quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Sobre a passagem das horas...

Faltando três horas para a virada do ano, estou eu na redação da TV, para retornar ao trabalho depois de um mês de férias... ninguém por aqui por enquanto... um silêncio ensurdecedor... não é comum, nesse ambiente, tanta tranquilidade. Também não parece uma cena normal de fim de ano ficar em frente ao computador quando todos estão indo para as festas de reveillon...

Mas estou tranquila e feliz... Tranquila, porque depois de um ano turbulento, tudo está entrando nos eixos e 2010 promete. Aliás, algumas promessas que fiz para antes de terminar 2009, eu cumpri.
Feliz, porque é bom ter um trabalho que voce gosta tanto de fazer, que não chega a considerar uma maldição um plantão de reveillon, principalmente depois de um mês de descando bastante produtivo...

Além disso, nessas férias, iniciei esse blog, para exercitar a escrita mais livre, seja reflexão cotidiana ou ficção inspirada nas artimanhas da vida... e os amigos estão me estimulando a continuar escrevendo, até porque, quem me conhece sabe que sou uma incansável contadora de histórias, reais e inventadas... só é passar da contação oral, para a escrita...

Nesse tempinho que estou esperando a hora de passar o cartão do ponto e começar o trabalho para valer, aproveitei para escrever na agenda nova de 2010 as metas para o próximo período. Pretendo cumprí-los escrupulosamente. Vou revelar dois: escrever mais, inclusive à mão (descobri hoje, escrevendo na agenda, que de tanto digitar, minha caligrafia, que era de colegial, está virando um garrancho) e estar aberta ao amor, na forma que ele se apresente... porque, como dizia Cazuza "a vida não para".

E depois de terminar hoje a leitura de "Memória de minhas putas tristes", de Gabriel Gárcia Márquez, reafirmei a certeza de que os sentimentos não são limitados pela idade.
Eu sei que não se deve antecipar o final das estórias, mas eu vou me atrever a escrever aqui as últimas frases do livro, e não se preocupem que não tira de nenhuma forma a graça da leitura. "Era enfim a vida real, com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dia depois dos meus cem anos".





Feliz 2010 para todos!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O que se pode saber do imprevisível?...

