quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Quanto custa poupar?

Acabo de entrevistar um economista para uma dessas matérias sobre finanças, com o objetivo de esclarecer aos telespectadores sobre questões que na verdade eles conhecem, mas... esquecem...

O tema era o Custo Efetivo Total de produtos financiados. Uma conta na verdade simples: voce compra um carro popular, seminovo, no valor de 24 mil reais, mas resolve financiar em 36 meses. Com uma entrada de dez mil reais, o restante fica dividido em parcelas de 516 reais por mês, o que no final dá um valor de 28.576 reais, ou seja, voce está comprando o produto e pagando 4 mil 576 reais só em juros!

A orientação do economista é básica: colocar o equivalente às parcelas na poupança e comprar o carro à vista, com descontos atrativos, que podem baixar mais o preço do carro. O problema é: quantos brasileiros conseguem fazer isso?

É uma questão de cultura. Uma pessoa consegue incluir no orçamento, meio no aperto, a parcela do financiamento, mas não consegue colocar o mesmo valor na poupança e deixar o dinheiro rendendo, sem mexer nele a não ser numa urgência.

Com dinheiro na poupança, já dá para sonhar com uma viagem, uma festa de arromba para comemorar o aniversário, um sapato novo, a bolsa da moda. Imediatismo e consumismo são apelos fortes, quase um vício. É... mas fica a lição. Como disse o professor, ninguém merece perder noite de sono por causa de dívidas.

foto: google

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Isso sim é superação!

Todos os anos, quando chegam novos alunos na Ufal, nos deparamos com várias histórias de persistência e superação. Gente que tentou o vestibular várias vezes até passar no curso que queria, gente que estudou dias e noites, abandonando lazer e amigos, gente que sonhou com o curso superior mesmo com poucos recursos para estudar...


Mas, Paulo César Oliveira merece uma menção honrosa no quesito superação. Pobre, negro, deficiente físico, hemofílico, morador de um bairro considerado violento e marcado pelo tráfico de drogas, o Clima Bom.

Com dificuldades de se locomover, Paulo chegou a ficar dez anos sem estudar, até que soube do vestibular comunitário, mantido pelo programa Conexões de Saberes, do Governo Federal, que estava oferecendo aulas no bairro dele. Neste cursinho, universitários da Ufal ensinam aos candidatos de comunidades de baixa renda o conteúdo básico para enfrentar o processo seletivo.

A mãe de Paulo empurrava a cadeira de rodas dele por mais de uma hora até chegar à sala de aula do cursinho. Até que ele reclamou na Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito e conseguiu incluir um ônibus adaptado na linha que passa pelo bairro dele. Depois de todo esse esforço, a vitória: Paulo foi aprovado em terceiro lugar para o curso de Enfermagem.

Feliz, ao lado da mãe orgulhosa, na noite de recepção aos feras, Paulo fez um depoimento que emocionou à todos. Agora ele se prepara para as próximas etapas, e com certeza buscará apoio para cursar a universidade e se formar. Ele já está reivindicando os ônibus adaptados na linha Cidade Universitária/Ponta Verde para chegar até a Ufal.

As dificuldades serão muitas, mas o Paulo já demonstrou que tem coragem e determinação de sobra. Quem ganha com a presença dele é a comunidade universitária e a sociedade alagoana!

foto: Ascom Ufal

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Os fatos que não aconteceram...

É básico na escola de jornalismo aprender que o repórter registra os fatos. Mas de vez em quando, o não fato também é notícia. Hoje passei a tarde atarefada em explicar coisas que não aconteceram.

Por exemplo, por que o julgamento de Gastão Arruda, acusado de matar o sindicalista Josilval Albuquerque não aconteceu? O Ministério Público alegou a ausência de uma testemunha importante, o deputado estadual Paulão, do PT, que na época do crime era dirigente do sindicato dos urbanitários.

O assassinato ocorreu em 23 de dezembro de 1993, durante um dissídio coletivo dos urbanitários no Tribunal Regional do Trabalho. Os sindicalistas estavam aguardando o resultado em um bar, em frente ao TRT. Segundo testemunhas, Josival provocou Gastão Arruda, dizendo que assim como morreu o pai dele poderiam morrer outros da familia.

Um ano antes, o pai de Gastão Arruda, diretor da Ceal havia sido assassinado. Não sei detalhes sobre o que Gastão estava fazendo armado no local, no dia do dissídio, mas pelo que ouvi, revoltado com a morte do pai, ele acabou perdendo a cabeça ao ver seu tio, que ocupou o posto de diretor da Ceal, ser ofendido pelos urbanitários.

O promotor de Justiça, Flávio Costa, alega homicídio qualificado. O advogado de defesa, Welton Roberto (foto), diz que Gastão se sentiu ameaçado e sacou o revolver tentando se defender, sem intenção de matar. Segundo amigos de Gastão Arruda ele mudou bastante com tudo que aconteceu. Arrependeu-se da atitude intempestiva que custou a vida de uma pessoa e busca uma vida mais equilibrada. Por outro lado, resta a dor da familia da vítima, que cobra punição para o assassino.

