quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A mulher contemporânea e suas "máscaras"



Joan Rivière, psicanalista inglesa que atuou na primeira metade do século passado, escreveu uma obra que é referência para o estudo dos conflitos da mulher contemporânea. Em “Feminilidade como Máscara”, de 1929, ela avalia como as mulheres, conquistando competências até então tipicamente masculinas, assumem uma “máscara” de feminilidade, que serve, de certo modo, como proteção contra possíveis retaliações masculinas.

Trazendo esses conceitos para a realidade cultural brasileira, a psicóloga Mirian Maranhão acompanhou, durante o Mestrado realizado na Unisinos, em 2008, um grupo terapêutico feminino na cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul. “Eram mulheres ligadas à economia agrícola da região, numa sociedade tão machista quanto a nordestina e que, após cuidarem dos maridos e filhos durante anos, redescobriam a própria identidade, após uma separação, ou a morte do marido, ou qualquer outro acontecimento que as levaram a reavaliarem a vida”, conta a pesquisadora.

Os encontros semanais duravam cerca de 40 minutos e eram campo de estágio das estudantes de Psicologia da Unisinos. “Eu acompanhei o grupo terapêutico como observadora, sem interferir no processo, mas avaliando como experiência prática, o referencial teórico de Freud e Lacan, para analisar como as mulheres vivem entre 'faltas' e aprendem a lidar com elas”, explicou Mirian.

Durante este acompanhamento a psicóloga ouviu relatos marcantes de mulheres que anularam a própria individualidade durante o casamento e, naquela oportunidade, buscavam recuperar o que faltava, como um emprego, ou uma expressão artística, ou mesmo a integração em um novo grupo de convivência, onde reencontravam a segurança psíquica necessária para recomeçar.

O livro

As análises teóricas sobre o drama dessas mulheres, que foram a base da dissertação de Mestrado da professora de Psicologia da Ufal, Mirian Tenório Maranhão, foram compiladas em um livro, intitulado “Feminino, Arte e Revolução: um aporte psicanalítico”.

Na introdução, a professora apresenta a proposta do trabalho: “Ao se propor uma reflexão acerca da construção da feminilidade, a partir dos paradigmas da contemporaneidade, percebe-se que o mundo atual oferece diversas vertentes através das quais as mulheres podem construir o seu modo de ser mulher, a sua própria inscrição de feminino”. Nessa construção, segundo a pesquisa, a arte e seu caráter revolucionário tem um papel fundamental.

O livro será lançado no dia 26 de outubro, às 19h, no Centro de Convenções, durante a V Bienal Internacional do Livro. “Será uma noite de lançamentos na área de Psicologia. Além do meu livro, a professora Eliane Leitão e outros professores da Ufal vão apresentar seus trabalhos. Esperamos que a comunidade acadêmica e os psicólogos compareçam”, convida a professora Mirian Maranhão.

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