Alícia se despediu do amado cheia de dúvidas... o coração pesava com uma indefinição angustiante. Mas ela pensou: o que afinal queria saber? Essa história toda já havia começado como um salto no escuro... mania que tinha de buscar certezas onde era impossível...
Cinco dias antes tinha conhecido o rapaz de um jeito inusitado para ela. Aos cinquenta anos, separada, artista plástica de relativo sucesso, estava sozinha na noite de natal e resolveu bater papo na internet. Buscava alguma forma de preencher o vazio daquelas horas, para que o dia chegasse mais depressa, e o silêncio daquela noite não pesasse tanto.
Gostou de um nick e apostou no papo... a conversa fluiu e, como ela queria, o tempo passou... mas o parceiro de conversa quis o msn. E agora? Como ela não frequentava salas de bate-papo, não tinha um email discreto. O seu era o nome próprio, já um pouco conhecido na cidade do interior... mas, ela pensou, "por que não arriscar?"... fazia tempo que não tinha nenhum flerte com ninguém... estava abusada da tranquilidade em que se transformara sua vida.
Passou o contato e a conversa ficou ainda mais animada. Não demorou muito e marcaram um encontro, em um café, para o dia seguinte. Ela se divertiu com a própria atitude destemperada. "Ahh, vai ser só um encontro. Quem sabe um beijo...", pensou Alícia.
Apesar do nervosismo, ela tinha se encorajado com a franqueza dele, que não tinha floreado a própria vida. Falou abertamente dos problemas que estava vivenciando. Enfim, não foi uma conversa de sedutor que quer mascarar a realidade.
Mas durante a noite ela também lembrou de todas as histórias que tinha lido em páginas policiais, onde encontros fortuitos como esse acabavam em tragédia. O mundo está cheio de aproveitadores, estelionatários, etc etc.
"É, mas o mundo também está cheio de gente interessante que a gente só pode conhecer se arriscar um pouco, se estiver disposta a se expor", assim ela concluiu o vai e vem de questionamentos internos, e adormeceu cheia de expectativas...
No dia seguinte, o encontro foi delicioso. A conversa começou tímida e depois deslanchou, se arrastou por horas. Ele era mais jovem, bonito, animado, franco, bastante disposto a falar de si mesmo, o que não é tão comum nos homens. Ela gostou dele de cara. Tinha uma gargalhada tão honesta, que nada nele poderia ser fingimento. Antes da tarde terminar, ele estava se despedindo e ela estava desejando que ele tomasse a iniciativa de propor algo mais ousado.
Ele propôs, certo de que ia receber uma recusa, mas ela não se fez de rogada e a noite foi de carícias e prazeres que há tempos Alícia não sentia. "Que se dane meu bom comportamento", pensou ela. "Eu quero é viver".
O encontro renovou o encantamento de Alícia pela vida. O ano tinha sido voltado apenas para o trabalho, com noites solitárias, preenchidas pela literatura e pelas pinceladas para criar os quadros que a faziam sentir-se produtiva, criativa, viva, mas cada vez mais fechada em seu próprio mundo. Havia um conforto naquele isolamento, uma segurança. mas era também monótono. Nada a ver com os quadros coloridos e cheios de movimento que ela pintava.
Victor Hugo veio quebrar aquele sossego. De repente ela estava de novo com aquela ansiedade adolescente, contando as horas para um próximo encontro. Mas o novo affair tinha seus riscos. Ela tinha mania de se apaixonar e estabelecer compromissos. O seu Victor Hugo era como o escritor frances do século XIX, um homem cheio de amantes e muito disposto a atender a todas elas. Ele não tinha escondido esse lado bon vivant, pelo contrário, a tinha divertido contando as aventuras com as várias mulheres que tinha conhecido pela internet.
Dessa forma, ela sabia no que estava se metendo. Nos três encontros que tiveram, ela sentiu a ternura crescer, a despeito da improvável possibilidade do relacionamento se tornar algo sério. "Mas afinal,  o que diabos é um relacionamento sério", pensava ela. Tinha acabado de sair de um casamento que cumpriu todas as formalidades, e acabou afundando num surto depressivo.
Quando ela fechou a porta, sentiu uma ponta de medo. Não tinha a menor idéia do que iria acontecer naquela história sem roteiro. Mas afastou as preocupações e se entregou a ocupação que lhe animava a alma. Pintou inspirada a tela mais intensa de que se lembrava...

( a foto é de uma escultura de Rodin em homenagem à Victor Hugo)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Uma rebelde cheia de causas...

Sabe uma das coisas boas desse ano que está terminando? Foi conhecer pessoalmente Angela Ro Ro.
No início dos anos 90, quando eu tinha vinte e poucos anos e morava sozinha na região sul da Bahia, militando no movimento sindical e no PT de lá, as músicas dela embalaram muitas das minhas rebeldias...
Muitas histórias se passaram e eu fiquei menos rebelde e mais cuidadosa... mas aí eu encontro essa mulher sessentona, que tem uma incrível juventude e uma atitude corajosa diante da vida e foi capaz de se reiventar.

A louca e escandalosa Angela Ro Ro emagreceu, parou de beber e de usar drogas e lançou um dvd lindíssimo. Ganhei um, autografado, depois da entrevista e de tietar e tirar fotos com ela. Pedi para ela cantar para mim "Fogueira" que foi a trilha sonora da minha paixão mais avassaladora no século passado (faz tempo kkkk).

Depois, ouvindo o dvd com calma enquanto dirigia, prestei atenção numa letra marcante. Palavras que nascem da autêntica ligação que essa compositora tem com a vida e com as pessoas. Eu assinaria embaixo, palavra por palavra, e mais uma vez me identifico com Angela Ro Ro, porque ela expressa o que eu gostaria de dizer sobre esse momento da minha vida.