O destino de Gastão Arruda será decidido no próximo dia 9 de março.

A outra notícia que não aconteceu é uma novela mais conhecida dos alagoanos. O orçamento do Estado de Alagoas para o ano de 2010 não foi votado. A pressão por aumento do duodécimo da assembléia continua e sacode os bastidores políticos. Os servidores também querem reajuste salarial e a mesa diretora utiliza esse argumento para cobrar mais dinheiro.

Pelo jeito, as coisas vão continuar não acontecendo por mais algum tempo...

fotos 1) alagoas24horas 2) tudonahora

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Para ter acesso ao poder que emana do povo...


Foi preciso que elas fossem eleitas, com votos conquistados sobre cadeiras de rodas, para que os representantes do povo em Maceió percebessem que a Câmara de Vereadores tinha três lances de escada para chegar ao plenário.

Logo quando se elegeram, Rosinha da Adefal e Thaise Guedes anunciaram: "não seremos carregadas até o plenário no colo de ninguém". Com isso, os integrantes da mesa diretora tiveram que buscar soluções. Os dois anos de mandato se passaram em endereços provisórios, até que a reforma fosse concluída.

Hoje as vereadoras estacionaram os carros nas vagas reservadas para deficientes, bem em frente ao prédio. Subiram pela rampa na calçada e atravessaram os corredores até o elevador. Chegaram ao plenário com alguma ajuda, mas não carregadas.

Ao comemorarem o feito, elas lembraram que esse deve ser um direito de todos. "Não é porque fomos eleitas vereadoras que devemos ter garantia de acessibilidade. Isso deve ser facultado a todos os cidadãos portadores de deficiência física", disseram as parlamentares.

Ainda não é o que se vê pelas ruas, calçadas e prédios da nossa cidade...

foto: Vereadora Thaise Guedes utilizando o elevador de acesso. (Vanessa Alencar - Alagoas24horas)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Bastidores da Assembléia...


Cobrir área política não é fácil. É preciso saber traduzir as entrelinhas. Os discursos são fartos, mas dizem pouco. Os detalhes são mais esclarecedores. Por isso é preciso estar atento. Mas tentar "pegar" as coisas não ditas no ar, também não significa sisudez ou tensão, pelo contrário.

Quem entrar desavisadamente na pequena sala da imprensa, que nós batizamos de aquário, porque é naquela caixa de vidro que acompanhamos as ações dos parlamentares, vai achar que ninguém ali está prestando atenção no que acontece na Casa de Tavares Bastos.

Cafezinho, conversas, laptops, celulares, risos e brincadeiras tudo ao mesmo tempo. Mas no meio do barulho, nenhum detalhe se perde... a movimentação, as negociações, a expressão facial e corporal dos parlamentares, tudo é devidamente registrado.

Numa casa legislativa como a de Alagoas, então, não falta o que "pesquisar". Depois da operação taturana, o parlamento foi desnudado, tudo o que se sabia por ouvir dizer, foi minunciosamente comprovado e escancarado para a sociedade.

De lá para cá, o parlamento alagoano tenta recuperar a moral e continuar funcionando como legítimo representante do povo. Mas, parece que nada ali caminha de forma transparente e compreensível à todos os mortais, e é por isso que já passou o reveillon e o carnaval, mas ainda não foi aprovado o orçamento para 2010.

Sabe-se lá a que preço, essa polêmica será superada até a próxima terça-feira...

Foto da Olívia de Cássia, que registra tudo nos bastidores da Assembléia

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Preciso falar de uma paixão...

Ontem coloquei as crianças para dormir e fui deitar com a televisão ligada. Estava morrendo de sono, mas queria ver o desfile da Gaviões no sambódromo de São Paulo. Peguei no sono, mas lá pela madrugada, quando o locutor anunciou a quinta escola a desfilar, eu acordei e pulei da cama...

Estava linda a Gaviões da Fiel. Entrou na avenida com toda a emoção, cantando o samba enredo com a força de quem vai comemorar o centenário. "Corinthians é o meu amor, seu manto é raça e tradição! Eu bato no peito e digo "pro" mundo, o meu orgulho de ser Gavião"...

Sócrates elegante como sempre, marcando presença no desfile já que faz parte da história desse time na melhor fase, quando existia uma "democracia corinthiana" e os jogadores tinham compromisso em opinar sobre o que era melhor para a equipe. O fenômeno também estava lá, de passagem pelo Corinthians...

E a torcida apaixonada como sempre, pela escola e pelo timão! Emoção contagiante! Fiquei sozinha na sala, sambando e cantando... coisa de louco mesmo! Na minha infância em Santos, quando os nordestinos que trabalhavam nas indústrias paulistas eram chamados de "os paraíba", a torcida do Timão foi a que melhor abrigou os migrantes de todas as partes.

