domingo, 31 de janeiro de 2010

Hoje foi dia de frevo!

Quando eu acordei de manhã com trovoadas e relâmpagos, até pensei que o domingo de carnaval que eu tinha prometido para o Ernesto iria por água abaixo... mas ainda bem que a cidade não inundou e por volta de dez horas da manhã o tempo abriu...

Ernesto vestiu a fantasia de Ben 10, aliás, a mais usada esse ano pelos meninos, e correu radiante para o carro, rumo à festa. Primeiro, a oficina do pintinho, organizada pelo bloco Pinto da Madrugada, especialmente para as crianças, na Praia de Ponta Verde, com os frevos tocados pela banda da Polícia Militar.

No começo, Ernesto se incomodou um pouco com o som alto, o aperto e o calor. Mas depois, até ensaiou uns passos de frevo comigo e com a avó. Eu, por sinal, aprendi um novo jeito de frevar: pular com o menino agarrado na perna.

Depois de um descanso rápido, vestimos de novo a fantasia, Ernesto de Ben 10 mais uma vez ( lavei a camisa rapidinho e ele tinha outro short de Ben 10) e fomos para o Bailinho dos Seresteiros da Pintaguinha. Foi muito legal também, e nos divertimos com as crianças fantasiadas e os pais babando e tirando fotos.

Ernesto chegou em casa dormindo, exausto. Eu comecei a teclar com um amigo de Salvador que ainda tirou onda com a minha cara. "Quem era a Lua, hein!? Agora o seu carnaval é de matinê!". É mesmo, mas quer saber? Nada mais divertido que brincar carnaval com o pequeno grande amor da sua vida!

E para provar que Ernesto é folião desde pequeno, tem esta foto de José Feitosa, da Gazeta de Alagoas, tirada no Pinto da Madrugada, em 2007, quando Ernesto ainda ia fazer um ano de nascido.

sábado, 30 de janeiro de 2010

As amigas buchudas...

Estava fuçando o Orkut da minha querida amiga, para ver as fotos da gravidez, que já está no oitavo mês... Chris está se preparando para ter um parto normal. Espero que dê tudo certo.

Nossa turminha de amigas, jornalistas, mães e estressadíssimas com a tripla jornada de trabalho (dois empregos e mais a casa) estamos todas na torcida. Até porque, Chris está completando o quadro.
Resolvi juntar as imagens: Chris, 2010, prestes a ter a filhinha nos braços, e a histórica foto que tiramos no final de 2005: eu, Maira, Milena e Flavinha, grávidas. Pois é, aconteceu quase ao mesmo tempo... Maira, um pouco antes. Mas os filhos de Flavinha,  Milena e o meu tem menos de um mês de diferença.

Agora vamos nos dividir entre as orientações à Chris sobre amamentação, como suportar noites de insônia e melhores pomadas para assaduras, com a nossa própria busca de respostas sobre como lidar com esses pequenos, que mal deixaram as fraldas e já querem mandar na gente.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A obra conhecida de um personagem esquecido

Todos os alagoanos conhecem muito bem o Palácio dos Martírios, o antigo prédio da intendência, ali vizinho, onde agora funciona um orgão da prefeitura, o Teatro Deodoro e o prédio mais antigo do Tribunal de Justiça. Mas quem conhece Luigi Lucarini?

Pois é, o italiano que viveu em Maceió no final do século XIX e deixou sua marca em prédios suntuosos não é muito lembrado por essas bandas. Na verdade, segundo a trineta do arquiteto, Vânia Amorim, ele sequer é citado nas duas escolas de arquitetura da cidade.

Para corrigir esse descaso com a memória do responsável pelo maior conjunto arquitetônico da cidade, está sendo lançado hoje um livro sobre a vida e a obra de Luigi Lucarini. O trabalho foi apoiado pelo Instituto de Desenvolvimento Humano. Vinicius Palmeira ajudou as amigas descendentes do italiano a captar recursos, levantar dados e organizar a obra.

As fotos são lindas, produzidas pelos melhores fotógrafos do Estado. Aliás, todo o time que entrou em campo para produzir a obra é de primeira qualidade. Para as trinetas de Lucarini, o trabalho teve um resultado imensurável, já que, além da obra, elas estabeleceram contatos com parentes que nem sabiam existir, na Itália e no Rio de Janeiro.

O livro não está a venda nessa primeira edição, mas será distribuido para todas as bibliotecas do Estado. Vamos esperar que o livro desencandeie uma curiosidade maior pela história de Lucarini. Seria bom também que outros personagens interessantes e produtivos da história de Alagoas fossem resgatados. Afinal, a memória ajuda a compreender e traduzir o presente.

O Pianista do Silencioso

Finalmente estou lendo o romance escrito pelo meu amigo Carlos Nealdo e lançado pela Edufal em 2007. O meu exemplar foi presente do próprio autor, autográfado, é claro. Uma leitura deliciosa... A narrativa de Nealdo é dessas que ao mesmo tempo informa e deleita, conjunção difícil conquistada apenas por bons escritores.
Apesar de ser uma ficção, o livro apresenta um panorama detalhado das primeiras décadas do século XX, com a primeira grande guerra alterando as relações humanas, culturais, sociais e políticas. A importância do cinema nesse período, a distância entre as realidades da Broadway e do serão nordestino, que se encontram na trajetória de um ator famoso que de repende, e da forma mais inusitada, saí do mundo dos grandes shows e vem parar no nosso prosaico mundinho... tudo isso, enriquece o texto, mas sem pesar na leitura, que flui saborosamente...

Antes que alguém diga que estou jogando confetes para um amigo, aviso que Nealdo foi premiado em 2006 aqui em Alagoas com esse romance e, ano passado, foi convidado para lançar "O Pianista do Silencioso" no Festival de Cinema de Gramado.

É claro que tenho um grande orgulho de ser amiga de um escritor talentoso, um cidadão ético e um jornalista muito competente. Mas foi Cacá Diegues quem disse que não conseguiu parar de ler o livro durante um dia inteiro de carnaval. Ora, não sei se o nosso famoso cineasta não gosta de carnaval, mas tenho certeza que ninguém passa o dia inteiro lendo um livro se ele não for muito bom mesmo!

Portanto, quem ainda não iniciou essa leitura, que eu me sinto em atraso por só ter começado agora, não espere mais. A Edufal tem exemplares. Vale a pena se abraçar ao pianista do silencioso e caminhar das noites iluminadas de Manhatan às ruas de uma pequena cidade do sertão pernambucano, para descobrir porque o cinema mantem essa magia contagiante e universal.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Daniel e a linguagem dos sinais...

Hoje entrevistei, para a folha universitária da Ufal, o professor Daniel Paes, aprovado ano passado no concurso da universidade, no cargo de professor de Libras.

A gente logo percebe quando uma pessoa é entusiasmada pelo que faz. Daniel gosta de aprender línguas. Poderia ter feito Letras, mas é formado em Comunicação, com habilitação em Relações Públicas. Ele fala fluentemente o alemão e dá aulas na Casa de Cultura Alemã do Espaço Cultural.

O interesse pela linguagem de sinais começou por influência de duas amigas espanholas. Por causa delas, Daniel aprendeu primeiro os sinais em espanhol. Depois aprendeu as libras. Assim que foi nomeado professor da Ufal, Daniel elaborou um projeto de Extensão para divulgar a linguagem dos surdos.

A Casa de Cultura de Expressão Visuo-gestual Miralles já foi aprovada pela Faculdade de Letras e pelo Conselho das Casas de Cultura. Deve entrar em funcionamento ainda esse semestre e vai atender a todos os interessados pela linguagem de sinais: estudantes de licenciaturas, professores de todas as redes de ensino, comunidade em geral...

