dos nossos documentos de estudante, no campus da Ufal, eu fiquei com a dele e ele com a minha... foi uma troca feita em lugar das declarações que não fizemos um ao outro...

Nesses dias em que a saudade voltou tão dolorosa, eu fui atrás de ajuda... temos uma história para resolver e agora sei que isso é possível, e sei também que ele está muito próximo, esperando que eu cresça e seja capaz de superar a dor e a culpa... e sei que podemos nos ajudar e que ainda vamos libertar as palavras trancafiadas. Estamos juntos nessa...

foto 1: a única foto que tenho com Evaldo, assistindo à uma cantoria dos irmãos dele, Dinho e Elder

foto 2: do blog

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O desenvolvimento econômico mudando a paisagem...



Hoje acompanhei a audiência pública para discutir a instalação do Estaleiro Eisa em Coruripe. Mais de duas mil pessoas foram mobilizadas. Gente de vários grupos partidários, organizações sociais e pescadores.


A maioria quer a empresa funcionando na cidade. Todos sabem que isso vai mudar a paisagem daquela região bucólica, mas estão dispostos a enfrentar as consequências.


Vai ser estranho, no horizonte onde só se viam barcos pequenos e jangadas à vela, de repente vislumbrar um enorme navio cargueiro. Mas a necessidade de desenvolvimento econômico fala mais forte. Nessa região de emprego sazonal no corte da cana ou dos desafios da pesca artesanal, as pessoas querem contar com uma mega empresa que vai gerar mais de quatro mil empregos diretos e uns vinte mil empregos indiretos. É muita coisa para uma cidade com poucas opções.


Na verdade, é dificil projetar a dimensão do que vai ser esse estaleiro em Coruripe. Algumas pessoas nem acreditam que isso vai mesmo acontecer. Mas tudo indica que vai mesmo se tornar realidade... Aquela cidade de praias desertas, dunas, pescadores, que nem mesmo tem um grande empreendimento turístico, agora vai fabricar, grandes navios... Dá para visualizar?... Eu só quero ver...


E espero que o controle ambiental seja mesmo efetivo, porque danos vão acontecer, mas é preciso que sejam colocadas em prática as tais políticas de compensação à natureza, que sempre paga o preço mais alto pelo nosso progresso...



foto 1: maquete eletrônica do Eisa Alagoas
foto 2: a bela e bucólica paisagem de Coruripe, foto do site Viagem e Sabor

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Liberdade para os tambores...

Hoje parecia uma tarde perdida no trabalho. Minha primeira pauta caiu. Era sobre um homem que estava denunciando a prisão injusta do irmão dele. Quando eu cheguei lá para apurar, a tal vítima estava cumprindo pena de sete anos pelo assassinato da esposa, conseguiu a liberdade condicional ano passado e simplesmente não compareceu ao fórum nenhuma vez para assinar o livro de controle da Justiça... tinha mais é que ser preso mesmo!

No lugar da pauta frustrada, a produção me mandou entrevistar o comandante do policiamento da capital sobre os assaltos e furtos nos bairros da cidade... um saco, né, porque esse tipo de matéria infelizmente já virou rotina. Quando cheguei ao CPC, encontrei o Betinho, advogado das minorias da OAB. É sempre bom sinal encontrar esse camarada, que conheço desde os tempos em que divulgava os ritmos da cultura afro.

Betinho estava esperando para ser recebido pelo Coronel Mário da Hora, comandante do policiamento da capital, acompanhado por um senhor e uma senhora de cabelos brancos e semblantes tranquilos e por um rapaz que usava lentes de contato azuis.

Fiquei curiosa e perguntei o assunto: garantir a realização de um culto para Ogum, amanhã, dia de São Jorge. E porque a necessidade de pedir ao CPC? Porque  policiais militares de Fernão Velho proibiram Diego e seus seguidores de tocar o tambor. O barulho incomodava aos vizinhos...

Intolerância religiosa sempre rende uma boa história e quando vi que o Diego era o rapaz de lentes de contato azuis, fiquei ainda mais curiosa. Quer dizer que ele já é um babalorixá? O mais novo de Alagoas, com apenas vinte anos, me responderam. Então decidi cobrir o fato e comuniquei à redação.

Alguns detalhes nesta matéria me deixaram muito satisfeita. Um deles foi a entrevista com o Coronel, que fez um discurso em defesa da liberdade de culto religioso e pelo respeito às religiões de matriz africana. Pode parecer a postura básica, mas quem já entrevistou comandantes de policiamento há dez anos, sabe que é uma importante mudança de mentalidade da hierarquia, o que força os comandados pelo menos a ouvir.