Eu me senti em casa na nação corinthiana antes de saber onde ficava a terra onde nasci, Pernambuco, e de conhecer o Estado onde nasceram meus pais, Alagoas. Paixão de infância a gente não esquece. Mesmo tendo passado um bom tempo sem querer acompanhar os campeonatos por causa do mercantilismo que mancha o jogo, eu acabo querendo me sentir parte dessa nação fiel e apaixonada...


fotos: G1

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A vida não vem no formato ideal

Não sei porque ensinam para a gente um formato de vida e de familia que quase nunca é possível alcançar... assim como as formas estéticas inatingíveis para gente comum, que come e tropeça no meio da rua...

Não dá para garantir que a felicidade tem que ser como a vidinha perfeita de um seriado de TV. Na vida real, as coisas começam, desandam, terminam, destilam mágoa, depois vem a cura das feridas... isso na melhor das hipóteses, porque tem gente que fica sangrando pela vida afora...

Não adianta correr atrás de estereótipos palatáveis ao circulo social que esconde os problemas embaixo do tapete. É melhor encarar os problemas e tentar superá-los com realismo e tranquilidade. Talvez assim, nossos filhos possam sentir segurança de verdade... em qualquer situação...

foto: arte/G1

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Amai os vossos inimigos...

"Amai os vossos inimigos. Fazei o bem aos que vos odeiam". Não, nunca alcancei a profundidade desses versículos. Nunca me senti capaz de transformar ódio em amor e muito menos oferecer a outra face... que nada! O melhor que pude fazer foi me manter em silêncio... mas o meu silêncio é profundo... pode durar décadas, séculos... é na verdade muito cruel...

Mas nessa noite, depois de duas taças de vinho, comecei a pensar nas mágoas e ódios da vida e me senti vazia deles. Quem precisa carregar essa raiva?! São tão mais fragéis as pessoas que magoam. Como são solitárias as pessoas que não confiam, não abrem a guarda... Como é falsa a invencibilidade dos fortes!

Nesta escuridão, quem está mais segura sou eu, que começo a compreender Walt Whitman: "forte e contente vou eu pela estrada aberta”

Sem planos para o carnaval...

Nunca fui uma foliã muito organizada, dessas que meses antes do carnaval, já comprou o abadá, reservou o hotel ou pousada e comprou as passagens com antecedência. Meu carnaval sempre aconteceu de sopetão, e sempre deu certo.

Aquelas loucuras de dividir uma casa com dezenas de pessoas, fazendo revezamento para dormir, porque não tinha lugar para todo mundo de uma vez, em Olinda ou em Salvador... bagunça boa!!! Teve um carnaval memorável em que eu e Célia saímos de moto pelo sul da Bahia, de Itabuna até Canavieiras, parando em vários lugares pelo caminho para curtir as festas...

Eu gosto tanto da multidão no Campo Grande, em Salvador, como do frevo que esquenta o marco zero em Pernambuco. E nas ladeiras de Olinda, sem espaço nem para respirar... Também já passei carnavais trabalhando. Gravando flashes para a TV. E me divertia mesmo assim. Tinha o lado bom, ganhar dinheiro, ao invés de gastar, e rodar todo o litoral de Alagoas.

Adoro carnaval, frevo, folia... mas esse ano, não sei mesmo o que vou fazer... estou sem planos... Só sei que não vou pegar ônibus nem avião de última hora, atendendo à algum convite do tipo "vem pra cá!!!", porque com filho e sobrinha sob minha responsabilidade, não dá para sair por aí sem pensar...

Talvez praia, talvez pizza, talvez andar pela cidade que fica quase deserta, talvez alguma surpresa... Talvez eu mude mesmo o ritmo, coloque o CD de música flamenca que eu ganhei do Daniel, e vá treinar com minhas novas castalholas...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Café da manhã com o autor...

Já li vários livros na vida, graças à Deus. Despertei para a leitura cedo e aos sete anos já era assídua frequentadora da biblioteca itinerante do meu bairro, lá em Santos-SP. Antes dos nove anos, devorei todos os livros de Monteiro Lobato que estavam na prateleira. E também fiquei amiga dos irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e das mil e uma noites da rainha Sherazade.

E segui pela vida afora lendo, sem respeitar muito a faixa etária recomendada. "Eu Christiane F", por exemplo, eu li com a mesma idade da protagonista, 13 anos. Não deveria, porque foi dificil digerir a história de uma menina da minha idade, drogada e prostituida. Mas eu lia o que me despertava curiosidade, e só depois buscava orientação.

Neste mesmo período, li outro livro pouco recomendado para uma adolescente, mas que eu amei, "Papillon", de Henri Charriere, sobre a fuga de um homem de uma prisão perpétua no inferno. Na época, eu também estava me preparando para uma fuga que eu considerava fenomenal, e ele foi minha inspiração. Só o fato de estudar o movimento do mar, para saber o melhor momento de se jogar nas ondas, me serviu como ensinamento para a vida.

Essa leitura de Papillon tem um incidente curioso, espero que não provoque nojo em voces, mas é só para ter uma idéia de que eu não abandonava uma boa leitura por nada! Eu estava lendo, quando a minha mãe avisou que minha irmã estava passando mal e teríamos que levá-la ao médico. Pegamos um táxi, eu, o livro, minha irmã e minha mãe.