Eu sei que tempo vai passar
E as coisas vão ficar
Porque acredito em mim
E o tempo passa a flutuar e a chance de eu ficar
Depende só de mim
Começo uma nova história e aviso
Não vai ter lugar prá você onde sobra juízo
Todo amor que eu amei no fundo eu dediquei
A mim e a mais ninguém
E vai ser tarde até demais
Prá quem ficou prá trás
Por não saber amar
Se gosta do medo não venha comigo
Não gosto de quem nunca corre perigo
Todo canto e pranto meu e tudo que sou eu
Por certo vai vingar
Então você vai entender que o quanto que eu quis sofrer
Valeu pelo tentar
Se gosta do medo não venha comigo
Não gosto de quem nunca corre perigo
Todo amor que eu amei no fundo eu dediquei
A mim e mais ninguém

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Preparando as rabanadas...

Hoje eu fiz as minhas suculentas rabanadas para a festa de amanhã. Essa é a minha incubência de todos os anos: preparar as rabanadas de natal...
É um trabalho sequenciado e bastante mecânico. Primeiro corta o pão, depois bate os ovos, mistura leite condensado, leite e baunilha num prato, açucar e canela em outro. Coloca óleo na frigideira, e aí começa: passa o pão no leite, depois nos ovos, joga na frigideira, deixa escorrer um pouco e depois coloca no açucar...
Essa sequencia é repetida várias vezes, até acabar o pão... o engraçado é que todos os anos, quando fico na cozinha fazendo esse trabalho, passa um filme na minha cabeça, com os momentos principais do período... e eu tenho também uns insights sobre o significado dos acontecimentos. Não é uma coisa muito detalhada, é só uma sensação de que as coisas estão bem ou de que precisam mudar. É como se eu estivesse visualizando cartas do tarô. A mente vai se desligando da tarefa automática e se voltando para os pensamentos...
Hoje, fazendo as rabanadas, senti tranquilidade. O ano não foi muito fácil para mim. Uma separação dificil, com episódios traumáticos. Mas eu superei bem e está tudo entrando nos eixos calmamente.
Vai ficar tudo bem em 2010... um ano de recomeços, sem grandes expectativas... basta um dia após o outro, em paz... foi isso o que as rabanadas me disseram esse ano... Ahhh, se quiserem mais detalhes sobre a receita, é só perguntar...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Semana de Natal

Gosto dessa sensação de final de ano, de fechar uma etapa. Mesmo que sejam só datas no calendário, todo mundo entra nesse clima de reflexão, solidariedade, retrospectiva, projetos... isso contagia...
Além do mais, a cidade tem mais luzes, mais música e as pessoas estão mais predispostas a serem gentis... até no caixa do supermercado te desejam feliz natal!
Este ano, que tive férias em dezembro, as festas estão ainda mais gostosas, porque passei esses dias todos com Ernesto em tempo integral. Muito bom!
Eu sei que logo as férias vão acabar e a rotina de trabalho me mantem afastada dele quase o dia todo. Mas ainda é cedo para sofrer com isso. Vamos curtir as festas primeiro. Por isso, desejamos à todos um Feliz Natal!!!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Lembranças da viagem...


Domingo chuvoso e eu estou em casa, recordando os melhores momentos da minha viagem de férias com Ernesto até São Paulo. Nessa foto ele está observando o camelo. A visita ao zoológico, que eu já narrei nesse blog, foi uma maravilha, porque foram muitas novidades por todo o lado. Alguns animais ele tinha referência, dos desenhos animados ou apresentações da escolinha. Outros, como o camelo, ele lembrou de ter visto recentemente nas lapinhas de natal.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Em casa...

