sexta-feira, 21 de maio de 2010

A hora de deixar a luz do sol entrar...

Tá certo... já chega de lamentações, medos, inseguranças, desconfianças, etc etc etc... Está na hora de abrir todas as janelas e deixar entrar o vento e a luz do sol, com a energia revitalizadora que faz sarar as feridas e renova a vontade de viver e ser feliz...

A vida é generosa comigo e, apesar dos erros e vacilações, sempre me ofereceu novas oportunidades de aprender e recomeçar... E agora me presenteia com um reencontro intenso e iluminado. Seria tolice deixar que os fantasmas das feridas passadas fossem mais fortes do que essa história que pede passagem para se construir...

Não, a vida é mais forte! É como a letra de uma música religiosa que recebi hoje de mãos especiais: "O amor é bálsamo na triste lida, o amor é mais, também é paz, o amor é vida". Então, com fé, vamos seguir adiante...

Chegamos ao dez de copas! Não é uma final feliz, porque é um começo... a vida tem seus desafios, mas também sabe recompensar a quem tem um coração sincero.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Aqui estamos no arcano da separação...

Uma lição da mitologia, reproduzida nas cartas do tarot. Eros e Psique se amam e se casam. Psique era mortal, limitada por sua própria condição. Mas Eros era um deus, perfeito e superior. Por isso, o casamento tinha uma regra: Psique não poderia olhar o rosto do amado. No castelo erguido para viverem esse amor, Eros chegava sempre que anoitecia e as lâmpadas estavam todas apagadas...

Psique tentou se adaptar a essa rotina na escuridão, mas um dia, ao receber a visita de suas irmãs, foi convencida de que não poderia continuar assim e deveria confrontar o amado. Nesta noite, ela preparou uma lamparina e quando Eros chegou, iluminou o rosto dele. Eros fugiu, enraivecido por ter a confiança traída pela amada. Ela chorou ao perceber quanto o magoara...

Essa é a imagem do cinco de copas. Mas, apesar da dor da separação, analisando bem a carta, vemos que há uma esperança. Fica intacta uma taça, mesmo que as outras estejam caídas, a essência do amor permanece, o que indica a possibilidade de retorno, desde que os dois amadureçam. Eros deve aceitar as limitações de Psique. Psique deve aprender a confiar no marido imortal...

Na sequência do tarot, eles ainda passam por alguns obstáculos, mas depois se reencontram e se amam com mais profundidade, conhecendo melhor um ao outro, sem escuridões...

domingo, 16 de maio de 2010

O ofício de esperar...

Um encontro é feito de muitas solidões, pensei eu essa semana, porque quando voce espera alguém, a vida parece que fica em suspenso... por mais concentração que se tenha nas tarefas diárias, uma expectativa sempre preenche todos os espaços, às vezes tranquila, às vezes aguda, urgente... até mesmo dolorosa...

É impressionante encontrar uma pessoa repentinamente e sentir como se já a conhecesse há séculos. Mas ao mesmo tempo, existe uma lacuna de existência, um desconhecimento de tanta coisa que aconteceu nessa vida... o que fazer? Esperar que essas energias de conhecimento e ignorância se equilibrem...

E para quem esperou um período indefinido, agora é preciso esperar que o reencontro amadureça em seu tempo, sem ser atropelado pela ansiedade, pela insegurança, pelo medo de uma nova separação...

Não é fácil, é uma tarefa árdua essa de esperar...

foto do http://carlossimo.arteblog.com.br/148798/Sala-de-espera/

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Isso não acontece todo dia


Adoro quando a Pink Dink Doo, personagem do desenho de Jim Jinkins, pronuncia entusiasmada essa frase sempre que se depara com algo raro, extraordinário. "Isso não acontece todo dia"!!!

Meu dia ontem foi assim, surpreendente. Primeiro, uma matéria na qual eu não apostava muito, mas que rendeu um momento bem inesperado. Na verdade, eu não colocava a menor fé na bomba de Maragogi. Um artefato da 2ª guerra mundial, que estava enterrado há anos na área urbana do município e que nunca assustou ninguém.

Quando a tal bomba foi localizada durante escavações de uma obra de saneamento, algumas pessoas acreditaram que se tratava de uma botija com moedas antigas, e cairam de marteladas e picaretadas no artefato bélico...

Eu viajei para Maragogi pensando no sentido que teria filmar aquela bola enferrujada e acabada. Mas a "coisa" estava muito viva. A operação toda da polícia para deslocar a bomba para uma área menos habitada e detoná-la, rendeu boas imagens, mas nem mesmo nesse momento, eu acreditei que a bomba metia medo.

Gravei passagens perto da bomba, pedi para a equipe ultrapassar o comboio para pegar mais imagens, briguei com o policiamento para nos deixar ficar mais perto durante a instalação do detonador... Ainda bem que não me deixaram. Quando a bomba explodiu, levantando uma nuvem de estilhaços, areia e fumaça, que chegou perto de onde estávamos, a minha ficha caiu.