No caminho, a Miriam vomitou em tudo, inclusive no Papillon. Eu nem me preocupei com minhas roupas, mas com o livro, fiquei arrasada e chorei um bocado. Já de volta depois do atendimento médico, minha mãe, que nem sabia sobre o que eu estava lendo, teve pena da minha decepção e colocou meu livro no sol para secar. No mesmo dia, eu continuei a história, nas páginas borradas e fedorentas.

Até a adolescência, eu tinha o costume de anotar na minha agenda todos os livros que eu lia durante o ano. Ficava contente de registrar pelo menos três obras por mês. Continuei tendo livros como companheiros durante toda a vida. Alguns simplesmente não desgrudavam de mim. Musashi foi um que eu não larguei nem para aceitar convite dos amigos para sair e relaxar. Os dois volumes escritos por Eiji Yoshikawa, cada um com mais de 900 páginas, me atrairam como um imã.

Tenho vários livros e personagens no meu coração e na minha lembrança e fiquei amiga imaginária dos autores, de quem eu gostava muito, por terem dado vida àquelas pessoas. Mas, hoje foi a primeira vez que eu liguei para um escritor, na hora do café da manhã, com a maior intimidade, para reclamar "por que voce fez isso com ela?!"

E o pobre autor, ainda atordoado pelo sono, a ter que encontrar explicação para o destino de um personagem... Mas, pense bem... é ou não é um privilégio? Aliás, são vários: ler um bom livro, escrito por um amigo, poder ligar para esse autor para se entristecer com um drama imaginário, e, acima de tudo, sentir um grande orgulho pela obra muito bem escrita de uma pessoa da minha convivência.

Sinto-me privilegiada e gostaria muito que talento fosse contagioso...

Ahh, o autor é Carlos Nealdo dos Santos, e o livro: "O Pianista do Silencioso".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma sequência de erros que acaba em tragédia...

Benilton Ferreira dos Santos, de 38 anos. Esse é o nome do irresponsável que provocou a morte de duas crianças e deixou outras duas gravemente feridas, além das que tiveram contusões mais leves, mas não vão se livrar tão cedo do trauma de ver os coleguinhas morrerem.

O causador da tragédia estava bebendo desde o domingo e só parou às cinco horas da manhã da segunda-feira. Ele mesmo admitiu, ainda com a voz arrastada pela embriaguêz, que só dormiu três horas de sono, e ainda sob o efeito do alcóol, pegou o golf preto de um cliente que tinha pedido a ele para dar polimento no veículo.

Sem habilitação, Benilton entrou na BR 104, que corta uma área movimentada da zona urbana de Maceió, próximo ao aeroporto. Em alta velocidade, segundo ele mesmo disse, em torno de 100 km por hora, e com seis décigramas de alcool por litro de sangue, o condutor irresponsável alegou que foi fechado por um táxi e jogou o carro para o acostamento, onde estava parada a van de transporte escolar.

O impacto foi tão forte que a van capotou, com cerca de 10 crianças dentro, matando Pedro Barbosa, de sete anos, no local. Ele cursava a 2ª série do Ensino Fundamental na Escola Agnus Dei, em Rio Largo. Quatro crianças foram levadas para o Hospital Geral do Estado e as outras foram socorridas no pronto-socorro mais próximo do acidente.

Mikael Berneval, de 8 anos, chegou morto ao HGE. Os parentes estavam desolados. Em setembro do ano passado, o menino já tinha escapado de um acidente de trânsito. Dessa vez, ele não resistiu. A mãe do menino falecido está grávida de oito meses e precisou ser medicada ao saber do acidente. Ao pai da criança, coube a triste tarefa de providenciar a liberação do corpo e o sepultamento do filho.

No hospital, familiares das outras crianças estavam aflitos. Durante toda a tarde eles esperaram por notícias. As assistentes sociais se desdobraram para atender a todos. Pelo menos uma familia saiu de lá aliviada. Os pais de Alisson Alves, de 10 anos, levaram o menino para casa com um curativo na mão. Apesar de atordoado, ele estava bem e até concedeu entrevista para contar como foi o impacto do acidente. Mas as mães de duas meninas de seis anos estavam apreensivas. Uma delas estava melhor, em observação. Mas Edaine Castelo, filha única de uma professora, está ainda em situação bastante grave.

As escolas onde estudavam as duas crianças mortas suspenderam as atividades em sinal de luto. Na escola em que estuda Edaine, todos estão rezando pela recuperação dela. A menina teve quatro costelas quebrada e uma perfuração no pulmão.

O causador da tragédia disse que é pai de quatro filhos e lamentava o acidente que provocou... Ele fugiu do local sem prestar socorro às vítimas, mas foi preso em flagrante e será indiciado. Resta saber se vai se beneficiar das moderadas punições previstas para as mortes provocadas em acidentes de trânsito. A própria Justiça admite que o número de prisões é reduzido nesses processos. A maioria dos reús consegue pagar pelo crime com penas alternativas de prestação de serviço... a revolta é o peso que as familias da vítima carregam como um fardo insuportável, como se já não bastasse a dor de perder uma criança...