Também fiquei feliz com a coragem do jovem babalorixá, que estava nervoso sim, mas defendeu muito bem a sua missão e demonstrou muita seriedade. Sinal de que os rituais se renovam. E por fim, é bom fazer uma matéria que é recebida como uma moção de solidariedade. Quando eu cheguei no pequeno e simples Centro Afro de Fernão Velho, a população das proximidades parou intrigada. Muita gente ali persegue mesmo os praticantes e por isso não entendiam o que a imprensa estava fazendo no local.

Depois de concluir a matéria, fiz questão de abraçar o babalorixá, e as pessoas que estavam com ele, na porta, diante de muitos olhares curiosos e estupefados. Desejei muita paz e coragem para viver a vida como escolheram. Eles estavam felizes e eu também.

Mas preciso confessar que aproveitei para pedir à São Jorge, ou Ogum, que o meu Corinthians arrase no jogo da Libertadores hoje à noite... não custa nada pedir ajuda ao Santo, né?!

Veja a matéria veiculada na TV Pajuçara

terça-feira, 20 de abril de 2010

Um dia longoooo

Um dia longo, muito longo, começa com uma madrugada cheia de sonhos confusos, por causa de recordações remexidas por uma sessão de terapia na noite anterior. Depois, quando o sono começa a encaixar direito, o filho chama às 4h30 e o jeito é sair de vez da cama...

Um dia longo é aquele em que parte de voce está concentrada na rotina e a outra parte segue estranhamente conectada com um mundo invisível, que te envia sensações ainda sem tradução, mas que de alguma forma são familiares...

Um dia longo é aquele que ao invés de ir para casa no final de um dia de muito trabalho, voce resolve dirigir um pouco a esmo e depois perambula perdida em pensamentos, tentando encontrar alguma coisa dentro de si mesma...

E como um dia longo, tinha que terminar de um jeito estranho, voce entra no msn esperando conversar com uma pessoa, que não se conecta, e aparece outra que resolve te contar o que voce foi na vida passada... e aí voce chega à conclusão que é melhor ir para cama, encerrar esse dia esquisito nos braços de Morfeu.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

No escurinho do cinema...


Não fui assistir a Avatar logo quando entrou em cartaz em Maceió, ainda bem, porque ontem tive a oportunidade de ver o filme em 3D, no lançamento da primeira sala de cinema com essa tecnologia aqui na capital alagoana.

Foi incrível ver todas aquelas cores, a floresta, aqueles seres mágicos, se movendo como se pudessem sair da tela a qualquer momento. Realmente, é um recurso que envolve o espectador de uma forma que é impossível não reagir aos movimentos dos personagens...

Sobre o filme, considerei tudo o que disseram sobre ele ( e falaram muito nesse período). Mas, francamente, algumas coisas são bem básicas do cinema americano. É como recontar de várias formas aquele episódio ainda não digerido da história recente dos EUA: a derrota na guerra do Vietnã, na década de 60 do século passado.

Não sei a quantos filmes já assisti, com diferenças, mas o mesmo enredo da grande potência armamentista, derrotada por umas centenas de nativos, armados com a paixão pela terra em que vivem e por uma unidade ideológica que acaba minando a força inimiga.

Outros arquétipos também são encontrados em toda história que fala de uma nação primitiva: sempre tem tambores, religiosidade, uma árvore sagrada, um local para invocar os ancestrais. E são símbolos verdadeiros sim, mas com minha parcela de sangue indígena, eu dúvido que os "caras pálidas", mesmo bem intencionados, possam entender esses ritos como nós os sentimos.

Mesmo assim, adorei o filme... adorei o final em aberto, aliás, com os olhos bem abertos. Não vou entrar em detalhes porque vai que tem mais retardatários que ainda não viram a película... Recomendo, vejam em 3D e deixem as emoções fluirem. É, porque a tecnologia não adianta nada se a sua mente bloqueia essa imersão... Boa parte de todas essas coisas, são recursos da nossa mente, que os computadores ajudam a simular e compartilhar...

No mais, desde os velhos tempos do cinema mudo, a magia da sala escura está em pequenas coisas, muito significativas, como quando alguém especial segura a sua mão na hora da cena mais drámatica ou ter como encostar a cabeça num ombro aconchegante quando a trilha romântica está no ar...

foto: google

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um final feliz?! Bom, ainda não é o final...

Ontem pela manhã, iniciei o dia de trabalho na assessoria da Ufal triste com a informação de mais um menino desaparecido na capital alagoana. A mãe estava desesperada. Passou a noite sem dormir procurando por Ruan, de 9 anos. Ele saiu de casa, depois de uma discussão em que ela acabou batendo nele.