Apesar de reconhecida por lei em 2002, a Linguagem Brasileira de Sinais ainda não é muito divulgada, embora programas de TV preocupados com a inclusão de pessoas com necessidades especiais sempre utilizem uma tradução de libras...


Daniel é mais uma dessas pessoas interessadas em divulgar os símbolos que podem facilitar a comunicação entre todos, os que ouvem e os que vibram...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Em agradecimento à uma gentileza

A vida é assim, cheia de tropeços, aridez, brutalidade... mas basta um ato de simples gentileza, para mudar o panorama do dia, espantar as nuvens, trazer o sol de volta...

A humanidade é assim, capaz de brutalidades terríveis, de se afastar da própria racionalidade e manifestar instintos que nem os animais revelam. Mas basta uma atitude sensível para renovar a fé nos homens e sinalizar que ainda existem e sempre existirão as pessoas confiáveis e naturalmente bondosas...

Pelo menos para quem, como eu, tende mais a acreditar do que se entregar ao ceticismo, tende mais a ter esperança do que a mergulhar na amargura, e, por isso, se alimenta de cada pequeno gesto de bondade, solidariedade, carinho, para seguir em frente...

Por isso, como os orientais sabem fazer, vale a pena agradecer muitas vezes, dizer muitos arigatos, muitos obrigados, para atrair mais alegria para essa vida... e às vezes, basta apenas um toque... um sorriso... um abraço...

E, por que não? Uma rosa e uma caixa de bombons...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Meu dia de vítima...

É como uma loteria às avessas, sempre pode acontecer com voce! Viver numa cidade como Maceió é o mesmo que estar na mira de assaltantes e ladrões, que agem a qualquer hora do dia, em qualquer lugar...

Hoje foi meu dia de vítima... estávamos trabalhando e paramos o carro da equipe em frente à uma casa, numa rua movimentada do Farol, às duas e quinze da tarde. Eu sempre deixo minha bolsa debaixo do banco do passageiro...

Quando voltamos, depois de gravar com a nossa entrevistada, o carro da TV tinha sido arrombado. Levaram minha bolsa, alguns coisas do cinegrafista, o 66, e do motorista da equipe, o Chié.

Pensei logo naquele monte de documentos na bolsa, cartões de crédito, habilitação, documentos do carro! Faltou o chão... ligamos para o número de emergência, 190, e relatamos a situação. Tenho que testemunhar a rapidez da resposta...

A viatura do 4º Batalhão fez uma ronda e menos de uma hora depois trouxe a minha bolsa de volta, com todos os documentos!!! Graças a Deus, porque quase todo mundo sabe a dor de cabeça de tirar a segunda via de todos os documentos...

Perdi minha máquina digital novinha, ainda vou ficar pagando durante dez meses, e o celular. Levaram também meu baton (deve ser para dar a namorada, será?!), dois pendrives e a minha neosaldina, além dos ingressos que eu  havia comprado para levar Ernesto no bailinho dos Seresteiros da Pitanguinha, próximo domingo.

O cinegrafista perdeu o celular, e o motorista ficou sem o lanche e uma camisa. Dos equipamentos da TV, foram levados uma bateria da câmera de filmagem profissional (isso é caro!) e um cabo de aúdio.

Registramos a ocorrência na Delegacia Geral e até demos entrevista para os sites e para o Fique Alerta (rs), afinal, esse foi nosso dia de ser o fato, ainda bem que sem maiores traumas.

foto: tudonahora

Assombrações que não nos deixam esquecer...

Li uma crônica impressionante, que me fez pensar mais sobre toda essa polêmica em torno da proposta da "Comissão da Verdade" apresentada na Conferência Nacional dos Direitos Humanos. Uma história de como as "assombrações", a oralidade popular, não nos deixam esquecer fatos que as versões oficiais teimam em omitir, escamotear, tentar enterrar memórias em covas rasas...

Vale muito a pena ler esse texto de José Ribamar Bessa Freire, que começa com a lenda de uma lagoa dos negros, lá no Chile, mas que parece demais com a mística lagoa dos negros da Serra da Barriga, onde foi o quilombo de Zumbi dos Palmares, e onde também contam que negros mortos durante a invasão e destruição do quilombo, continuam vagando e entoando cantos.

Vou reproduzir só um trecho do texto para aguçar a curiosidade pela leitura completa:

Eis o que eu queria dizer: o Brasil é uma enorme Lagoa dos Negros. Os horrores da escravidão foram esquecidos e os bandeirantes, que assassinaram índios, transformados em heróis. As narrativas das comunidades quilombolas, dos povos de terreiro e das aldeias indígenas continuam fora da sala de aula, do museu, do monumento e da mídia, apesar de uma lei recente obrigar sua inclusão nas escolas.


O atual debate sobre a ditadura militar revela como a memória é apagada. Durante vinte anos, a repressão política seqüestrou, prendeu, espancou, torturou e exilou milhares de pessoas, deixando um saldo de 144 mortos sob tortura e 125 desaparecidos, cujos cadáveres não foram localizados, entre eles o do amazonense Thomaz Meirelles, aqui citado no domingo passado.

O texto completo voce pode ler aqui

foto: Lagoa dos Negros, na Serra da Barriga, União dos Palmares

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Trancou o bebê no carro e foi à praia com os amigos...

Poderia ter sido uma tragédia, se uma senhora não prestasse atenção no choro da criança... Na hora que ela viu o bebê abandonado naquele carro, no estacionamento da praia de Pajuçara, ficou estarrecida. Correu para buscar ajuda na unidade do corpo de bombeiros, que por sorte fica a menos de vinte metros de onde o veículo estava estacionado...

O sargento Erisvaldo forçou a janela da porta e retirou a bebê de apenas dois meses, que chorava sem parar... a criança estava suada, vermelha e já cansada, com um pouco de dificuldade de respirar...

Nessa época de verão, costuma fazer 35°C durante a tarde. Dentro de um carro, o efeito estufa torna esse calor insuportável para um adulto, imagine para o bebê!

Quando viu o tumulto, a mãe, Janecleide da Silva, de 19 anos, que estava em uma barraquinha da praia com amigos, se identificou e pediu a filha. Mas os bombeiros acionaram o conselho tutelar e levaram a mulher para a delegacia de crimes contra a criança.

Quando a vi na delegacia, ela embalava a bebê como se nada tivesse acontecido. Tentei falar com ela, mas respondeu apenas que não queria conversa. Eu perguntei se ela tinha consciência de que a bebê podia ter morrido, e ela disse que estava arrependida, visivelmente aborrecida com as minha insistência...

Janecleide foi indiciada por abandono de incapaz. A criança fica sob a guarda do pai enquanto a justiça decide o caso. Eles estão separados desde que o bebê nasceu... O pai da criança estava no trabalho quando foi avisado do incidente...

O terapeuta Laerte Leite acha que a mulher está sofrendo de depressão pós-parto... Eu não sei, mas fiquei muito irritada com a indiferença dela, sem lágrimas, sem demonstrar remorso... deu a impressão que ela estava pensado "porque esse tumulto, eu só queria tomar uma cervejinha"...

foto: Tudo na Hora

Assista à matéria sobre o caso do bebê abandonado

Asas são aí esses meninos...

Hoje vim dirigindo para o trabalho, ouvindo "Canto de Chegada", o primeiro CD de Dinho Oliveira, lançado em 1998. Muita poesia e muitas histórias por trás de cada canção...

Dinho eu conheci em 1985, quando ele veio à Maceió visitar o irmão, Evaldo, que estava em missão partidária por aqui, e também fez umas apresentações musicais. Depois eu fui conhecer a terra deles, Poções, na Bahia. Eita turma boa! De poesia, militância política, cachaças de ervas, banho de rio, festivais de música, poeira da estrada e tudo mais...