Eu não lembro qual o pensador que disse "passaria a vida viajando, se tivesse outra para ficar em casa", mas concordo. É bom viajar, sair da rotina, visitar lugares, mas ter um canto para voltar depois de novas experiências, é muito gostoso...
No percusso de volta, de Guarulhos até Maceió, com uma conexão em Salvador, percebi muitas pessoas viajando com crianças. Li sobre isso na revista de bordo da Gol. A matéria tinha depoimentos de pais que falavam das dificuldades e alegrias de viajar com os filhos. Um pai disse " é bom ver tudo como uma novidade pelos olhos dele", se referindo ao filho pequeno. A mesma sensação que eu tive ao ver Ernesto entusiasmado diante das luzes e formas da cidade de São Paulo.
Também tinha um desabafo engraçado de uma mãe que assumiu "eu já viajei sozinha nas férias para ser tudo mais tranquilo, mas depois a saudade apertou e tudo perdeu a graça". Pois é, não é fácil andar por aí com um menininho elétrico de três anos, mas sem ele, não tem a mesma graça.
Tive que ficar ligada em Ernesto no aeroporto de Guarulhos, porque eu precisava soltar a mão dele para transferir as malas de um lugar para outro e para buscar os documentos. Mas qualquer segundo de distração podia ser perigoso. Só como exemplo, bastou eu me virar para pegar os tickets de bagagem com o atendente no check-in e Ernesto subiu na esteira. Quando o funcionário da Gol acionou o rolamento, já com as bagagens etiquetadas, quase que o sapeca ia junto. Tudo o que ele queria, né, porque desde que Ernesto viu as esteiras de bagagem pela primeira vez, na segunda-feira, ele sonha em passear nelas...
Enfim, foi cansativo, mas muito divertido... agora vamos curtir as festas natalinas em familia, e depois, o retorno a rotina de trabalho.
Esse vai ser um momento complicado. Não quero me antecipar muito, mas já estou imaginando, depois de dias 24 h colada no Ernesto, como vai ser passar o dia trabalhando e encontrá-lo só à noite. Como sempre, ele vai se adaptar mais rápido do que eu. Eu vou chorar mais... mas isso é preocupação para depois. Vamos curtir o resto das férias!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sem essa Supernanny

Hoje o Ernesto deu um "show" no restaurante do Sesc Vila Mariana. Enquanto eu estava na fila para buscar nossas bandejas de comida, ele transformou as latas de reciclagem de lixo em uma bateria e fez o maior barulho, correu de um lado para o outro jogando os chinelos para cima e quase trombou com as pessoas que equilibravam bandejas até a mesa...
Tive que perder o meu lugar na fila e arrastar Ernesto para fora do restaurante para falar com ele. Como eu estava morta de vergonha e com muita raiva, ele percebeu que era sério e prestou atenção. Voltei de novo para o final da fila e ele esperou na mesa, um pouco mais comportado, mas não tanto...
Em lugares que tem muitas crianças, ninguém liga para isso, porque todos os pais sabem que é dificil controlar tanta energia e são mais condecendentes e compreensivos uns com os outros. Quando um adulto está em dificuldades eles riem com cumplicidade e dizem "essas crianças"... Mas num lugar onde predominam adultos, eles olham de soslaio com reprovação, como se não tivessem crianças na familia, e esperam que voce consiga manter uma criança quieta e fique na fila ao mesmo tempo.
Dá uma sensação de impotência e de solidão... Mas nem pensem que eu chamaria a Supernanny para resolver o problema. Ela edita a parte que deve ir para o ar. Os momentos suprimidos devem conter chutes, pontapés e malcriações de sobra... além disso, não acredito que se deve condicionar o comportamento infantil como fazemos com os animais, e nem confio que isso dure. Para mim, depois daquele final feliz da Supernanny  a vida segue com novos problemas que não serão gravados para os programas de TV. Por isso, sem essa Supernanny!
Quando me sinto a mãe mais sem firmeza do mundo, porque não consigo por ordem na bagunça do Ernesto, eu gosto de abrir o orkut numa comunidade que me consola desde que ele nasceu: Mães de Meninos http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=7961211
Quando ele era bebê e não dormia muito e eu estava morta de cansaço, encontrava mães reclamando que não dormiam nada há meses e eu começava a pensar com mais calma que essa fase ia passar... Hoje, procurei um tópico sobre pais preocupados com os comportamentos "inadequados" dos pequenos em ambientes públicos, e encontrei pérolas como essas:

“O meu pequeno tem 2 anos e 3 meses... e o que ele faz que me deixa morrendo de vergonha é dar tapa nas pessoas...”