Essas histórias de mães procurando os filhos sempre me deixam com o coração apertado. Fiquei rezando por um desfecho positivo. Quando cheguei à tarde para trabalhar na TV, fiquei feliz com a informação de que o menino havia sido encontrado e estava voltando para casa.

A imprensa ficou mais de uma hora esperando na porta da casa pelo tão esperado abraço de mãe e filho. Mas, na verdade, a cena não foi tão bonita. O menino estava visivelmente constrangido e assustado. Não quis abraçar a mãe e nem fez cena para os jornalistas. Crianças são bem autênticas. Conversei com a familia depois, sem querer me intrometer demais em detalhes que não são da minha conta...

Mas parece que não era nada grave. Só uma crise, um período tenso, que envolve mudanças e separação dos pais. Ruan estava estressado com tudo isso e, pelo jeito, a mãe também andou perdendo a calma. A relação entre eles estava arranhada, mas nada que não possa ser superado com compreensão e carinho.

Saí de lá pensando como é difícil quando os dramas familiares acabam se tornando públicos por causa de um incidente como uma fuga, uma busca desesperada, que acaba atraindo a atenção da mídia e da sociedade. Separações e conflitos podem acontecer em qualquer lar, no caso do menino, só se tornou um caso de repercussão por causa da busca pelo filho, que mobilizou a polícia, os vizinhos e os jornalistas.

Mas tudo bem! Menos mal que o menino está em casa, bem e em segurança... O resto se resolve! Todos os dias temos que construir nossos finais felizes e eles sempre vem acompanhado de reticências

Foto da gazetaweb: Ruan é abraçado pela mãe e pela tia

terça-feira, 13 de abril de 2010

No subterrâneo mundo de Psique

Ando cumprindo com todas as minhas tarefas diárias: trabalho dez horas por dia, no mínimo, cuido de Ernesto e minha casa está o mais arrumada possível, levando-se em consideração que tenho um furacão de quatro anos dentro de um apartamento de dois quartos.

Mas apesar de externamente a vida andar na rotina, a verdade é que nos últimos dias estou como Psique descendo ao inferno. Um lugar onde é preciso abandonar as esperanças para que as sementes germinem em silêncio, antes de poderem se erguer de novo à luz do sol.

Mas vou logo acalmando aos amigos. Não tem nada a ver com depressão. Depois que eu li "O Demônio do Meio Dia", de Andrew Solomon, há uns sete anos, eu descobri que tenho uma reserva de energia considerável para me manter longe desse estado, mesmo diante dos contratempos da vida. Na época eu era repórter da área policial, trabalhava durante a madrugada, e uma certa "melancolia" me contaminava quase todos os dias... Também, eu via cada cena...

Mas quem me conhece de perto sabe que eu tenho uma grande tendência à alegria, graças a Deus. mesmo assim, é inevitável em algumas fases, descer as escadarias que levam aos nossos sentimentos mais profundos e visitar os monstros, nem tão assustadores assim, que deixamos escondidos nas cavernas do nosso ser. Aliás, com o tempo e a experiência, tenho cada vez menos medo dos meus fantasmas. 

Talvez, por isso, escrevi pouco esses dias. Quando andamos assim, os pensamentos são confusos. Fica-se na espreita, na tentativa de interpretar os sinais mais internos. É difícil explicar essa nebulosidade em palavras. É mais fácil ouvir música e ficar sentada imóvel feito um largato grudado na parede.

Apesar disso tudo, estou fazendo novos amigos e planos para um próximo sábado bem divertido. Então, estou normal...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Há dias ruminando pensamentos...

Estou naquela fase de pensamentos movendo-se silenciosamente lá no fundo do cérebro, sem vontade de vir à tona... enquanto ando nessa lua nova, vou postar emprestado um poema de Neruda que minha amiga Célia enviou, com uma linda ilustração:

terça-feira, 30 de março de 2010

Essa viagem até nada...

Algumas situações da vida nos fazem pensar na ridícula vaidade humana, que muitas vezes ressalta com uma enorme ansiedade metas que, uma vez conquistadas, não valem grande coisa...

Fiquei pensando também no reverso, vidas dedicadas a ideiais realmente grandiosos, mas que, uma vez alcançados, foram de tal forma manipulados, que se transformaram também em nada pelo que valesse a pena morrer...

Refletindo sobre essa coisas, lembrei de uma música que ouvi com emoção há alguns anos, em Cuba. A letra poética e profunda revela com muito mais clareza o que estou querendo dizer. Ainda mais porque se trata de um poeta que viveu em um país que bradava nobres ideais, e, como diz Luis Eduardo Aute, em "La Belleza", quase tudo acabou como escadaria para a glória de poucos.