Dinho, Evaldo, Elder... Música, prosa e verso numa familia só. E mais três irmãs orgulhosas e solidárias: Marli, Mônica e Márcia. Para completar, pai e mãe de outro mundo, sertanejos com uma tolerância e uma abertura de alma fora do comum, para entender todas as loucuras e loucos que os filhos levavam para casa. Maria e Zé Baixim... A convivência com essa familia me ensinou tanto, tanto, que nunca vou poder esquecê-los...

Ainda mantenho contato com Dinho e Elder, que são meus parceiros de música, poesia e vida... Asas é uma parceria de nós três. Fidelidade é uma letra minha musicada pelo Dinho. As poesias que eu fiz com Elder dariam um livro que a gente ainda não escreveu... quem sabe um dia? Fora o que a gente abarrotou a caixa de correios com correspondências poéticas de Camamu à Poções e vice-versa, com poesias que iam e vinham para completar os versos.

Dos livros e Cds que eles lançaram, eu sou fã número um... Elder é poeta reconhecido, com crítica literária aplaudindo e tudo o mais. Dinho também trilha suas canções, agora em Salvador.

Com as meninas, de vez em quando eu troco mensagens na internet. Maria Bonfim, Evaldo e Zé Baixim, nessa ordem, foram formar uma outra familia em algum lugar desse imenso universo, mas devem estar sempre por perto de algum jeito, porque a presença deles é tangível...

Nova Canãa, Poções, Vitória da Conquista... e ainda os passeios pelos festivais de música do vale do Jequitinhonha, em Minas, com direito à uma passagem memorável por Pedra Azul, onde eu, Dinho e Safeb fomos buscar a inspiração do Paulinho e, na verdade, passamos fome e frio, mas valeu a aventura!

Tem muitas histórias ainda para serem contadas e mais ainda para serem vividas. Levo esse povo no meu coração, que distância nem tempo tiram de mim... "e vou cantando assim ao coração, com a saudade que me tira da razão, iluminado de amor e de prazer, minha alegria..."


domingo, 24 de janeiro de 2010

Caroneiras da Uesc

Hoje teclei no msn com uma grande amiga, que atualmente mora em Brasília, mas eu a conheci em Itabuna, a Lucyara. Começamos a lembrar dos tempos da Uesc. Fizemos pedagogia lá de 1990-1993. Formávamos um quarteto bem unido: eu, Lucyara, Karina e Socorro. Quatro anos compartilhando estudos, sonhos e as caronas que conseguíamos na rodovia Ilhéus-Itabuna.


A universidade fica no meio do caminho entre as duas cidades, numa estrada que margeia o rio Cachoeira, passando por fazendas de cacau e pasto. Um lugar muito bonito. Tenho belas recordações da paisagem no trajeto para ir às aulas, com garças nas pedras do rio.

É ainda uma tradição dar carona aos universitários. Pessoas que passam pela rodovia diariamente, geralmente, dão uma paradinha para "catar" algum estudante que vai para a cidade. Isso nos dois sentidos da pista, porque de um lado ficam os caroneiros que vão para Ilhéus e do outro ficam os que vão para Itabuna.

Eu, Karina, Lucyara e Socorro só pegávamos carona em carro que tivesse espaço para as quatro, rumo à Itabuna. Não era fácil, mas a gente conseguia todos os dias. Algumas vezes em carrocerias sujas de algum resto de carga de cacau, outras vezes em utilitários luxuosos dos fazendeiros da região, com ar condicionado e tudo...

Numa ocasião, já perto do natal, conseguimos carona coletiva em um ônibus de viagem que estava sendo recolhido para a garagem, com direito à agua mineral que sobrou no frigobar disponível para os passageiros. Teve um dia que de tanto Karina querer, conseguimos parar um daqueles caminhões gigantes, que trazem cargas do sudeste do país. Eles nunca paravam porque não tinha espaço no acostamento para um veículo tão grande... mas nesse dia, ficamos até todo mundo ir embora e insistimos até um caminhoneiro parar...

Karina adorou, mas na conversa durante a viagem, ficamos aborrecidas em descobrir que nosso diploma nos daria um salário menor do que o colega caminhoneiro gaúcho ganhava em duas semanas de trabalho. E ele ainda fez questão de frisar que não tinha terminado nem o ensino médio. "O meu negócio é a estrada", disse ele.

Tudo bem, seguimos em frente. As caronas diárias duraram mais da metade do curso, até que os pais de Karina deram um carro para ela. Menos aventura e mais conforto para todas, porque o quarteto se apossou do veículo, para a faculdade e alguns passeios. Dividindo o gasto com o combustível, é claro.

O nosso quarteto não era brincadeira. Fomos responsáveis por várias atividades interessantes, como seminários, a produção de um vídeo educativo e muitas outras coisas. Mas acho que o melhor dia foi quando levamos Paulo Freire para ministrar uma palestra sobre educação libertadora na Uesc e o auditório não coube. Tivemos que improvisar um palanque ao ar livre, com gente espalhada pelo gramado do campus, alguns até pendurados em árvores. Foi um dia glorioso.

Na formatura, no início de 1994, eu fui a oradora e incluí no discurso uma homenagem às grandes amizades que fizemos. Depois da conclusão do curso, cada uma seguiu seu caminho. Socorro voltou para Jequié, eu voltei para Maceió, Lucyara e Karina eram de Itabuna, mas Lucyara foi morar em Brasília.

Retomamos contato faz pouco tempo, graças aos sites de relacionamento. Ainda estamos atualizando as informações sobre o que cada uma está fazendo e rindo das recordações do nosso tempo de caroneiras da Uesc.

foto: a partir da esquerda, Socorro, Lenilda, Lucyara e Karina

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ô vida difícil hoje, viu?!


Desculpem, estou ironizando... é que tem dia de trabalho difícil mesmo: cobrir tragédias, operações policiais, homicídios... em compensação, tem dias em que la vita è bella. Hoje foi assim. Comecei no Munguzá do Pinto, encontrando amigos e dançando frevo...

Depois, a segunda pauta: falar do roteiro de charme em Alagoas. Ô dureza! Se o tempo permitisse, eu até gostaria de percorrer o litoral de norte a sul (lembrando o "Alagoas de norte a sul", nome do programa que o Marcus Toledo tinha na TV Pajuçara), mas só deu mesmo para conhecer o resort Kenoa, na Barra de São Miguel.

Já valeu a pena. Um lugar charmoso, com um gerente simpático, o americano James Peebles, que falou da preocupação em oferecer um ambiente requintado, mas sintonizado com a natureza exuberante. A decoração utiliza elementos do nosso litoral, mas na piscina com borda infinita, aquela em que a pérgula parece terminar no horizonte, as pedras foram trazidas da ilha de Bali, para combinar com a cor do mar.


Um resort para hóspedes que procuram privacidade e tranquilidade... uma música suave, que não abafe o barulho das ondas, e o melhor proveito da brisa maritma, além é claro, de conforto e boa comida... ô vidinha mais ou menos...

A minha matéria vai ao ar hoje, no Jornal da Pajuçara Noite, depois do programa Melhor do Brasil e do "Com Estilo". Mas também seremos tema do programa 50 por 1, do Álvaro Garnero, da rede Record, também neste sábado, 23h15, horário local.

Assista à matéria sobre o roteiro do charme em Alagoas

fotos: a primeira, foi Chié que tirou. A outra eu registrei da piscina com borda infinita: onde termina a piscina e começa o mar?

O Pinto é dez!!!




Quer uma receita para alimentar três mil foliões num café da manhã? Lá vai: 55 kg de milho, 45kg de açucar, 180 litros de água, 140 litros de leite, 35 litros de leite de côco, 1,1 kg de cravo, 1,8 kg de canela em pó e mais um toque especial do chef Gerson Domingos.

