segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pesquisador analisa a ação da atmosfera sobre a sociedade

A influência do clima sobre as ações humanas é bastante conhecida por toda a população. Não é à toa que consultamos o serviço de meteorologia antes de uma viagem ou de planejar uma festa ao ar livre. Mas esse tema ainda é pouco abordado cientificamente. Poucos estudiosos se dedicam a pesquisar os vários aspectos em que clima e temperatura podem alterar o nosso cotidiano.

Um dos entusiastas desta área é o professor de Biometeorologia da Ufal, José Clênio Ferreira de Oliveira. O pesquisador, que é mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba, organizou pela primeira vez, em 2008, em Alagoas, o seminário Atmosfera e Sociedade, que se transformou em um projeto de Extensão do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal.

O objetivo do seminário foi sistematizar um debate interdisciplinar e multidisciplinar sobre como as variáveis meteorológicas se relacionam com vários outros campos de estudo. “Por exemplo, em Psicologia existe uma disciplina recente, a Psicologia Ambiental, dedicada a observar como o clima influencia no comportamento humano”, explica o professor Clênio. “Algumas pesquisas registraram que na Sibéria, dependendo da mudança dos ventos, aumentava o número de suicídios, inclusive em pessoas que não apresentavam tendência à depressão”, relaciona o professor Clênio.

Influências na saúde e no comportamento

Segundo o pesquisador, essa não é uma questão nova, mas ainda é muito contestada e vista com certo preconceito na acadêmia. Mas existem referências importantes em Biometeorologia, S. W. Tromp, por exemplo, já em 1980, observou que o corpo humano registra estímulos meteorológicos que podem iniciar enfermidades, agravar doenças pré-existentes e até levar à morte.

Atento a esta relação entre clima e doenças, Clênio foi o primeiro meteorologista do Brasil a ter sua dissertação de Mestrado co-orientada por um médico. “O médico Jairo Calado estudou a relação da temperatura, umidade e precipitação pluviométrica com o agravamento de determinadas enfermidades aqui no nordeste”, destacou o pesquisador.

A influência das variáveis atmosféricas podem se dar, na questão da saúde, de forma indireta, estimulando a produção dos vetores, como o mosquito da dengue, que precisa de umidade e calor para se reproduzir, ou quando as cheias aumentam os riscos de contaminação por leptospirose e leishmaniose. Mas algumas doenças são influenciadas diretamente pelo clima, como as crises respiratórias provocadas pela baixa umidade ou baixas temperaturas.

Veja a matéria completa no site da Ufal

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