Não é com pessimismo ou amargura que faço essas reflexões. Como diz Fernando Pessoa "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Por isso, para mim nada que foi feito com dedicação e amor se perde totalmente, mesmo quando não traz os resultados esperados. Ficam alguns avanços, muito aprendizado e lições para o futuro.

Sobretudo, aprender que vale a pena buscar a "beleza" na simplicidade das coisas. A letra de Aute que me inspirou está no link. Não me atrevo a traduzir tudo, porque meu espanhol não chega a tanto, mas só um trechinho, para despertar a curiosidade:

"Inimigo da guerra, e seu reverso, a medalha, não propus outra batalha que livrar o coração de jogar o corpo à terra, sob o peso de uma história que ia elevar até a glória o poder da razão. E agora que não há mais trincheiras, o combate é a escalada, e aquele que alcança o mais alto, põe a salvo sua cabeça, ainda que afunde no asfalto a beleza"*

*por favor, se alguém puder traduzir melhor, eu recoloco o texto

foto de Aute: google

terça-feira, 23 de março de 2010

Revelar segredos...

"Procuro um amor que seja bom pra mim. Vou procurar, eu vou até o fim. E eu vou tratá-la bem, para que ela não tenha medo, quando começar a conhecer os meus segredos" (Segredos, Frejat)

Não tem jeito, né. Não dá para se relacionar com alguém com mais profundidade sem revelar quem somos. Não todos os segredos, mas o caráter, fruto de uma história com muitos episódios, alguns alegres, outros traumáticos...

Não tem como deixar alguém se aproximar, sem baixar um pouco a guarda, sem abrir a armadura... mas isso é bastante assustador, principalmente quando já se tem alguns "cadáveres" escondidos no armário. Por isso Reich dizia que a couraça que te proteje é a mesma que te impede de amar.

Ou seja, para amar, de certa forma, é preciso se tornar frágil. Esse é um drama que se torna mais complexo com a idade, e com toda a estrutura de proteção que formamos para nos defender das "topadas" da vida.

É por isso que é preciso mais coragem para amar e sorrir, do que para matar e se esconder... E são os covardes que ocupam as manchetes de jornais... Já o amor, cresce em silêncio.

Foto de Frejat do site do Estadão

sábado, 20 de março de 2010

O meu maior amor

São quatro anos experimentando um sentimento que antes eu não tinha como dimensionar. A palavra incondicional sempre me pareceu subjetiva demais, não dava para fazer idéia do que seria amar assim... Mas agora eu sei de todas aquelas frases que são tão batidas sobre o amor maternal. Tudo se aplica ao que sinto pelo Ernesto. Nada parece piegas demais, lugar comum ou frase feita.

Todos os agradecimentos à Deus por essa oportunidade. Ernesto veio para a minha vida quando eu já tinha passado por mil experiências. Uma mãe madura, cheia de histórias, que pelo menos por enquanto eu prefiro não contar para ele. Se Ernesto for tão levado como eu, vou ter um ataque cardiaco.

Os riscos de uma gravidez beirando os quarenta anos, não me atingiram, graças à Deus. Fiz hidroginástica na academia da Bam até a barriga ocupar boa parte da piscina. Trabalhei até quinze dias antes do parto. Dirigi até na hora de parir e voltei para casa dirigindo.

Ernesto nasceu de parto normal, lindo, saudável, mamou logo que colocaram ele no meu peito, ainda todo sujinho... Se eu soubesse que seria assim, acho que teria tido uns três filhos... Foi no dia 21 de março de 2006. Entrei na sala de parto às seis da manhã e fiquei olhando o relógio. No terceiro grito, ele nasceu, às 6h40.

Ele dá trabalho sim. Às vezes grita comigo e já quer ter mais autoridade do que eu... mas tudo bem... tudo bem... ele é o sol dos meus dias. E não se preocupem, apesar da minha total adoração, não esqueço do papel de educadora.

Tenho que dizer não, impor limites, ensinar as regras da vida e todas aquelas orientações pedagógicas avemariameudeus... Tudo bem, eu faço isso. Quero que ele se saia o melhor possível nesse mundo complicado.

Mas, o fundamental mesmo, é que ele respire, ria, exista... não precisa fazer mais nada além disso, para ser o meu pequeno príncipe. E ele sabe disso... ele sabe que eu vou fundo nessa história de amor... é um menino muito esperto esse Ernesto. Combatente leal e dedicado, esse é o significado do nome dele. Para mim, poderia ser traduzido como "minha vida".

quinta-feira, 18 de março de 2010

Essa parte ainda adolescente em mim...