Hoje foi servido o Munguzá do Pinto, ao som de muito frevo, sete horas da manhã, em frente ao Hotel Ponta Verde. A frevança abre a temporada de prévias carnavalescas em Maceió.

O Pinto está completando dez anos e já nasceu surpreendendo. Braga Lira, um dos organizadores, contou que no primeiro desfile do bloco, eles esperavam no máximo 100 foliões. Apareceram 5 mil. De lá para cá, o frevo foi atraindo mais participantes. Ano passado desfilaram cem mil, esse ano deve aparecer mais. "Quem sai no Pinto volta e convida mais gente", disse Braga Lira.



Dois personagens chamam a atenção todos os anos: um é o porta-estandarte, o pernambucano Eraldo Ferraz, que mora em Alagoas há muitos anos e é professor da Ufal. Ele vem vestido à carater, no melhor estilo da nobreza. A outra personagem que não pode faltar, é dona Maria Pinheiro. Ela é pura animação, fantasiada de pinto e pulando ao som do frevo.

Os organizadores trabalham desde a madrugada mesmo. Eduardo Lyra estava lá, vestido de chef, contando que precisou levantar antes do sol para preparar tudo até a chegada dos convidados. E ainda vai ter mais festa: dia 31 de janeiro é a festa do Pintinho, na praia de Pajuçara, com oficina de frevo para as crianças. E no dia 6 de fevereiro, o grande desfile do Pinto pela orla de Maceió, com mais de cem mil!!!






Eu fiz matéria, comi munguzá e dancei um pouco de frevo que ninguém é de ferro! E o Pinto da Madrugada realmente é dez!!!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ufal 49 anos: mais que números, somam-se histórias...


A Universidade Federal de Alagoas completa 49 anos de fundação no dia 25 de janeiro de 2010. A instituição quase cinquentenária tem muito o que comemorar. O crescimento da universidade não se traduz apenas em números, apesar do aumento considerável de vagas para estudantes e funcionários, da expansão para o interior com dois novos campi e dos investimentos em laboratórios e prédios que ampliaram as atividades acadêmicas.

Mais do que todos os indicadores quantitativos, a Ufal celebra o avanço qualitativo da instituição, com a participação destacada em pesquisas de repercussão nacional e internacional, a aprovação de graduados em mestrados de universidades renomados no país e no exterior, a qualificação dos profissionais contratados em concurso, a maioria com doutorado e a ampliação de bolsas de pesquisa para os graduandos.

Em todas as unidades, recentemente, foram registradas notícias de alunos que ganharam prêmios em congressos nacionais e internacionais com apresentação de trabalhos e de projetos dos pesquisadores da Ufal aprovados por instituições de financiamento de pesquisa. O mais recente, no Instituto de Física, garantiu três milhões de reais em recursos e vai implantar no campus um equipamento inédito no Brasil.

Mas a Ufal, que cresce para fora dos limites do Estado e das fronteiras do país, também se abre para os alagoanos que, antes, nem ousariam sonhar em frequentar um campus universitário. Esse é um dos aspectos mais importantes da interiorização: aproximar a universidade das comunidades mais carentes de conhecimento e profissionalização.


Essa dimensão social dos campi no interior foi explicitada com muita alegria durante a calourada para os feras do primeiro vestibular realizado no campus Sertão, em Delmiro Gouveia.

A festa, realizada na praça central da cidade sertaneja, foi acompanhada por candidatos como Daniel Oliveira, comerciário, que estava na porta da loja em que trabalha, no horário de serviço, ao lado dos colegas, ansioso pelo resultado. Quando ouviu o nome dele, Daniel explodiu de alegria e subiu no palanque para comemorar, ainda com a farda do trabalho.

Gente também como Laércio Vilar, aposentado de 65 anos, que foi prestou o primeiro vestibular da vida dele e foi aprovado em Geografia. No discurso de agradecimento ele ressaltou "nunca se julgue velho demais para estudar e aprender”.

O campus Arapiraca


Histórias como essas já tinham emocionado a comunidade universitária, há três anos, quando foi implantado o campus da Ufal no agreste, com sede na cidade de Arapiraca, inaugurado em setembro de 2006. Logo depois do primeiro vestibular para os cursos oferecidos no agreste, a reitora Ana Dayse Dorea, em uma das visitas ao campus, parou o veículo para abastecer num posto de gasolina e ouviu do frentista um agradecimento especial. “Fui aprovado no vestibular. Sem a Ufal aqui em Arapiraca eu nem teria chance de concorrer”, disse o rapaz.

Esses relatos começam a responder uma reflexão que a reitora propôs para a equipe da gestão Ufal mais Viva durante reunião de planejamento: “qual a importância da Ufal para a sociedade alagoana?”

Em Arapiraca, além da extensão, pesquisa e ensino estendidos aos jovens do interior do Estado que não teriam condições de se instalar na capital para estudar, o campus da Ufal alterou também a dinâmica da economia local, provocando uma expansão imobiliária e o aquecimento do comércio. Reflexos secundários, mas também importantes para os municípios do interior de Alagoas, e que também devem acontecer no sertão.
 
A celebração dos 49 anos da Ufal será registrada em números, como a contratação de servidores, entre técnicos e docentes, nos últimos anos, e o crescimento de cursos de pós-graduação, com 21 mestrados e seis doutorados, com 900 alunos em mestrados e doutorados e mais 490 em especializações, além de 700 graduandos com programas de bolsas, o que vem referendando a Ufal como instituição que produz pesquisa de ponta, com relevância científica e social.
 
Mas a festa é principalmente da sociedade, e se traduz muito mais em um mosaico de histórias, com vários rostos de jovens e profissionais que agarraram a oportunidade de fazer parte desta universidade.



O aniversário da Ufal é comemorado com a mesma emoção de ser aprovado no vestibular ou ser ou num concurso público. Mas também é celebrado na rotina silenciosa das novas descobertas científicas e nos projetos que ajudam a melhorar a condição de vida do povo alagoano.


fotos: Ascom

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Rotina de repórter e as pessoas que surpreendem...

O que mais gosto em trabalhar numa equipe de reportagem é circular pela cidade, conhecer ambientes e pessoas diferentes. Algumas vezes estamos em palácios, outras pisando nas áreas mais pobres da cidade. Mesmo com mais de uma década nessa rotina, eu ainda me surpreendo, e não quero parar de me surpreender nunca com o ser humano.

Hoje, por exemplo, eu corri bastante para falar da poluição provocada pelos veículos desregulados no trânsito, fui até o Vale do Reginaldo registrar o início de uma importante obra de urbanização, beneficiando centenas de familias que vivem em situação de miséria. Fui à Artnor, descobrir o que as crianças estão gostando na feira de artesanato, e ainda tive que dar conta de uma pauta extra, para mostrar o tumulto que tomou conta da cidade com o apagão do final da tarde... ufa!

Deu para fazer tudo, e ainda tive uns intervalos para fotografar o cinegrafista em ação e as crianças, que sempre cercam as equipes de reportagem, atraídas pelo equipamento e por essa curiosidade que a TV desperta.

A feira de artesanato foi uma matéria agradável, com crianças bem especiais, como o indiozinho de 9 anos, Uirapuanparan, que queria desferir uma flechada em uma escultura de onça para me mostrar a habilidade dele com o arco e flecha... achei melhor ele só fazer de conta, sem acertar o bicho de madeira... vai que ele erra o alvo no meio da feira, né?


Mas a surpresa de hoje ficou por conta de um menininho, mais novo que meu filho, com apenas 2 anos e sete meses, trabalhando com uma habilidade incomum para a idade... ele esculpia um pedaço de madeira. Fiquei mesmo surpresa com a concentração do pequeno André Victor, filho do mestre André da Marinheira, neto e bisneto de escultores...

Virou uma atração à parte na feira, o pequeno escultor... será que talento se transmite por DNA???