Senti medo retardado pelo perigo que havíamos passado e juro que nunca mais brinco com uma bomba sexagenária quando encontrar uma pela frente...

sábado, 8 de maio de 2010

Vassoura: uma tradução literária de uma tragédia que se abateu sobre a região cacaueira da Bahia

texto do editor de A Região
O jornalista Daniel Thame lança no próximo dia 18 de maio, em Itabuna, o livro “Vassoura”, uma série de contos e crônicas que tem como tema a vassoura-de-bruxa, doença que destroçou a economia da Região Cacaueira da Bahia, a partir de sua disseminação no início da década de 90 do século passado. Trata-se de uma obra de ficção, em que a abordagem foca as tragédias pessoais provocadas pela doença, cujo poder de destruição se mostrou letal, e em poucos anos reduziu em quase 90% a produção de cacau e reduziu fortunas a pó.

“A despeito do impacto negativo que provocou na vida de milhares de pessoas, enquanto literatura o tema é fascinante e foi isso que o procurei fazer”, afirma o jornalista, nascido em Olímpia (SP) e radicado em Itabuna desde 1987. Gerente de jornalismo da TV Cabrália e repórter/editor do jornal A Região durante 13 anos, Daniel Thame testemunhou o ocaso de uma região baseada na monocultura do cacau.

“Hoje, testemunho e participo do renascimento dessa mesma região, a partir de uma mudança de mentalidade, que parte de premissa de que já não existe espaço para individualismo e é preciso valorizar o espírito empreendedor e as ações coletivas”, afirma o autor. Ele ressalta ainda que “o a princípio remete a um livro pessimista, é na verdade uma peça de otimismo, que começa no apocalipse final e termina no gênesis do (re)início dos tempos”.

EMOÇÃO E DRAMATICIDADE

“Vassoura”, editado pela Via Litterarum, possui 23 textos em que o autor conta episódios focando dramas pontuais da transição de uma região que perdeu sua referência econômica, fazendo uma analogia com fatos, personagens e/ou cenários bíblicos. Na apresentação do livro, que substitui pelo termo “Recomendação” o jornalista Ramiro Aquino afirma que “Daniel Thame tem, seguramente, um dos melhores textos do jornalismo baiano e brasileiro. E isso fica demonstrado nesta obra, onde, romance e realidade se confundem, num retrato nu e cru, dos estragos causados à região pela vassoura-de-bruxa”.

Responsável pela revisão do livro, o presidente da Câmara Baiana do Livro, Aurélio Schommer, destaca que “os personagens são reais, as histórias são verossímeis, num texto sem floreios, em micro contos diretos, claros, objetivos, sem deixar de passar emoção, dramaticidade, com soluções de final muito boas”. Para Schommer, “na atual literatura baiana, é difícil encontrar a qualidade que Daniel Thame apresenta neste livro”.

O livro “Vassoura” será vendido por 15 reais e pode ser adquirido através do site www.vialiterarum.com.br ou dos telefones (73) 3212-6034 ou (73) 9981-7482.

TRECHO DO LIVRO

“Dias depois, estavam morando juntos, dividindo a mesma cama sob um teto cheio de buracos que, nas lindas noites de verão, podiam contemplar estrelas, distraídos.

A bruxa, que tantas vidas havia tragado, tantas tragédias pessoais e coletivas havia causado, abençoara aquele encontro mais do que improvável.

Virava, ainda que por linhas tortas, uma fada.

E eles que nunca tiveram nada, juntaram o pouco que agora tinham e foram felizes para sempre!”

Trecho de “Irmã Sol, Irmã Lua”, um dos contos do livro

terça-feira, 4 de maio de 2010

A palavra que Aurélio mais gostava...

Disse a viúva de Aurélio, a dona Marina, que das centenas e centenas de palavras que Aurélio Buarque de Holanda definiu, a que ele mais gostava era saudade...

É mesmo uma palavra bonita, mas vem acompanhada de uns sentimentos que o dicionarista pode definir com facilidade, mas são difíceis de carregar no peito, como melancolia, angústia, tristeza...

Ontem, visitando Passo de Camaragibe para fazer a matéria sobre o centenário de nascimento do mestre, fui atacada destas saudades sem explicação alguma, e fiz mas um poeminha abestalhado... Lá vai

Sinto saudades
Não sei mas de que
nem de quem
É uma saudade
de um tempo que eu não lembro
de uma gente que não conheço
de lugares a que nunca fui

Mas a saudade dói
Como se eu estivesse fora do eixo
como se fosse estrangeira nesse lugar

Parece que num lapso de memória
esqueci que sou daqui mesmo
e vivo a suspirar
desprovida da minha história

foto: minha, na estrada de Passo

sábado, 1 de maio de 2010

Poeminha que a Cecília fez para mim...

Claro que é uma tremenda pretensão, mas pego emprestado esse poema para esse momento:

"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."

(Lua adversa - Cecília Meireles)                                imagem do blog