Estou sentindo saudades... É estranho, mas é como ter passado mais de uma semana na casa de amigos queridos e depois ter que ir embora, de volta à rotina. Mas é assim que eu me sinto quando "mergulho" em uma leitura que absorve boa parte, e em alguns momentos, completamente, a minha atenção.

Mais engraçado ainda porque eu já tive essa compulsão por uma leitura algumas vezes antes (até contei aqui nesse blog alguns casos), mas não esperava sentir isso pela saga dos vampiros e lobisomens, de Stephenie Meyer. Afinal, parece uma estória tão bobinha, como cinderela, a bela adormecida e outros contos de fada, só que com vampiros.

Eu tinha assistido por curiosidade ao filme na TV por assinatura, não me daria antes ao trabalho de enfrentar uma fila de cinema por ele. Achei bonitinho, mas nada demais. Conversando com minha prima, ela me instigou a ler os livros. Disse que era muito mais rico em detalhes e no enredo magnético do que o filme conseguiria transpor.

Ela me emprestou Crepúsculo no dia 21 de fevereiro, e eu andei com o livro por mais de duas semanas no carro, sem abrí-lo. Tinha outras prioridades de leitura. Mas no início da semana passada, de novo curiosa, comecei a ler. Grudei. Grudei mesmo. O livro pegou em mim como cola. Perguntem aos meus amigos e parentes. Só soltava um quando já estava com o outro em mãos.

Corri para a casa da Pollyana para buscar Lua Nova antes que Crespúculo acabasse. Levei Eclipse, da minha sobrinha, na bolsa de viagem para o sertão, no último final de semana, e quando voltei de lá, corri para a livraria, porque não consegui achar a Pollyana em casa e estava ansiosa por Amanhecer, que terminei ontem, coincidentemente, à meia-noite.

Hoje, levantei com saudades, reli o final do último capítulo, o suave e doce final de feliz depois de muito sofrimento, e depois comecei a pensar "por que"? Tirando essa parte de mim que será eternamente adolescente e se comporta da mesma forma entusiasmada há décadas quando se apaixona por qualquer coisa ou pessoa, eu queria entender o que me atraiu tanto no livro. À mim e à milhares de pessoas, a maioria adolescentes (quem sabe porque os "adultos" não sejam tão corajosos em denunciar suas paixões adolescentes como eu, com medo do ridículo, que eu aprendi com Gaiarsa a não temer).

Rememorei várias partes dos quatro livros. É claro que a temática é atraente. Na nossa psique, povoam as histórias dos mitos. Todos queremos respostas para questões como a imortalidade da alma, a possibilidade do amor verdadeiro, a consciência após a morte, ou até que ponte a morte é um final ou um recomeço, e qual a identidade que voce preserva depois de uma passagem tão radical.


Além disso, tem a força, o poder, o desejo de proteger as pessoas que voce ama com um escudo invisível e forte, as provas para sentimentos nobres como lealdade, coragem, aquela capacidade que faz dos heróis pessoas capazes de contrariar o instinto de sobrevivência, arriscando a vida por outra pessoa. Tudo isso, no talento narrativo da autora, faz com que sejamos capazes de interagir com os personagens. Numa mente fértil, começam a existir em detalhes a floresta, a praia na reserva quileute, o penhasco, o clima fechado e sempre úmido de Forks, o musgo. Tudo cria forma e vida... É fácil, quando se lê algo tão bem escrito.

Tem também a incrível capacidade da autora de fazer o leitor sentir experiências que talvez nunca tenha vivido, ou que de certa forma experimentou, mas são intensificadas no livro. Tenho duas passagens que me doeram ler. Não vou contar em detalhes para não estragar o suspense para quem ainda não leu a saga e se animar. Uma é a de Bella quase se afogando, depois de saltar do penhasco. Aquela mesma sensação de medo e tranquilidade. De quase sufocar e ao mesmo tempo sentir que a morte pode ser estranhamente calma. E de repente seus pulmões explodem em busca de ar, e milagrosamente, dolorosamente, encontram, e voce volta...

A outra passagem, foi a gravidez de Bella. Aquele sofrimento exagerado me fez lembrar um sentimento muito mais suave de conviver com um amor incondicional e ao mesmo tempo um certo pânico, sob controle. Lembrei de Ernesto chutando a minha costela quando já estava apertado no útero e agradeci por ele não ser mais forte do que eu. E como o meu parto foi normal, lembrei que nada, nem aquela dor, aquele sangue, parece significar alguma coisa quando voce tem o seu bebê nos braços. Mas o parto de Bella foi alguma coisa perto do horror, e mesmo assim tinha amor naquele momento. Foi o trecho mais angustiante para mim. Mais estressante do que as lutas na campina entre os bons e os maus.