As fotos são minhas: 1) meninos jogando no Reginaldo 2) 66 registrando o início da obra 3) o escultor precoce

Manhãs Brasileiras...

A lembrança mais remota que tenho de Edécio Lopes é da minha infância. Todos os dias o rádio era ligado logo cedo no programa "Manhãs Brasileiras" e ao som da voz de Edécio e das músicas que ele selecionava, eu me arrumava para ir ao colégio.

Nunca imaginaria que iria conhecer o famoso locutor e trabalharia com ele. Mas foi com prazer que convivi algum tempo com Edécio Lopes, na rádio Educativa, no período em que fui diretora da emissora, de 1999 à 2003.

Edécio já enfrentava, volta e meia, alguns problemas de saúde que nos privavam da presença dele. Mas, no dia a dia, era um colega afetuoso, conselheiro e muito gentil. Os tempos da educativa me deram a rica oportunidade de aprender com ele e com outros saudosos profissionais, como Ranilson França, que no mesmo período comandava o "Balançando o Ganzá", muita coisa sobre radialismo e sobre a vida.

Teve um dia que Edécio ligou, avisando que a pressão estava muito alta, e o médico recomendou repouso. Ele estava preocupado com o programa e perguntou se eu podia apresentá-lo. Imagine! Senti uma responsabilidade enorme em ocupar o horário do Edécio e conversar com os ouvintes dele, naquele mesmo programa "Manhãs Brasileiras" que eu ouvia na infância...

Hoje, faz um ano que Edécio partiu e as homenagens com certeza serão muitas. Ele tinha inúmeros fãs e grandes amigos... todos com saudade, mas certos de que ele viveu a vida com alegria e talento...

Abraços Edécio, continue a nos inspirar lindas manhãs brasileiras...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Para quem precisa, o pouco é muito...

Acabo de voltar da favela Sururu de Capote, às margens da Lagoa Mundaú, em Maceió. Uma comunidade de marisqueiras e pescadores, que vivem em barracos de lona e madeira. Aos poucos, essas familias estão sendo transferidas para casas populares, onde vão viver com um pouco mais de dignidade.

Fui ouvir as mães sobre o Programa Bolsa Familia. Em todo o país, 25,5 mil beneficios foram suspensos por falta de frequência escolar das crianças inscritas no Programa. Em Alagoas foram suspensos cerca de mil e quinhentos beneficios e 66 foram cancelados, de crianças até 15 anos.

Levando-se em consideração que o programa atende a cerca de 400 mil familias no Estado, o que significa perto de um milhão de pessoas, a quantidade de suspensões e cancelamentos não é considerada alta. Advertir, suspender e cancelar são formas do governo cobrar a atenção das familias para as duas condições: manter as crianças na escola, com pelo menos 85% de frequência, e cuidar da saúde, mantendo a pesagem e o cartão de vacinas em dia.

Andei pela favela, onde mulheres ocupadas despenicavam sururu, aproveitando que o molusco voltou à lagoa. As que conversaram comigo estão com o programa em dia, e cuidam bastante para cumprir as regras e receber os 170 reais em média, que para elas ajuda em muita coisa...

Andando por ali e observando a miséria do lugar, dá para entender melhor o que diz o relatório da Unesco, divulgado nessa terça-feira, informando que o Bolsa Familia ajudou a transferir de 1% a 2% da renda bruta nacional para a população mais pobre do pais. Parece pouco, mas não é...

Assista à matéria veiculada na TV Pajuçara

Caso Leal: Governo da Bahia vai indenizar a familia do jornalista assassinado

Conversei hoje, via internet, com meu amigo, Daniel Thame. Ele conheceu pessoalmente Manoel Leal, trabalharam juntos no jornal A Região e também tomaram muitas cervejas batendo papo sobre a vida.

Daniel falou que viveu sob pressão por mais de um ano, no mesmo período em que Leal foi morto, recebendo ameaças diárias. Estratégia dos poderosos locais para amedrontar a imprensa. O jeito foi transformar o medo em raiva, para continuar trabalhando...

Morei e atuei como assessora sindical naquela região por seis anos. Conheço um pouco desse coronelismo, que também nos é familiar em Alagoas. A decisão de indenizar a família de Leal é considerada importante pelo reconhecimento do papel social exercido pelo jornalista, que deve ter garantido o exercício da função de informar e denunciar quando for o caso.

Veja mais informações sobre o caso:

O governador da Bahia, Jaques Wagner, assinou uma lei que prevê indenização para a família de Manoel Leal de Oliveira, fundador e editor do jornal A Região, em Itabuna, assassinado em 1998.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, por sua sigla em espanhol), que estava envolvida no acordo que resultou a lei, emitiu um comunicado no qual saudou e qualificou a medida como um passo a mais para assegurar que a morte e outros nove jornalistas na Bahia não fiquem impunes. Mais informações em Jornalismo nas Américas

Manoel Leal de Oliveira foi assassinado no dia 14 de janeiro de 1998, por volta das 19h, quando tentava abrir o portão de sua casa, na rua principal do bairro Jardim Primavera. Testemunhas já ouvidas pela Justiça disseram que viram – e apontaram com segurança - Marcone e Monzar Castro Brasil numa Silverado branca, na véspera e no dia do crime.

Pela ligação com os executores e os fatos que antecederam o crime, os principais suspeitos de mandantes do assassinato são o prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, e a ex-secretária municipal Maria Alice Araújo, com possível participação do delegado Gilson Prata.  Texto completo em Observatório da Imprensa

Uma homenagem de Daniel Thame ao amigo assassinado, quando completaram-se cinco anos do crime

foto: Manoel Leal trabalhando - arquivo de A Região

Eduardo Galeano explica o Haiti...

A democracia no Haiti é uma criança maltratada e subnutrida, disse o jornalista e escritor Eduardo Galeano. Ele, que conhece como ninguém "as veias abertas da américa latina", mostra como esse pequeno país caribenho, marcado pelo preconceito racial, foi esquecido até mesmo pelo "libertador da América", Simon Bolivar.

Quando li Galeano referindo-se ao Haiti como um bebê maltratado, não pude deixar de pensar em Zilda Arns, que não queria ver criança nenhuma desamparada. Talvez por isso ela tenha encontrado lá a passagem para o outro mundo...

Mas, voltando a Galeano, vale a pena ler o artigo tão esclarecedor e crítico. Só para se ter uma idéia: "A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia".

O texto completo aqui
leia também "O legado dos amaldiçoados" de Antonio Lassance

foto: Lavadeiras, de Watson Etienne, retirado do link resistir.info

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Um novo começo para um jovem detento...

Ricardo Gomes de Araújo, 19 anos, é agora oficialmente estudante da Universidade Federal de Alagoas. Ele chegou para fazer a matrícula, ontem à noite, escoltado por agentes penitenciários, meia hora antes do encerramento dos trabalhos.

A mãe de Ricardo, Maria Selma Gomes, já estava aflita na porta da Faculdade de Administração, temendo que ele não chegasse a tempo e perdesse a vaga conquistada, mas deu tudo certo. O abraço de alegria e orgulho emocionou a quem acompanhava a cena.

Ricardo Gomes se envolveu em um assalto à mão armada no Tabuleiro, em outubro do ano passado, e foi preso depois de uma perseguição policial, na qual ele foi baleado na perna.

A familia vive um drama desde então. Os pais contam que Ricardo sempre foi um bom filho e a participação dele em um crime chocou a todos. O rapaz foi levado para a Casa de Detenção Provisória de Maceió e espera que a Justiça decida sobre o caso dele.

No final do ano passado, ele conseguiu autorização para fazer as provas do vestibular da Ufal, em uma sala separada e sob escolta. Foi aprovado para Administração, no turno noturno, em 53º lugar. Segundo o coordenador do curso, professor Luis Cabral, o estudante deve iniciar o curso no segundo semestre.