Matéria da TV Pajuçara sobre o trágico acidente

fotos: www.tudonahora.com.br

domingo, 7 de fevereiro de 2010

De novo a questão: ser ou não ser...

De novo  uma viagem intimista. Deve ser o dia sem trabalho, sem meu filho ( que estava com o pai dele) sem tudo o que me faz racional. Então não consigo manter quieta a louca alucinada que vive dentro de mim. Ela quer "girar e se esquecer veloz".

Ainda tento. Fiz feira em pleno domingo, almocei no shopping e li mais alguns capítulos do maravilhoso "O Pianista do Silencioso", do Carlos Nealdo. Mas se eu ficar muito tempo em silêncio, sozinha, eu lembro que não sou normal. E ainda por cima, desconfio que meus melhores amigos também não são...

Mas todos somos loucos de uma loucura boa, dessas de viver em sintonia com um mundo interior que a qualquer momento quer esborrar da nossa taça de sanidade e invadir o espaço do nosso roteiro cotidiano. Como não podemos "dançar na chuva", uivar para a lua e fazer rituais em torno do fogo, sem correr riscos muito sérios, então escrevemos...

Despejamos em palavras doces ou picantes os sentimentos que são contidos nos gestos. Além de escrever eu saio dirigindo por aí, ouvindo música e brincando com o caminho... vendo as paisagens que estão dentro da minha cabeça... acho que eu não vejo a cidade direito...

Lembro das duas oportunidades em que saltei de paraquedas. A sensação de se soltar no espaço, a adrenalina agitando o sangue... o medo e a euforia... uuuuuuhhh, estou voando! E aí o paraquedas abre e voce tem que flanar e guiar o seu vôo para o lugar certo.

Bom, o Ernesto chegou e está na hora de sair do transe... no mundo real, o sorriso dele é o que mas me mantém em equilíbrio...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tudo sem nexo...

Em meio a exaustão, depois de um dia muito movimentado e cheio de sons, pensamentos vagos e confusos povoam a mente. Nada que tenha nexo, nada que se possa explicar em palavras. Só aquela sensação de mormaço sufocando, antes de uma chuva redentora...

O dia foi cheio de cores, pessoas desconhecidas, alguns grandes amigos... o carnaval, o calor, a agitação frenética, os acontecimentos atropelados uns sobre os outros...
Sentimentos provocados por abraços, sensações despertadas por telefone. Gente, gente, gente... uma overdose de gente! Muitas vozes, muitas histórias entrecortadas, muitos comentários sobre assuntos diferentes, risos ecoando em todas as direções... e a temperatura alta!!!

Corpo que se alimenta e se esvazia... experiências de muitas fases da existência liquidificadas em relatos atropelados. Tanta informação, tanta alegria, introspecção impensável nessa avalanche de vidas!

Tanto medo de envolvimento e tanta vontade de unir caminhos desvirtuados... Desejos intensos despertados depois de um breve sono, que pareceu eterno...

Nada disso faz sentido, e ao mesmo tempo, tudo faz. Como um enorme quebra-cabeças desmontado, com potencial para se transformar numa paisagem.
foto: escultura de Romeo Zanchett

"Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar, apesar de todas as conseqüências." Osho

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Enquanto isso, os barcos descansam em aguas tranquilas...

Quando esteve em Maceió, em julho do ano passado, para a inauguração da reurbanização da orla da cidade, o presidente Lula fez uma sobrevôo de helicóptero e, com seus olhos sensíveis para a realidade social, enxergou, em meio à beleza da praia e às ciclovias reformadas, um amontoado de casebres no bairro do Jaraguá, perto do porto.

Durante a solenidade, no palanque, ele olhou para o prefeito Cícero Almeida e disparou: "não é possível recuperar a orla e deixar duas ilhas de miséria”. O prefeito ainda argumentou que tem projetos para a área, mas a verdade é que essa situação se arrasta há anos e já virou uma quebra-de-braço que divide a comunidade e as autoridades públicas.

Em 2004, a União cedeu a área de marinha onde está a vila dos pescadores para que a prefeitura executasse projetos de reurbanização. Várias maquetes foram apresentadas, com casinhas bonitas, saneamento e uma balança de peixe com refrigeração. Em 2008, como nada saiu do papel, a União revogou a concessão.

Na Vila, o que se vê ainda é muito esgoto à céu aberto, moscas, lixo por todo lado e meninos amarelos, contaminados pelas doenças que proliferam no local. A prefeitura apresentou um projeto, mas não naquele lugar. A construção das 450 moradias está sendo feita na praia do Sobral, onde, todo mundo sabe, as ondas são para os surfistas e não para os barcos dos pescadores, que preferem enseadas mais sossegadas.