Fora isso, tudo é tão bonito quanto pode ser na vida. O livre arbítrio, a amizade, a capacidade de conviver com as diferenças, a luta para controlar nossas más tendências e fortalecer o que é bom em nós... O aprendizado...

Creio que sejam estes alguns dos motivos da minha atração pela leitura... mas vai levar um tempo até eu terminar de digerir e ruminar toda a história. Depois de emergir do mergulho, é preciso respirar fundo e refletir. Mas certamente, as grandes coisas da vida, são mesmo as mais simples... e não é preciso magia sobrenatural para perceber isso...

fotos do Google: os livros e a autora, com um "vampiro"
foto Avanny: lendo sem parar até durante o jantar na viagem da ascom ao sertão

sexta-feira, 12 de março de 2010

Carteirada: o mico do ano


Sinceramente, o ano está apenas começando, mas espero que não tenha mico maior do que esse. Vexame nacional envolvendo autoridades da segurança pública que foram "remendar" o mal feito e acabou ficando pior.

Se já não bastasse a "carteirada" dos policiais e a prisão desnecessária da gerente do Centerplex só porque ela estava cumprindo as normas da empresa, a Secretaria de Defesa Social arranjou às pressas um documento em papel timbrado do Gecoc, núcleo de combate ao crime organizado do Ministério Público, para justificar durante coletiva que a ação dos policiais era correta.

Só que o secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, não quis apresentar o documento à imprensa, e depois eu fiquei sabendo porque. A redação era mal feita, sem assinatura e ainda com erros de ortografia. A palavra cinema, por exemplo, estava escrita "cenema".

O promotor de Justiça, Edelzito Andrade, foi à imprensa desmentir o tal documento e a autorização para uma operação "investigativa" no Centerplex, que só tem uma semana de inaugurado e parece que já virou a boca-de-fumo mais perigosa da cidade, porque vários policiais querem ir lá investigar.

Ontem também entrevistei o vice-presidente do Sindpol, que insiste no direito de gratuidade dos policiais. Eu perguntei porque, e ele disse que eram prerrogativas do serviço. Eu retruquei "mas para assistir filme, na hora do lazer?". E ele falou que era uma questão de interpretação.

Lembrei daquele deputado que fez uma ligação clandestina de energia na casa dele para não pagar a conta e quando eu perguntei sobre a irregularidade cometida ele falou que "gato é uma questão subjetiva". É demais!!!

foto 1: vários policiais cercando a "perigosa" gerente
foto 2: o Tigre, grupo tático especial participando da "operação"

terça-feira, 9 de março de 2010

A polêmica da "carteirada"

Policiais do Tigre - Tático Integrado da Policia Civil - alegam que estavam à trabalho quando tentaram entrar nos cinemas da Centerplex para "investigar" venda de drogas. A gerente do estabelecimento garante que eles não apresentaram nenhuma documentação comprovando a operação policial.

As contradições ainda serão investigadas, mas tem dois fatos que estão evidentes: o primeiro, não havia a menor necessidade daquele "desfile" de policiais armados para deter uma gerente que estava cumprindo a função dela, e não havia porque arrastá-la pelos corredores mais movimentados do shopping, diante de familias e demais clientes. Está claro que os policiais quiseram "punir" a gerente com o constragimento da situação.

A segunda constatação, bastante clara para todos, é que a cultura da "carteirada" é mais do que comum em Alagoas. E não é só entre policiais não. Em todas as categorias que se sentem de alguma forma "autoridade", até mesmo entre jornalistas e radialistas, existem pessoas que exibem a credencial do trabalho como se este documento os desobrigasse de pagar pelo que consomem.

Em vários casos, nem mesmo carteiras profissionais os "clientes" têm para apresentar, mas ficam brandindo o parentesco e o sobrenome, ou já saiu de moda o famoso "voce sabe com quem está falando"?!

A semana toda será consumida em explicações sobre o incidente ocorrido nesta segunda-feira, no shopping Pátio Maceió. Eu sinto muito que em pleno Dia Internacional da Mulher, a gerente Andréa Marques tenha passado por esse vexame desnecessário.

Mas já que o fato aconteceu de uma forma tão escancarada, vamos abrir a discussão. As "carteiradas" aqui acontecem no cinema, no teatro, no estádio de futebol, e justamente os mais altos salários são os que menos fazem questão de pagar. Essa obrigação é só para os pobres mortais.