Ainda não se sabe como será feito para que Ricardo tenha acesso à universidade. A Intendência Penitenciária já manifestou a dificuldade em garantir escolta diária para que ele participe das aulas. Mas como é réu primário, pode conseguir liberdade provisória para responder ao processo. "Vamos aguardar a decisão da Justiça", disse o professor Luis Cabral.

Na Pró-reitoria Estudantil, a bolsista Maria Rita Valoes garantiu que Ricardo Gomes vai encontrar todo apoio que precisa para cursar a faculdade. "Ele inclusive pode ter assistência psicológica, caso considere necessário", disse a estudante.

E talvez seja preciso mesmo, porque além das dificuldades operacionais, Ricardo vai enfrentar o preconceito social contra pessoas que cometeram um erro. Ontem, durante a matrícula, as opiniões dos colegas de curso se dividiam. Enquanto uns consideravam Ricardo um exemplo de superação, outros não escondiam o medo de que ele possa reiscindir no crime, colocando em risco a própria turma...

Mas a familia de Ricardo está confiante e orgulhosa. O irmão mais novo dele também foi aprovado no vestibular da Ufal para o curso de Química. Todos esperam que Ricardo tenha a oportunidade de cursar a universidade e que isso represente um novo começo...

foto: Ricardo (de boné) faz a matrícula - foto de Robson Lima - Gazeta de Alagoas

Veja vídeo sobre a matrícula de Ricardo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sonhos de um menino de 8 anos interrompidos por bala perdida...

Nada mais difícil do que entrevistar uma mãe que acabou de perder o filho de forma trágica... mas hoje minha pauta era essa... Glaucia Nascimento queria falar, talvez uma forma de aplacar a dor, de dividir o desespero...

O filho dela, Tawan Berg Alves, de 8 anos, estava na porta da casa da avó dele, quando houve uma troca de tiros entre assaltantes fugindo de bicicleta, e perseguidores que ninguém ainda identificou quem eram... também não se sabe ao certo se a bala que atravessou o coração do menino veio da arma dos assaltantes ou partiu de quem os perseguia.

O fato trágico aconteceu no último sábado, por volta das 19 h, na rua Nova Brasilia, no bairro do Tabuleiro do Martins, em Maceió. O menino morava em Cruz das Almas, mas estava passando uns dias na casa da avó. A mãe contou que já mudou do Tabuleiro porque temia a violência do local. Mas o filho acabou sendo vítima dessa criminalidade desenfreada.

Fica sempre aquela sensação de que a tragédia poderia ter sido evitada. Glaucia olhava para a mãe e dizia "eu pedi para a senhora não deixar o menino brincar na porta", ou então acabava se culpando. "Eu já estava indo buscá-lo. Cheguei logo depois dos tiros. Se eu tivesse chegado dez minutos mais cedo, poderia ter salvado meu filho."

Mas como ela, ou a avó do menino, poderiam advinhar que quatro crianças, brincando na calçada, sete horas da noite, iam acabar se envolvendo num tiroteio?

Glaucia contou que o Tawan queria ser jogador de futebol. Ela iria cumprir a promessa de matriculá-lo na escolinha esta semana. Ele sonhava alto, queria ser famoso e possibilitar uma vida melhor para a mãe...

Como vamos saber se Tawan chegaria a ser um bom jogador ou trocaria o futebol por um emprego público? Talvez ele fosse mais um menino a sonhar com a fama sem nunca alcançá-la, ou talvez realmente se tornasse um craque conhecido e então daria entrevistas contando sobre a infância difícil e como conseguiu conquistar tudo o que sonhara com muito esforço...

Como vamos saber? Essa história foi interrompida por uma bala a esmo, que partiu o coração do menino... e da mãe dele...

foto: arquivo da familia

Assista à matéria veiculada na TV Pajuçara

Por que a Venezuela? Impressões de uma viagem...

Minha amiga de longas datas, Célia Watanabe, resolveu conhecer a Venezuela, acompanhada de mais duas amigas. Pedi a ela para contar um pouco das impressões de viagem. Segue o texto dela:


Por que Venezuela?

Pensávamos em fazer uma viagem para a América Latina, aliás, há anos a gente cogita a possibilidade, mas nunca dava certo de viajar juntas. A escolha foi simples, seria interessante ir para algum país que nenhuma de nós conhecesse. A mais andarilha das 3 conhece quase todo o continente, a outra amiga conhece Argentina e Chile, e eu somente o Chile. Foi quando pensamos na Venezuela. A decisão foi rápida, principalmente porque a possibilidade de conhecer parte do mar caribenho era sedutora.

Então fomos atrás das dicas e da organização da viagem: tudo doido, cada uma foi num dia e a volta não foi diferente. Penamos a insuficiência de dicas “quentes”, e toda sorte de atrapalhação para organizar passaporte (o meu devidamente vencido), passagem, hotéis, carteira internacional de vacina.

Não imaginava responder tantas vezes essa pergunta: por que Venezuela, por que Caracas?

Não era intenção fazer uma incursão sociológica, ou entender os meandros do governo Chavez. Particularmente, levei a expectativa de conhecer o que fosse possível, conversar com as pessoas...

Caracas é uma bela cidade, tem cerca de 4 milhões de habitantes. Com praças, parques agradáveis, uma boa estrutura de metrô. Os ônibus são antigos, mas eficientes e as passagens baratas. Os derivados de petróleo são baratíssimos, a gasolina custa 0,097 bolívares, pouco mais de 3 centavos de dólar. Pegar um táxi é sempre uma aventura, tem que negociar antes, pois não existe taxímetro e nem tabela de valores.

Fizemos muitos passeios, dentre os quais, subida ao cerro do Parque Ávila (Cerca de mil metros de altitude a partir da cidade de Caracas), pelo sistema de teleférico Warairarepano. A visão do alto é divina. Lá, foi possível experimentar as cachapas, uma massa de milho amarelo assado na chapa com uma consistência macia e recheios diversos.

Algumas voltas pela cidade, sempre marcada por homenagens ao seu grande líder Simon Bolívar. A moeda, bolívar fuerte, o país, cujo nome completo é República Bolivariana da Venezuela... museus, a casa onde nasceu aberta para ser visitada, logradouros como a Plaza Simon Bolívar, são evidências do extraordinário orgulho do povo Venezuelano em relação ao seu libertador revolucionário.

Hugo Chavez, amado e rejeitado, levanta a bandeira de seguidor de Bolívar. Expressa nas ações de governo, o desejo de liberdade e autonomia do herói nacional. Dizeres como “Con Chaves El Pueblo es el Gobierno”, “Construyendo el socialismo bolivariano ¡La democracia plena!” estampam as mensagens, quase sempre vermelhas de Chavez para a sociedade venezuelana e seus visitantes. Por meio da TV estatal, divulga as ações e dialoga com a população, fazendo uma prestação de contas minuciosa de seu mandato juntamente com o primeiro escalão do governo.

Conversamos com algumas pessoas sobre Chavez e percebemos algumas reações do tipo “ele é um louco”, mas no decorrer da prosa, surgiam manifestações de reconhecimento dos avanços. Foi uma semana de desvalorização do bolívar em relação ao dólar, assunto certeiro da população e do governo.

“El sistema de gobierno más perfecto es aquél que produce mayor suma de felicidad posible, mayor suma de seguridad social y mayor suma de estabilidad política”. (Simon Bolívar)

Uma Arepa Socialista

Arepa é uma comida típica, possível de ser encontrada em todos os lugares, mais comum do que o acarajé para os baianos, talvez uma incidência como o pastel para os paulistas. É uma massa bem gostosa feita de milho branco, assada na chapa, com vários tipos de recheio: ovos mexidos, carne moída, mariscos, peixe, queijo ralado, presunto. Lanche ou refeição principal é uma pedida bem gostosa. Custa entre 12 a 20 bolívares.