Mas os pescadores ainda tem esperança de tudo melhorar. O Ministério Público Federal recomendou à União que não estabeleça novo contrato de concessão com a Prefeitura de Maceió. O procurador da República, Rodrigo Tenório, apresentou dois motivos para a negativa: a maioria dos pescadores não quer ser removida do local que a comunidade ocupa há cerca de 80 anos e os projetos da prefeitura indicam investimentos com fins lucrativos, como uma marina e estabelecimentos comerciais, por isso a concessão não pode ser gratuita, já que não tem finalidade pública.

Com essa tomada de ar, os líderes comunitários prometem resistir. Claro que eles não querem continuar em barracos expostos ao esgoto e à sujeira, mas acreditam que aquelas casinhas bonitas desenhadas em maquetes virtuais podem ser erguidas bem ali, onde eles estão. Lucia Oliveira é uma das mais entusiasmadas defensoras. "Meu comprovante de residência é a minha certidão de nascimento", disse ela. "Eu nasci e me criei aqui", concluiu orgulhosa e determinada a não sair.

Enquanto os homens decidem o destino da Vila, os barcos de pesca ficam ali na enseada, balançado suavemente, sob os reflexos do por-do-sol. A paisagem é tão bonita, que quase dá para esquecer a miséria e o mau cheiro...

"Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais..."

fotos: 1) Lula em Maceió - Vanessa Alencar 2) Vila dos Pescadores - Wanessa Oliveira 3) barcos de pescadores - google

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Caçadora de Cadáveres...

Não sei porque cargas d'água, mas acho que foi por causa da notícia de que o Oscar de Melo vai engrossar o time da TV Pajuçara na área policial, eu comecei a lembrar do período em que fui repórter desta área, primeiro na TV Alagoas, e depois na TV Pajuçara.

Eu estava muito bem na TV Alagoas, cobrindo política, todos os dias acompanhando a agenda do Governo Ronaldo Lessa, quando, em 2003,  a TV Pajuçara contratou os dois principais nomes do programa policial da TV Alagoas, Jefferson Morais e Cristiano Matheus, para fazer um novo programa.

Fui chamada na sala do diretor de jornalismo, que perguntou a mim e a outro colega, que até então fazia comerciais, se nós toparíamos "segurar a onda" do Plantão até eles fazerem novas contratações. Eu não tinha muita simpatia pela exposição de cadáveres que se fazia abertamente naquele período (agora as cenas fortes estão proibidas, ainda bem), mas pensei na nova experiência e no desafio, e também não tive muita escolha senão topar.
Que correria louca virou minha vida naquele período! Eu cheguei a dar plantão de doze horas seguidas, sem descanso, para não perder nenhum crime. O cinegrafista Wellington Faíska deve lembrar desse e de outros dias em que a gente não conseguia parar. Uma morte atrás da outra.

Teve final de semana que eu vi tantos cadáveres resultantes de mortes violentas, que o cérebro teve mesmo que assimilar. A gente se acostuma com o drama, o cheiro insuportável, as situações inexplicáveis... com tudo. Quem trabalha em IML e atendimento de emergência sabe bem como controlar as emoções para não se impressionar com "cenas chocantes".

Tem mesmo que se adaptar com a "rotina". Jannison Umbelino, que me orientou na primeira matéria policial, deve lembrar que eu quase passei mal quando vi um rapaz que acabava de ser liberado da delegacia de roubos e furtos, executado com um tiro em cada olho. A massa encefálica espalhada pela rua... Meses depois eu já estava ajudando a "localizar" corpos desovados em canaviais, sem me incomodar mais com cheiro e imagens.
Foi um período em que eu não comi direito, não dormi direito... aliás, já dormia vestida e maquiada, com o celular junto à orelha, para responder a qualquer chamado. Em 2004, se não me engano, a primeira ligação que recebi no primeiro dia do ano, logo depois da festa de reveillon, por volta de 3h da manhã, foi de Cição do IML avisando que estava indo recolher o corpo de uma vítima de assassinato.

Nessa época, acompanhei diariamente o trabalho dos policiais, dos peritos criminais e dos funcionários do IML, que se desdobram para compensar os efetivos pequenos e dar conta de tantas ocorrências. Também foi o tempo em que mais subi e desci grotas, percorri delegacias e acompanhei os dramas diários da população mais pobre de Alagoas. Minha irmã e alguns amigos me chamavam de "caçadora de cadáveres". Eu detestava isso. Era demais para minha sensibilidade.

O Plantão de Polícia se refez com Oscar de Melo e Sikera Junior e eu acabei indo para a TV Pajuçara. Participei do Fique Alerta ainda por um tempo, com uma reformulação no formato que na minha opinião foi bastante positiva: nada de exposição de cadáveres, mais serviços, mais entretenimento, sem deixar de dar as informações da área policial. Tive até a oportunidade, em um dia de agosto, de apresentar o programa. Nossa, foi muito engraçado. O público acostumado com Jefferson Moraes e Gernan Lopes e entro eu para substituir. Mas acho que dei conta do recado...