Está mais do que na hora de cobrarmos o fim desse costumezinho deselegante, assim como já estamos nos acostumando a respeitar faixa de pedestre, vagas de deficientes e outras regras sociais, por causa da cobrança coletiva. Então, por favor, vamos abrindo a carteira e tirando o dinheiro para comprar bilhetes como todo mundo, tá?

Imagem retirada do capitaoluizalexandre.blogspot.com

segunda-feira, 8 de março de 2010

Boa sorte sou eu!

Estava aqui vivenciando o meu dia da Mulher, com as mesmas obrigações rotineiras, mas fazendo mentalmente aquele balanço de ganhos e perdas. Cheguei a conclusão que me orgulho de mim e me amo bastante.

E isso não é fácil de dizer, mulheres são educadas para a culpa, desde a Igreja, que nos inculte a responsabilidade pelo pecado orginal, à Freud, que indica a mãe como mentora de todas as paranóias. Por isso, nos culpamos, nos exigimos, acreditamos que não somos suficientemente bonitas, não somos competentes à altura, não somos mães presentes em tempo integral e se o casamento falha, provavelmente é nossa culpa.

Mas... a essa altura da minha vida, já me conheço o suficiente para dar às minhas conquistas uma importância maior do que às minhas falhas. E posso ser tão tolerante comigo mesma, como tenho sido com todos os que me decepcionaram ou me magoaram nessa vida.

E posso ser tão agradecida a mim mesma por ter prosseguido, como sou grata a todos as pessoas que me ajudaram, e foram muitas, na minha trajetória. Eu estou bem, eu estou muito bem! Quando não tem mais ninguem para dizer isso, eu aprendi a me colocar no colo e dizer: "está tudo bem, vai dar tudo certo, voce vai saber encarar mais essa!"

Por isso, neste dia 8 de março, de novo povoam a minha mente as palavras de um poeta que eu já citei nesse blog, homem que amava homens e mulheres, e que tinha uma alma poderosa, Walt Whitman.

"A pé e de coração leve
eu enveredo pela estrada aberta
saudável, livre, o mundo à minha frente
à minha frente o longo atalho pardo
levando-me aonde eu queira

Daqui em diante, não peço mais boa sorte
Boa sorte sou eu
Daqui em diante não lamento, não transfiro
não careço de nada
Nada de queixas atrás de portas, de bibliotecas
De tristonha críticas
Forte e contente, vou eu pela estrada aberta"

foto: google

domingo, 7 de março de 2010

No meio do nada...

Fico impressionada com a capacidade dos homens de transformar a paisagem. É claro que não é uma interferência impune. Sempre há consequências quando se altera o ambiente. Mas, de forma consciente e cuidadosa, é o preço do progresso, não é?

Ontem, fui fazer a matéria sobre a Eco Via Norte, a estrada que será aberta entre o Benedito Bentes e Guaxuma. Hoje é uma estrada de terra usada por sitiantes da região, motoristas de vans irregulares fugindo da fiscalização e bandidos que desovam carros e corpos.

Com a estrada, a prefeitura quer abrir uma nova área de expansão da cidade, além de facilitar o percusso entre o aeroporto e o litoral norte. Fiquei ali parada, olhando aquela extensão de terra, com pasto e nada além, a perder de vista, e imaginando como deve ficar em uns anos.

Primeiro uma estrada larga, valorizando o terreno por onde passa. Mais visibilidade para os conjuntos habitacionais populares que ficam esquecidos naquele canto. Depois que a estrada entrar no gosto da população e o movimento aumentar, devem surgir no caminho os loteamentos habitacionais, as pousadas, os restaurantes...

A essa hora, os empreendedores já estão comprando os terrenos com preços mais baixos, para especular. Segundo o secretário do Planejamento, Márzio Delmoni, a obra deve começar ainda este mês. Deve ser concluida em um ano e meio, por aí. E não será preciso indenizar os proprietários das áreas desapropriadas, já que ele vão ganhar e muito com a via.

Como moradora da parte alta da cidade, estou gostando de acompanhar o crescimento dessa região: o shopping, as fábricas, os loteamentos e conjuntos habitacionais. Ahh, e aproveitando, conferimos a obra do aterro sanitário. Está caminhando... em breve poderemos nos livrar daquela montanha de lixo que cresce em Jacarecica e se projeta ousadamente acima de todas as outras elevações.

foto: ascom

Só Jamal é bom?

Ontem à noite assisti no Telecine ao filme "Quem quer ser um milionário". Fui dormir sob o impacto das cenas e do enredo desconcertante. Não avalio as questões técnicas: montagem, trilha sonora, roteiro, etc etc. Não sou crítica de cinema e não tenho conhecimento, a não ser o leigo de achar bom ou não...