A Arepera Socialista é um projeto do governo venezuelano criado recentemente é coordenado pelo Ministério del Poder Popular para el Comercio, pela COMERSO – Corporacion de Mercados Socialistas. A matéria prima vem da agricultura familiar, a estrutura para comprar, transportar, preparar o alimento e comercializar é dos serviços públicos. Seu custo é de 5 bolívares.

A primeira Arepera Socialista, inaugurada dias antes do Natal, fica próxima à estação de metrô Parque Central, em um grande edifício comercial, no centro de Caracas. É uma espécie de restaurante popular e vende além da arepa, deliciosos sucos de fruta produzidos por uma cooperativa de campesinos. Fomos na hora do almoço, e estava bem cheia.

“Tenemos que desarrollar la cadena completa, desde el sector primário hasta el consumidor final” (Hugo Chavez)

Apesar de o país não ter uma estrutura de serviços eficientes para o turismo, o Governo estimula o setor e organizou o país em 6 caminhos possíveis: das praias (toda costa caribenha da venezuela), das florestas, do deserto (uma pequena região na zona central do país), dos campos, urbana (Caracas e imediações), e das montanhas.

Por que a Venezuela? Razões não faltam, pretendo voltar (espero que seja logo), para conhecer os locais onde não foi possível ir, afinal ficamos apenas em Caracas e imediações e Isla Margarita, um capítulo à parte.


Rapaz aprovado na Ufal quer sair da cadeia para estudar

Ricardo Gomes de Araújo teve a chance que centenas de jovens queriam: foi aprovado no vestibular da Universidade Federal de Alagoas, para o curso de Administração, turno noturno. O problema é que o rapaz de 19 anos está preso por assalto a mão armada e aguarda a decisão da Justiça sobre o caso.

Essa história foi tema de uma ótima matéria da repórter Carla Serqueira, da Gazeta de Alagoas, e ganhou duas páginas da edição deste domingo. Merecido destaque, já que o caso remete a uma reflexão ampla sobre a situação dos jovens num contexto social para lá de adverso. Alagoas, ano passado, entrou no ranking do Ministério da Justiça como a capital brasileira com maior índice de assassinatos vitimando jovens de 18 a 29 anos.

Estamos lutando contra o crack, o desemprego, a falta de oportunidades, os baixos índices de desenvolvimento humano que ainda assolam o povo alagoano. A situação econômica dá sinais de que começa a melhorar e a depender menos de um único setor, mas ainda não é o suficiente para garantir melhores condições de vida para a população que luta para sair da linha de pobreza.

E não é só uma questão econômica, é um problema de falta de perspectiva também, já que mesmo jovens da classe média estão se envolvendo com o tráfico de drogas. Uma questão social séria, que não pode ser resolvida responsabilizando apenas as familias desses jovens, que se esforçam, mas muitas vezes estão impotentes para enfrentar uma situação tão complexa. Ainda mais em Alagoas, onde nem mesmo existem centros de recuperação suficientes para auxiliar familias de dependentes químicos.

O caso do Ricardo não parece estar relacionado com drogas, mas com a péssima idéia de conseguir um dinheiro "fácil" roubando uma moto numa feira de bairro. Por conta disso, o rapaz acabou perseguido pela polícia, foi baleado na perna e preso. Nessa parte, a matéria da Carla consegue passar para o leitor o choque da familia com o episódio surpreendente:

"Era por volta de 17 horas quando veio a notícia jamais esperada. O telefone toca e dona Selma atende. 'a senhora pode vir até a delegacia? Seu filho está baleado'. Para a mãe, o chão desapareceu. Para o pai não podia haver pior desgraça."

A expectativa agora é se esse rapaz vai conseguir fazer a matrícula, hoje à noite, (isso alguém pode fazer por ele, por procuração) e principalmente se vai conseguir cursar, a partir do dia 22 de fevereiro. A intendência penitenciária já disse que não tem como enviar escolta diariamente, caso ele continue preso. Na Ufal já informaram que não há condições de deslocar professores para que ele tenha aulas na cadeia.

A chance do Ricardo, que é réu primário, é convencer a Justiça de que ele pode ser liberado, sem representar riscos para a sociedade. O rapaz está preso na Casa de Detenção Provisória de Maceió desde outubro do ano passado. Ele fez as provas, durante quatro dias, no final do ano passado, com autorização da juíza Lorena Sotto Mayor, numa sala separada e escoltado. Não deve ter sido nada fácil para esse rapaz passar por esse constrangimento, mas são consequências da atitude dele...

Agora, espero sinceramente, que, primeiro, alguém confirme a matrícula dele hoje à noite, porque do contrário ele perde a vaga. Segundo, que ele consiga a liberdade provisória e possa cursar a faculdade. Terceiro, que ele seja absolvido no processo, e possa ouvir, no fundo do coração, as palavras que Jesus disse para Madalena: "vai em paz e não tornes a pecar"...


Não é só por ele, nem o conheço. Mas é por todos nós. Para que não tenhamos sempre a sensação de que estamos perdendo nossos jovens para o crime. Perdemos muitos, estamos precisando de algumas vitórias. Porque uma situação trágica como essa, qualquer um de nós, pais e mães, está correndo o risco de vivenciar. E nenhum de nós vai querer enfrentar isso sozinho...


foto: Gazeta de Alagoas

domingo, 17 de janeiro de 2010

A Regina e o Lula

Minha querida amiga Regina, uma das pessoas que cito no meu post sobre o filme de Lula, mandou um comentário por email que resolvi publicar aqui, porque Regina é uma dessas pessoas que compõem o mosaico dessa história, e acompanhou tudo bem de pertinho, ali no ABC Paulista. Abaixo o email da Rê:

Lua, que boa surpresa encontrar vc recompondo sua vida de militante, que foi quando te conheci. Realmente muito dedicada e certeira. Poderia ter sido uma ótima dirigente partidária (rsrs)... brincadeirinha.

Sobre o filme: mesmo não sendo "a" entendida em cinema, algumas questões técnicas me frustraram (diálogos, ligações entre cenas e épocas etc - poderia ter sido melhor trabalhado). Do ponto de vista da realidade apresentada, muito coisa também me emocionou, apesar de a vida dura dos migrantes já ser tão conhecida.


Para mim, o filme preenche uma data que já tinha fugido da minha memória. Explico: eu entrei para trabalhar no sindicato dos metalúrgicos de SBC no dia 28 de maio de 1979. No primeiro dia de trabalho eu tinha que bater o cartão no subsolo e subir para o 2º andar onde ficava a escola do sindicato e o meu posto. Fui ao subsolo e peguei o elevador. Ele parou no térreo e a primeira cara que vi foi o Lula entrando, depois de ter saído da prisão. Eu nunca esqueci essa cena, mas não tinha certeza de quando ele tinha saído da prisão e no filme vi que foi no dia 20 de maio. Quando o encontrei, no episódio do elevador, ele chegava de volta com um monte de trabalhadores atrás dele. E daí pra frente todo mundo conhece.


Eu tenho expectativa que, depois que o Lula saia do governo, façam um filme contando como foi construir o PT. Vai ser importante para muita gente perceber o quanto e como foi subir um patamar no entendimento do que é fazer política e exercitar a difícil tarefa que é a democracia. Além disso, espero que seja mostrado que o Lula não é perfeito, como todo ser humano não é, mas, o quanto ele é excepcional. E isso é importante para a nossa história.


Lua, obrigado por compartilhar suas emoções.


sábado, 16 de janeiro de 2010

O Lula também sou eu...

