domingo, 7 de março de 2010

Só Jamal é bom?

Ontem à noite assisti no Telecine ao filme "Quem quer ser um milionário". Fui dormir sob o impacto das cenas e do enredo desconcertante. Não avalio as questões técnicas: montagem, trilha sonora, roteiro, etc etc. Não sou crítica de cinema e não tenho conhecimento, a não ser o leigo de achar bom ou não...

Mas, apesar de um filme que prende a atenção do espectador do começo ao fim, e do ritmo alucinante dos programas de auditório feitos para paralisar o público, a sensação provocada pela história é muito contraditória.

Então a narrativa do filme é feita pelo menino bom ao torturador? É justamente o policial que tortura a única pessoa em toda a história que escuta de verdade aquele rapaz?

Salim é ao mesmo tempo protetor e o maior vigarista. Ninguém é bom ali, só Jamal. E como todos os bons ele é ingênuo e incapaz de proteger suas conquistas, nem mesmo um autógrafo conquistado depois de um banho de merda ele foi capaz de esconder...

E Latika, não sei o que dizer dela... em toda a história não teve muita iniciativa. Até para a fuga redentora ela precisou sair aos empurrões do cativeiro onde estava...


De resto, fora a briga religiosa entre hindus e mulçumanos, retratada em uma única cena selvagem, o contexto é conhecido dos brasileiros: miséria, exploração infantil, violência, tortura, corrupção, falta de escrúpulos...

Não conheço a Índia, mas por favor, naquela cultura milenar, onde viveu Gandhi e onde foram originados grandes conhecimentos para a humanidade, não é possível que a única pessoa boa seja Jamal!

2 comentários:

  1. Eu lembrei das questões em relação aos filmes brasileiros. A gente fica se perguntando, será que no Brasil só tem favela? Só tem briga entre polícia e bandido? Só tem prostituição e violência? Só tem nordestino matador ou preguiçoso?

    Talvez, e eu tô defendendo o filme sem nem saber a verdade, a intenção tenha sido apenas a de contar a história do Jamal. Um menino como outro qualquer que apenas não teve sorte na vida. E ele podia ter qualquer nacionalidade, podia ser chinês, americano, brasileiro.. Simplesmente trocaríamos alguns ícones e a história seria a mesma, um menino bom e inocente, que se vê diante de diversas tragédias na vida e elas não o atingem, apesar de td. Td mundo ali acabou corrompido por aquele mundo e restou uma esperança, Jamal. Que na minha opinião, poderia ter sido o grande vilão da história, pq foi quem mais sofreu, quem mais tinha o direito de querer dar o troco, mas era sempre quem protegia e acabava ajudando td mundo.

    Agora cá pra nós, não entendi aquela cena "dançante" no final.. Por mim, teria terminado sem aquele mico... rsrsss

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  2. Pois é Jackie, a cena final pareceu cena da novela "Caminho das Índias", quando aquela personagem que não lembro mais o nome conseguiu um papel no cinema... a dança era igual

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