segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Por que a Venezuela? Impressões de uma viagem...

Minha amiga de longas datas, Célia Watanabe, resolveu conhecer a Venezuela, acompanhada de mais duas amigas. Pedi a ela para contar um pouco das impressões de viagem. Segue o texto dela:


Por que Venezuela?

Pensávamos em fazer uma viagem para a América Latina, aliás, há anos a gente cogita a possibilidade, mas nunca dava certo de viajar juntas. A escolha foi simples, seria interessante ir para algum país que nenhuma de nós conhecesse. A mais andarilha das 3 conhece quase todo o continente, a outra amiga conhece Argentina e Chile, e eu somente o Chile. Foi quando pensamos na Venezuela. A decisão foi rápida, principalmente porque a possibilidade de conhecer parte do mar caribenho era sedutora.

Então fomos atrás das dicas e da organização da viagem: tudo doido, cada uma foi num dia e a volta não foi diferente. Penamos a insuficiência de dicas “quentes”, e toda sorte de atrapalhação para organizar passaporte (o meu devidamente vencido), passagem, hotéis, carteira internacional de vacina.

Não imaginava responder tantas vezes essa pergunta: por que Venezuela, por que Caracas?

Não era intenção fazer uma incursão sociológica, ou entender os meandros do governo Chavez. Particularmente, levei a expectativa de conhecer o que fosse possível, conversar com as pessoas...

Caracas é uma bela cidade, tem cerca de 4 milhões de habitantes. Com praças, parques agradáveis, uma boa estrutura de metrô. Os ônibus são antigos, mas eficientes e as passagens baratas. Os derivados de petróleo são baratíssimos, a gasolina custa 0,097 bolívares, pouco mais de 3 centavos de dólar. Pegar um táxi é sempre uma aventura, tem que negociar antes, pois não existe taxímetro e nem tabela de valores.

Fizemos muitos passeios, dentre os quais, subida ao cerro do Parque Ávila (Cerca de mil metros de altitude a partir da cidade de Caracas), pelo sistema de teleférico Warairarepano. A visão do alto é divina. Lá, foi possível experimentar as cachapas, uma massa de milho amarelo assado na chapa com uma consistência macia e recheios diversos.

Algumas voltas pela cidade, sempre marcada por homenagens ao seu grande líder Simon Bolívar. A moeda, bolívar fuerte, o país, cujo nome completo é República Bolivariana da Venezuela... museus, a casa onde nasceu aberta para ser visitada, logradouros como a Plaza Simon Bolívar, são evidências do extraordinário orgulho do povo Venezuelano em relação ao seu libertador revolucionário.

Hugo Chavez, amado e rejeitado, levanta a bandeira de seguidor de Bolívar. Expressa nas ações de governo, o desejo de liberdade e autonomia do herói nacional. Dizeres como “Con Chaves El Pueblo es el Gobierno”, “Construyendo el socialismo bolivariano ¡La democracia plena!” estampam as mensagens, quase sempre vermelhas de Chavez para a sociedade venezuelana e seus visitantes. Por meio da TV estatal, divulga as ações e dialoga com a população, fazendo uma prestação de contas minuciosa de seu mandato juntamente com o primeiro escalão do governo.

Conversamos com algumas pessoas sobre Chavez e percebemos algumas reações do tipo “ele é um louco”, mas no decorrer da prosa, surgiam manifestações de reconhecimento dos avanços. Foi uma semana de desvalorização do bolívar em relação ao dólar, assunto certeiro da população e do governo.

“El sistema de gobierno más perfecto es aquél que produce mayor suma de felicidad posible, mayor suma de seguridad social y mayor suma de estabilidad política”. (Simon Bolívar)

Uma Arepa Socialista

Arepa é uma comida típica, possível de ser encontrada em todos os lugares, mais comum do que o acarajé para os baianos, talvez uma incidência como o pastel para os paulistas. É uma massa bem gostosa feita de milho branco, assada na chapa, com vários tipos de recheio: ovos mexidos, carne moída, mariscos, peixe, queijo ralado, presunto. Lanche ou refeição principal é uma pedida bem gostosa. Custa entre 12 a 20 bolívares.

A Arepera Socialista é um projeto do governo venezuelano criado recentemente é coordenado pelo Ministério del Poder Popular para el Comercio, pela COMERSO – Corporacion de Mercados Socialistas. A matéria prima vem da agricultura familiar, a estrutura para comprar, transportar, preparar o alimento e comercializar é dos serviços públicos. Seu custo é de 5 bolívares.

A primeira Arepera Socialista, inaugurada dias antes do Natal, fica próxima à estação de metrô Parque Central, em um grande edifício comercial, no centro de Caracas. É uma espécie de restaurante popular e vende além da arepa, deliciosos sucos de fruta produzidos por uma cooperativa de campesinos. Fomos na hora do almoço, e estava bem cheia.

“Tenemos que desarrollar la cadena completa, desde el sector primário hasta el consumidor final” (Hugo Chavez)

Apesar de o país não ter uma estrutura de serviços eficientes para o turismo, o Governo estimula o setor e organizou o país em 6 caminhos possíveis: das praias (toda costa caribenha da venezuela), das florestas, do deserto (uma pequena região na zona central do país), dos campos, urbana (Caracas e imediações), e das montanhas.

Por que a Venezuela? Razões não faltam, pretendo voltar (espero que seja logo), para conhecer os locais onde não foi possível ir, afinal ficamos apenas em Caracas e imediações e Isla Margarita, um capítulo à parte.


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