terça-feira, 4 de maio de 2010

A palavra que Aurélio mais gostava...

Disse a viúva de Aurélio, a dona Marina, que das centenas e centenas de palavras que Aurélio Buarque de Holanda definiu, a que ele mais gostava era saudade...

É mesmo uma palavra bonita, mas vem acompanhada de uns sentimentos que o dicionarista pode definir com facilidade, mas são difíceis de carregar no peito, como melancolia, angústia, tristeza...

Ontem, visitando Passo de Camaragibe para fazer a matéria sobre o centenário de nascimento do mestre, fui atacada destas saudades sem explicação alguma, e fiz mas um poeminha abestalhado... Lá vai

Sinto saudades
Não sei mas de que
nem de quem
É uma saudade
de um tempo que eu não lembro
de uma gente que não conheço
de lugares a que nunca fui

Mas a saudade dói
Como se eu estivesse fora do eixo
como se fosse estrangeira nesse lugar

Parece que num lapso de memória
esqueci que sou daqui mesmo
e vivo a suspirar
desprovida da minha história

foto: minha, na estrada de Passo

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