Passei do Fique Alerta para o telejornal da emissora, mais ou menos depois que Ernesto nasceu. Com um filho pequeno ficou mais dificil sair nas madrugadas para acompanhar as ocorrências do mundo do crime. Lembro que uma das últimas matérias que fiz, foi numa rebelião no São Leonardo, em 2005, quando já estava com seis meses de gravidez, e o comandante do Bope não gostou nada de me ver ali naquela situação. Mandou eu ficar atrás do batalhão e eu obedeci. Claro.

Hoje, eu adoro assistir "Festa Surpresa" e outras cenas divertidas no Fique Alerta. Também tem mais interação entre os programas Fique Alerta e Jornal da Pajuçara. Temos as nossas divergências "ideológicas", e dialogamos sobre isso. Não é mais um programa que assusta e nem é preciso tirar as crianças da sala...

O programa melhorou, mas o mundo do crime está pior. Cada dia mais violento e assustador. O tráfico de drogas avançando e fazendo vítimas cada vez mais jovens. O crack ao alcance fácil de qualquer usuário, enlouquecendo viciados e os familiares deles. Uma realidade que não pode ser mesmo ignorada.

Eu também espero que deixemos de "caçar cadáveres". Estamos mesmo procurando por Justiça.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Uma tragédia e muitos porquês...

O sargento Romulo Barros, do 4º Batalhão da Polícia Militar, com mais de duas décadas de trabalho, desabafou: "eu nunca me deparei com uma situação dessas!". O espanto não é para menos. Na tarde desta quarta-feira, 3 de fevereiro, o militar viu um jovem de 23 anos explodir o próprio corpo e quase levar junto policiais, parentes e médicos que tentavam socorrê-lo.

A tragédia aconteceu na na rua Ivan Wolf, no bairro do Farol. Joel chegou na casa do tio bastante alterado, por isso os parentes resolveram chamar a polícia e o Samu. Quando os policias e os médicos tentaram se aproximar do jovem, ele acendeu um explosivo que estava junto ao corpo. Uma bomba foi detonada, decepou a mão esquerda do rapaz e abriu um buraco no abdomen dele.

Outras 21 bombas ficaram dentro do saco que ele tinha na mão. Se todas tivessem explodido, possivelmente todos em volta ficariam gravemente feridos. A mãe do rapaz foi chamada e chegou junto com integrantes da igreja evangélica da qual ela participa. Não se sabe o que ela chegou a ver da cena dramática, mas o choque é indescritível para uma mãe.

O sargento Barros contou que tudo foi muito rápido. Eles não tinham notado as bombas durante a negociação com o jovem. Quando o militar percebeu o risco, afastou os colegas aos gritos, mas dois deles foram atingidos por estilhaços. Um dos militares está com um ferimento na coxa e vai fazer exames, porque não sabe se foi atingido por pedaços da bomba ou do corpo do suicida.

Muitos porquês ficaram no ar. Por que ele foi cometer o suicidio na casa do tio? Por que os avisos que ele deixou na parede do quarto não foram suficientes para evitar a tragédia? Por que ele fez isso???

Algumas dessas questões serão esclarecidas pela investivação. Mas o que se passava na cabeça e no coração de Joel, silencia com ele...

Foto de Janaína Ribeiro: mãe de Joel abalada com o suicídio do filho

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Jaraguá Folia resiste à falta de apoio do poder público

Os organizadores do Jaraguá Folia querem manter o evento em alta, mesmo sem contar com todo o apoio que esperavam do poder público e da iniciativa privada. A festa está na décima edição.

Começou bem no período em que o bairro histórico do Jaraguá, revitalizado, atraiu bares e boêmios que queriam reviver os velhos tempos, em que o movimento comercial do porto tornava o local um ponto de encontro e de negócios.

A festa começou com três dias de folia, contou com grandes atrações como Moraes Moreira. Reascendeu a alegria de blocos de frevo, bois, batuques e outros grupos que queriam um palco e platéia para fazer a brincadeira.

Ano passado o Jaraguá Folia aconteceu praticamente no escuro, sem decoração, com o mínimo de infraestrutura e sem reforço na segurança. Este ano, os organizadores querem que a décima edição seja melhor. Mas pelo jeito, vão ter que contar com o ânimo dos foliões e com a proteção de "mamãe", a boneca que proteje os filhinhos no carnaval.

A prefeitura liberou apenas oito mil reais para o evento e disse que não ia decorar a cidade porque o custo é alto. Daria para entender, se outras festas menos emblemáticas e com repertório menos exigente não contassem com muito mais dígitos nos recursos investidos.

Mas, vão estar no Jaraguá, os "Filhinhos da Mamãe", os "Filhos da Pauta", o "Capa Preta", o "Zona Postal" e mais uma dezena de blocos. São cerca de cinquenta. A cada ano é criado mais um. Inclusive, vai ser a estréia do bloco "Eu acho é tome", do amigo multiartista, Naéliton.

Então vamos à festa, nesta sexta-feira, dia 5, porque o frevo é centenário, mas ainda tem energia para fazer a cidade ferver!!!

foto: Fernando Oiticica

Números que revelam oportunidades e sonhos...

