terça-feira, 11 de outubro de 2011

Instituto de Física participa de projeto nacional contra o câncer de pele

Uma pesquisa sediada na USP de São Carlos, coordenada pelo professor Vanderlei Begnato, está desenvolvendo uma tecnologia totalmente nacional para o diagnóstico e tratamento do câncer de pele, em estágio inicial, com menor custo e muita eficiência. As drogas e equipamentos estão sendo produzidos por empresas brasileiras. A pesquisa foi aprovada em dezembro de 2009 e vai reunir 100 centros de pesquisa no país. O da Ufal, que vai funcionar no HU, será o único do Nordeste e será coordenado pela professora Maria Tereza de Araújo, do Instituto de Física.

“Durante mais de um ano, trabalhamos para ajustar e certificar os equipamentos e as drogas, produzidos aqui no país, junto à Anvisa. Agora podemos começar a fase de diagnóstico e tratamento com terapia fotodinâmica”, ressalta a professora. O projeto, fomentado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), é interdisciplinar e envolve uma equipe formada por físicos, médicos e enfermeiros.

“Entrei em contato com este grupo quando fiz pós-doutorado em São Carlos. Diante da importância social deste projeto, que vai acompanhar mais de oito mil pacientes em todo o Brasil, apresentei imediatamente a proposta de incluir a Ufal nesta pesquisa”, relatou a coordenadora.

A professora Maria Tereza destaca que a incidência de câncer de pele na região nordeste é muito alta, provocada pela forte irradiação da luz solar nessa região. “Muitas pessoas trabalham expostas ao sol sem a devida proteção. Por isso, é importante desenvolver um programa de diagnóstico precoce e tratamento de pequenas lesões, de forma rápida, eficiente e com custos mais baixos. Essas são as novidades desta pesquisa”, explica a professora.

A equipe que vai atuar no Hospital Universitário já foi selecionada. Além da professora Maria Tereza de Araujo, doutora em Física e coordenadora do projeto, participam o doutorando em Física, Francisco de Assis Martins Gomes Rêgo Filho, e a equipe clínica, formada pelo dermatologista responsável, Dr. Everson José dos Santos Leite, as dermatologistas Maria do Socorro Ventura, Raquel Patriota e Kathia Monielly Tenório Nunes, e ainda pela técnica em Enfermagem, Elma Cássia de Souza Silva Zechinatto.

Os envolvidos no projeto de pesquisa não vão receber remuneração por esse trabalho. Será um novo conhecimento adquirido pela equipe, com uma tecnologia e um protocolo de tratamento totalmente nacionais”, diz a coordenadora. Ela ressalta ainda que a pesquisa está sendo analisada pelo comitê de Ética em Pesquisa da Ufal. “Como é um procedimento novo, com pacientes, é preciso um acompanhamento rigoroso de todo o processo”, ressaltou Maria Tereza. Ela informou ainda que o laboratório do HU será utilizado em horários específicos, para não tumultuar as rotinas do Hospital.

Em Alagoas, serão selecionados 80 pacientes. Eles precisam ter um tipo específico de câncer de pele, o carcinoma basocelular, que é o câncer da pele mais frequente, representando cerca de 70% de todos os tipos, com uma lesão que ainda não tenha ultrapassado 2 cm de raio. “Isso porque o equipamento emite uma luz específica, que é eficiente apenas em casos iniciais, onde o tratamento ainda pode ter uma resposta rápida”, diz a Física.

Pelas experiências feitas em São Carlos, o tratamento é eficiente nesse estágio, com 90% de cura, sem raspagem, sem queimar a lesão, sem deixar cicatrizes. Não é preciso nem internação. O paciente se submete ao tratamento e volta para casa. “É uma técnica com fluorescência óptica e terapia fotodinâmica, simples e eficiente”, ressalta a coordenadora.

Além do alcance social do projeto, que vai beneficiar oito mil pacientes no Brasil, sendo 80 em Alagoas, a pesquisadora destaca a importância científica para estabelecer uma técnica de tratamento que permite barateamento de custos num tratamento de alta demanda no país e um intercâmbio fundamental entre as ciências exatas e da saúde para o desenvolvimento de pesquisas em âmbito nacional.

“Esperamos que este projeto contribua de forma significativa para a diminuição da incidência de câncer basocelular em nosso país, oferecendo um tratamento que está dentro da realidade econômica brasileira e pode ser utilizando no Sistema Único de Saúde”, conclui a pesquisadora.





Veja vídeo sobre os detalhes do tratamento

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