Acabo de assistir ao filme "Lula, o filho do Brasil". Estou emocionada... não posso fazer nenhuma análise sociológica, nem sobre os aspectos cinematográficos e a qualidade técnica da pelicula ou coisa assim...
Minha cabeça viajou demais enquanto eu assistia ao filme. Muitas idéias, muitas lembranças, muitas conexões com outras vidas que compõem esse mosaico...

A frase que mais ficou em mim durante o filme foi aquela dita quando o Lula resolveu recuar da greve e a base manteve o movimento. Alguém gritou "com o Lula ou sem o Lula nós vamos em frente. O Lula também somos nós!"

É isso... o Lula também sou eu...

Tem algumas coincidências. Ser pernambucana, ter passado a infância em Santos, ser Corinthiana kkk, mas não é só isso... eu pensei no meu pai e nos meus tios, que também trabalharam nas fábricas paulistas nas décadas de 60 e 70.

Iam de bicicleta para o trabalho, de Santos para Cubatão, pegar o turno na Cosipa. Eles também eram chamados de "paraibas" ou de "baianos" e também diziam que eles vinham do "norte", porque a geografia do Brasil ainda não compreendia direito o nordeste, e esse país era feito do eixo sul-sudeste.

Eu revivi quando, já adolescente, resolvi militar no PT e isso deu a maior briga em casa com meu pai, mas anos mais tarde ele também virou "lulista". Durante o filme, passaram na minha mente dezenas de rostos amigos, com bandeiras vermelhas, em manifestações políticas.

Também reascenderam as imagens dos quilometros caminhados nas áreas rurais de Alagoas e da Bahia. Eu caminhei muito chão, mas estava bem acompanhada, de pessoas que sonhavam com um mundo melhor, mais igualitário... o engraçado é que às vezes eram comunistas que me cercavam, às vezes eram padres e freiras. Às vezes eram cortadores de cana, garis, trabalhadores do cacau... às vezes eram intelectuais engajados... e tinha dia que era tudo junto, misturado.

Eu lembrei de reuniões e assembléias intermináveis, aos sábados, domingos e feriados... mas tudo bem, era o nosso trabalho e o nosso lazer... a gente não sabia se divertir de outro jeito, a não ser todo mundo junto falando, falando e falando...

Mais dificil foi lembrar dos rostos que não estão mais aqui: Evaldo e Celso, principalmente. Quanto eu sonhei e quanto debati com eles. Nós éramos o Movimento Comunista Revolucionário em Alagoas, nós três. Era a maior tendência do PT, para não dizer o contrário kkkk mas fizemos muita confusão... ahhh, isso fizemos!

Teve uma vez que a gente montou um cinema num armazem de fumo, no agreste de Alagoas, para passar o filme sobre as greves do ABC. Aqueles milhares de sindicalistas, liderados por Lula, cercados de policiais, helicóptero sobrevoando... a cara que os trabalhadores fizeram foi de total espanto... o que é isso meu Deus...

Como num outro filme, que eu estivesse assistindo paralelo ao da tela na minha frente, eu vi mais de uma década de militância profissional rodopiando na minha mente. Sim, porque, no meu caso, as primeiras assinaturas na carteira de trabalho são do Centro de Educação dos Trabalhadores Rurais, em Camamu, e da Central Única dos Trabalhadores, em Itabuna. Eu fui "agitadora" profissional, e bastante competente por sinal....

As campanhas do Lula, nem se fala... na primeira, a de 89, eu terminei com pneumonia, de tanto andar debaixo de sol e chuva, na região cacaueira da Bahia. As outras eu já estava de volta à Alagoas. Na festa da vitória eu já não era mais filiada ao PT, mas comemorei do mesmo jeito...

Por isso, o Lula sou eu. Os erros e acertos desse governo, também são culpa minha... eu também acreditei, apostei minhas fichas e minha juventude nesse projeto... e não me arrependo... muitas coisas vingaram, muitas se perderam, muitas ainda terão que ser conquistadas... mas nesse caso, a coragem de se comprometer é tudo... se der para ir adiante a gente vai, se não der a gente recua, espera a hora certa, não é dona Lindu?!

Eu tenho certeza que vários amigos também sentem a mesma coisa: o Lula sou eu... só para citar os primeiros nomes que me vem a mente: Célia, Regina, Daniel, Zé, Vevéu, Iara, Nelson, Ana, Ricardo, Elder, Dinho, Valdirinha... o Lula somos nós, é ou não é, companheirada!!! E vamos em frente, que ainda não acabou...


foto - em Itabuna, 1993, Eu, Lula e os sindicalistas da região cacaueira, arquivo pessoal

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais uma vez o Haiti...

Começo o dia me arrumando para o trabalho e enquanto isso ouço o noticiário. Impossível não parar diante da dor dos haitianos, revelada nas imagens veiculadas pela TV. Dor física pelos ferimentos provocados no terremoto, dor psicológica de ver o país devastado e tantos mortos espalhados pelas ruas, dor do luto que não pode ser vivenciado dentro do costume de velar e homenagear cada morto.

Tem cena mais desoladora do que uma vala comum? Sete mil corpos até agora, enterrados sem nome, sem rituais, sem as músicas e orações dos parentes... Os repórteres falam do cheiro de putrefação que deixa o ar insuportável, já que muitos cadávares ainda não foram retidados dos escombros... a fome e o desespero deixam o clima tenso... desabrigados estão por toda a parte...

Um repórter americano acompanhou uma familia aflita retirando as pedras para libertar uma menina de onze anos, presa embaixo de um monte de entulho. A criança gritava de dor, por causa dos ferimentos, e pedia agua para aplacar a sede. Liberta, ainda teria que percorrer os hospitais de campanha lotados, para pedir atendimento.

É impossível conter as lágrimas... e nesse momento só nos resta rezar. Pelo menos consola saber que o mundo está se mobilizando para ajudar o Haiti mais uma vez a se reerguer...

Aqui de Alagoas, bombeiros militares se preparam para embarcar na missão de resgate. Que Deus proteja esses nossos amigos, que vão partir para uma tarefa difícil, mas certamente poderão ajudar muitas pessoas no país que, no momento, mais precisa de ajuda.

foto: Joel Trimble/Reuters

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O nosso "mago" do tempo

O nosso cientista atmosférico já avisou: vem chuva forte para Maceió, entre 15 de janeiro a 15 de fevereiro. Preparem os guarda-chuvas e as botas! A defesa civil já colocou em alerta os núcleos de defesa civil das localidades de risco.

Luis Carlos Molion, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal, não é apenas um pesquisador renomado, mas também corajoso. As polêmicas declarações dele de que a terra está resfriando, e não aquecendo, já foram reproduzidas em sites e jornais de vários países.

Para Molion, esse papo todo de aquecimento global tem o objetivo de controlar o desenvolvimento econômico dos países emergentes. Com as recentes notícias de gente congelando no hesmisfério norte, vale a pena atentar para o que ele fala...

Eu já entrevistei Molion algumas vezes. Toda vez que chove forte eu vai chover, a imprensa procura por ele. E o cientista recebe a todos, responde perguntas por telefone ou pessoalmente, de forma que possamos repassar nas matérias para a compreensão geral.

Nesses casos de chuva, o recado que ele gosta de lembrar é: não é a natureza que provoca as tragédias. Fenomêmos atmosféricos nós sempre tivemos. É a desocupação desordenada de encostas e várzeas que provoca as mortes que todos lamentamos depois das tempestades.

Prevenir desastres "naturais" com vítimas, exige planejamento à longo prazo. É preciso evitar as ocupações de áreas de risco, antes que as comunidades se estabeleçam, porque depois de anos, a retirada é bem mais traumática. Vide o caso da dona Vânia, penduranda na encosta do Mutange porque não quer perder a freguesia que manda roupas para ela lavar.

Precisamos de políticos mais comprometidos com as causas sociais e precisamos também de mais cientistas acessíveis e descomplicados, como o Molion.

foto: Terra