“Fomos ao teatro com o Arthur, de 3 anos e 10 meses, ver Tarde de Palhaçadas. O Arthur foi chamado para uma brincadeira no palco mas não quis responder às perguntas do palhaço, correu pelo palco às gargalhadas ficou se pendurando pelo braço do palhaço... eu e o pai não sabíamos onde enfiar a cara”

“Uma vez na sala de espera da pediatra lotada ele grita: mamãe me ajuda MEU PINTO TÁ DURO ... kkkkkkkkkkkkkkkk ...todo mundo olhou para minha cara esperando ver minha reação... “

“Ontem mesmo eu fui ao banco ele se jogou no chão, deu um escândalo e eu fiquei com a maior cara de tacho...”

He he he depois de ler esses e outros depoimentos, eu não preciso de nenhuma metida como a supernanny para me dizer que eu devo dar biscoitos para o meu filho "abanar o rabinho". É normal, isso passa e eu vou descobrindo a melhor forma de conversar com o meu pequeno e conseguir alguns avanços. De um modo geral, a minha raiva passa assim que ele olha para mim com doçura e fala "desculpa mamãe"

Os sons do universo são os sons do útero materno

Ontem não consegui escrever. Estava exausta. Percorri quilômetros à pé no centro de São Paulo e, como tem muitos trechos onde o trânsito é perigoso, tive que carregar Ernesto no colo por várias vezes. Com pouco mais de um metro e 18 kg, ele não é mais nenhum bebezinho e pesa bastante, mesmo para uma mãe ansiosa em mostrar o mundo para ele...
Pela manhã fomos ao Palácio das Indústrias, um prédio enorme, muito bonito,da década de 20 do século passado. No local foi instalada a Catavento, uma organização cultural. A exposição ainda é incompreensível para um menino de três anos que não tem conhecimentos básicos de física, biologia e química, mas vale despertar a curiosidade.
E ele "brincou" com muitas coisas: descobriu o peixe Nemo no aquário das espécies aquáticas, ouviu o canto de pássaros de várias regiões brasileiras gravados em computador e acionou as turbinas de uma hidrelétrica em miniatura que produzia energia para iluminar uma pequena cidade.
Mesmo que Ernesto não conheça a Via Láctea ( representada na foto ao lado)  e o Sistema Solar, uma parte da exposição trouxe elementos bem familiares para ele, que ainda deve ter algumas recordações do tempo em que morava na barriga da mamãe. Os sons gravados por sondas, que registraram ventos solares e outros fenômenos espaciais, parecem muito com os sons do útero materno.
A música é a mesma que eu ouvia quando a médica colocava o ultrassom para ouvir o batimento cardiaco do feto... Ficamos lá, um tempo, ouvindo aquele barulhinho relaxante. Eu não sei o que se passava na cabeça do Ernesto, mas eu me senti muito tranquila naquele universo de sons distantes...
Inspirada nas estrelas, andei com Ernesto no colo o caminho de volta, até alcançar a estação da Sé, pegar o trem do metrô e chegar na Vila Mariana, onde mora minha amiga Regina. Ernesto descansou para restaurar as energias e a mente para o outro programa: fomos ver as luzes de Natal da avenida Paulista, com direito à cançoes natalinas interpretadas por um coral. Uma noite linda, para encerrar mais um dia de descobertas...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Novidades demais...