Estatística costuma ser considerada uma ciência fria e pouco atraente para a maioria dos mortais, mas muitas vezes só entendemos a importância de um fato quando o traduzimos em números. O novo campus da Ufal no sertão é um exemplo.

Todo mundo sabe a importância da implantação de uma universidade federal pública numa área do Estado de Alagoas carente de desenvolvimento e distante de oportunidades de crescimento intelectual e acadêmico. Ficou claro o impacto da realização do primeiro vestibular, pela festa na leitura da listagem dos aprovados, que envolveu toda a cidade de Delmiro Gouveia e circunvizinhanças.

Mas, ao observar os dados estatísticos dos candidatos classificados em 2010, que devem começar a estudar ainda nesse semestre no novo campus, dá para se ter uma idéia melhor da inclusão social representada pela interiorização da Ufal.

Vamos aos números: segundo os dados apresentados pela Comissão Permanente de Vestibular, o novo campus terá um pouco mais de estudantes do sexo masculino, 56,1%, mas as mulheres não ficam muito atrás, representam 43,9% da comunidade estudantil.

Apesar de terem direito, os estudantes do sertão preferiram não optar pelas cotas, que garante uma disputa específica entre alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas. 82,9% dos candidatos passaram na classificação geral. 75% dos aprovados concluiram o ensino médio no interior e 60% em escolas públicas. Esses dados revelam que o campus realmente está dando oportunidade aos estudantes da região e que não tem recursos para pagar uma faculdade privada.

Provavelmente, sem a Ufal instalada no interior, boa parte desses estudantes de escolas públicas do sertão alagoano, teriam parado os estudos no ensino médio, por falta de condições para se deslocar até a capital e tentar uma vaga no campus Maceió, como fizeram sempre tantos estudantes antes da interiorização.

Outros dados reveladores sobre esses estudantes que vão formar as primeiras turmas do campus sertão são os seguintes: 82,9% não fizeram cursinho, 95% irão cursar a universidade pela primeira vez e 70,4% são trabalhadores, ou seja, exercem alguma atividade remunerada.

A nova comunidade universitária será bastante jovem, 47% tem menos de 20 anos. Somando todos os alunos com menos de 30 anos, são mais de 88,2% dos aprovados. Mas o campus também terá espaço para os mais experientes, 11,8% dos alunos tem mais de 30 anos, sendo que um deles está na casa dos sessenta, o Sr. Laércio Lemos Vilar, aprovado no curso de Engenharia Civil, aos 65 anos. No dia da calourada ele emocionou a todos quando subiu no palco para dizer “nunca se julgue velho demais para estudar e aprender”.


fotos: ascom-Ufal 1) população acompanha o resultado do primeiro vestibular 2) Laércio discursa sobre a aprovação dele no curso de Engenharia Civil

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Entre a preocupação e o orgulho...

Durante toda a solenidade de despedida dos onze militares do exército, lotados em Alagoas, que vão para o Haiti, o olhar do cabo Alan Roger procurava alguém no meio de parentes e amigos.

A bandeira de Alagoas foi descerrada e entregue ao sargento que vai levá-la durante a viagem. O padre distribuiu as bençãos e o pastor falou em esperançae proteção divina. E Roger ansioso, olhando para o aglomerado de pessoas, sem enxergar o que queria...

O coronel Pinto Sampaio também se emocionou ao falar da missão que os soldados estão indo cumprir, no país devastado pelo terremoto, onde tudo, inclusive a autoestima das pessoas, precisa ser reconstruido.

Depois da cerimônia, os parentes se abraçaram e choraram, divididos entre a preocupação e o orgulho, pela coragem dos homens, ainda jovens, inspirados em exemplos de solidariedade e bravura.

Alan começou a ficar cabisbaixo e foi pegar as bagagens para subir ao ônibus que os levaria à Recife, onde vão se juntar ao pelotão que parte, primeiro para o Rio de Janeiro, e depois para o Haiti.

Enquanto isso, dona Balbina, de 74 anos, se abraçava ao neto, soldado Ramos, sem disfarçar o medo e a saudade. Chorava de soluçar e prometia ao netinho rezar todos os dias para que ele volte intacto. Por todos os lados, beijos, abraços e toda a emoção de quem envia parentes para uma situação de conflito.

Quando finalmente já estavam todos no ônibus, o olhar de Alan brilhou e o cabo saltou do transporte para abraçar Ingrid, a esposa, que vinha com o bebê de 2 meses nos braços. Ela também estava aflita, ansiosa. Tivera muito medo de não chegar a tempo. Vinha de uma bairro distante de Maceió e teve problemas com o transporte.

Mas felizmente eles se abraçaram e se beijaram. O cabo Alan pegou o filho no colo e, reconfortado por essa despedida, partiu mais confiante, certo de que seis meses passam logo, e ainda vai dar tempo de voltar para ver o pequeno balbuciar as primeiras palavras e chamá-lo de papai.

foto: tudonahora - Dona Balbina abraçada ao neto