Mas, apesar de um filme que prende a atenção do espectador do começo ao fim, e do ritmo alucinante dos programas de auditório feitos para paralisar o público, a sensação provocada pela história é muito contraditória.

Então a narrativa do filme é feita pelo menino bom ao torturador? É justamente o policial que tortura a única pessoa em toda a história que escuta de verdade aquele rapaz?

Salim é ao mesmo tempo protetor e o maior vigarista. Ninguém é bom ali, só Jamal. E como todos os bons ele é ingênuo e incapaz de proteger suas conquistas, nem mesmo um autógrafo conquistado depois de um banho de merda ele foi capaz de esconder...

E Latika, não sei o que dizer dela... em toda a história não teve muita iniciativa. Até para a fuga redentora ela precisou sair aos empurrões do cativeiro onde estava...


De resto, fora a briga religiosa entre hindus e mulçumanos, retratada em uma única cena selvagem, o contexto é conhecido dos brasileiros: miséria, exploração infantil, violência, tortura, corrupção, falta de escrúpulos...

Não conheço a Índia, mas por favor, naquela cultura milenar, onde viveu Gandhi e onde foram originados grandes conhecimentos para a humanidade, não é possível que a única pessoa boa seja Jamal!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma comunidade de mulheres competentes

Circulando pelos campi da Ufal,  inclusive o que ainda vai ser inaugurado no sertão, podemos constatar uma realidade animadora: está comunidade é composta por mulheres competentes, destacadas, que lideram e criam em todas as áreas.

Pelo menos nesse universo acadêmico, frases como: as mulheres não ocupam posição de destaque, as mulheres não são reconhecidas à altura de sua produção, etc parecem estar sendo superadas.

Não que vivamos numa sociedade à parte, mas pelo menos nessa instituição, as mulheres conquistaram posições importantes, por mérito. Começando pelos principais cargos de direção: a reitora da Ufal, Ana Dayse Dorea, a diretora do Campus Sertão, Edméia Nunes, a diretora acadêmica do campus Arapiraca, Simone Ferreira.

Depois vamos percorrer as pró-reitorias. É bem verdade que a equipe de pró-reitores é masculina. Das seis pró-reitorias, apenas uma é gerenciada por mulher: Silvia Cardeal, pró-reitora de Gestão do Trabalho e das Pessoas. Mas, nas demais, os pró-reitores contam com um staff feminino da melhor qualidade e que “dá as ordens”, ou seja, cria projetos, propõe e organiza atividades.

Nas unidades acadêmicas, a presença das mulheres também é destacada entre diretoras e vice-diretoras. Mas, além da gestão, as mulheres são atuantes no Ensino, Pesquisa e Extensão, que são os pilares da Universidade. Professoras, pesquisadoras e alunas com projetos premiados nacional e internacionalmente, com reconhecida dedicação ao trabalho de construir e socializar conhecimentos.

Nos órgãos de apoio acadêmico e administrativo, também lá estão as mulheres atuantes a trabalhar intensamente pelo crescimento dessa instituição. Só para citar alguns nomes, Sheyla Maluf, organizadora de grandes bienais, a frente da Editora da Ufal, Pajuçara Marroquim, a cuidar dos filhos de funcionários e alunos, do Núcleo de Desenvolvimento Infantil, sem falar a Assessoria de Comunicação, composta majoritariamente por mulheres, da coordenadora, Márcia Alencar, às jornalistas e estagiárias.

Nos serviços mais simples, e não menos essenciais, também estão elas, solicitas e organizadas, a limpar, varrer, arrumar e preparar o lanche com a dedicação da querida dona Rai, na copa do gabinete.

Ainda há muito a superar em relação aos preconceitos e limitações impostos às mulheres no ambiente acadêmico e, principalmente, na sociedade como um todo, onde as mulheres não tem o privilégio de conviver numa comunidade de conhecimento. Aqui, pelo menos, os problemas são expostos e discutidos, até serem dissecados, isolados e analisados, além de outros procedimentos “científicos” para exorcizar fantasmas do passado.

Que o digam as nossas vozes feministas, conhecidas de toda a sociedade alagoana, como Belmira Magalhães, Ruth Vasconcelos, Maria Aparecida Batista, Elvira Barreto entre outras combativas guerreiras que se desdobram na defesa de direitos das mulheres e outros segmentos sociais.

Por isso, nesse centenário do Dia Internacional da Mulher, a Ufal, instituição feita de pessoas, tem muito do que se orgulhar. Por sua contribuição histórica, reflexão constante, por “sacudir” consciências e, principalmente, pelas belas mulheres, em todos os mais profundos sentidos, que circulam pelos seus corredores, laboratórios, gabinetes e salas de aula.