São quatro horas da tarde de uma terça-feira. Dia normal de trabalho para muita gente. Mas eu estou de férias e o tempo passa diferente para mim. Estou em São Paulo, hospedada na casa de uma grande amiga.
Meu filho está dormindo tranquilamente, depois de percorrer o zoológico de ponta a ponta. Fico imaginando o que sonha uma criança de três anos depois de ter visto dezenas de bichos que para ela tem os nomes dos personagens de desenhos infantis... sim, porque ele chamou a zebra de Marty, o leão de Alex, o hipopótamo de Glória e a girafa de Melman. Nota dez em memorização dos personagens de Madagascar.
Os outros animais, embora não tenham saído dos desenhos animados, também encantaram Ernesto. Foram quilometros percorridos com muitas novidades. Uma overdose de bichos para estafar uma criança que até ontem, pessoalmente, conhecia cachorros e gatos, além de alguns insetos...
O melhor é poder enxergar o mundo pelos olhos dele: tudo tão encantador e cheio de aventuras! Eu já fui no zoológico algumas vezes, mas hoje, alguém dúvida que aquele lugar me pareceu mais lindo do que nunca?
Só de ver Ernesto solto, feliz, pulando de um lado para o outro, alimentando aves e se pendurando nas grades para ver melhor os bichos, meu coração se encheu de alegria...
O mundo é uma selva, mas ele ainda não sabe disso. Meu desejo é que ele esteja seguro e que as feras próximas a ele sejam sempre aqueles animais bonitinhos, distanciados por fossos ou cercados por grades.
Mas um dia, quando ele tiver que matar leões na batalha diária da sobrevivência, só posso desejar que ele tenha um espírito forte e uma vida saudável.
Descansa, meu filho, ainda tem muita novidade pela frente!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Maternidade...

Meus amigos sabem que, fora os assuntos de trabalho, o tema mais recorrente nas minhas conversas é o meu filho de três anos. Também, pudera... por muito tempo priorizei a profissão. Há alguns anos, como educadora sindical, vivia uma vida muito tumultuada, entre greves e ocupações de terra, mudando de endereço muitas vezes... nesse contexto não dava para pensar em ser mãe...

Depois, quando comecei a atuar como jornalista, era aquela correria e instabilidade, que todo colega conhece. Daí as coisas foram acontecendo: passei no concurso público da Ufal, conheci uma pessoa legal, no entanto, já parecia tão tarde... apesar de praticar atividades físicas e ter uma boa saúde, eu já estava com quase quarenta...

Mas papai do céu é muito bom comigo e veio o Ernesto. Um menino lindo, cheio de saúde e imaginação, que está crescendo rápido. Nasceu de um parto normal relativamente tranquilo ( não dá para dizer que não doeu, mas não foi coisa de outro mundo).

O parto já foi uma história. A bolsa estourou no meio da madrugada. Meu (naquela época) marido não sabe dirigir e quis chamar um táxi, mas eu disse que não precisava. "Dá para levar". E lá fui eu para a maternidade, dirigindo em meio as contrações... chegamos bem. Entrei na sala de parto, seis horas da manhã, e quarenta minutos depois estava com meu bebê nos braços, mamando de primeira... foi no dia 21 de março de 2006.

Dia seguinte, coloquei Ernesto no bebê conforto, e voltei para casa dirigindo...

De lá para cá, minha vida mudou completamente. Eu me surpreendo todos os dias, eu me emociono com frequência, eu choro sem motivo às vezes, eu rezo e agradeço o tempo todo...

Eu também tenho mais medos: o aquecimento global, a violência urbana, o avanço do tráfico... tudo agora me atinge de uma forma particular, porque além dos interesses coletivos, isso pode ameaçar a segurança da pessoa mais importante do mundo para mim.

Acredito que esse post foi criado meio à guisa de explicação. Como jornalista, espera-se que meu blog comente assuntos do cotidiano e acontecimentos ditos jornalísticos. Mas para mim "nenhum som me importa afora o som do teu nome que eu adoro". Não tem jeito. Ernesto vai estar tão presente nos meus escritos quanto está no meu pensamento.

(Na foto, eu quando estava grávida do Ernesto de oito meses, no início de 2006. A foto foi tirada pelo então colega da Ascom Ufal, Ronaldo Lima)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Começando a conversa

Inspirada em vários amigos, que não conseguem conter a profusão de pensamentos diante de tantos fatos diários, que acompanhamos por dever de ofício, também resolvi criar um blog.

Ainda não pensei bem sobre que assuntos quero compartilhar com as pessoas, mas como o cotidiano é cheio de acontecimentos bizarros, não vai faltar sobre o que falar...

Então vamos começando por experimentação, tateando o novo espaço para sentir como ele vai se desenvolver